Carlos Bolsonaro faz campanha em SC sem ir a debates e vincula promessas a vitória de irmão
O ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) chega à reta final da sua campanha eleitoral para a vaga de senador por Santa Catarina sem ir a sabatinas ou participar de debates com adversários.
Para tentar atrair o eleitorado, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se apresenta como alguém que teve papel crucial na vitória do pai em 2018, com a utilização das redes sociais, e tenta vincular sua candidatura à do irmão Flávio Bolsonaro (PL), que concorre ao Planalto.
"Com acesso direto ao futuro presidente da República, Santa Catarina receberá a atenção que merece", diz ele em um dos vídeos da campanha. "Eu e Carol vamos poder entrar na sala do presidente", lança em outro momento, em referência à aliada na chapa ao Senado, a deputada federal Carol de Toni (PL).
Segundo a cientista política e professora Cíntia de Souza, do Departamento de Sociologia e Ciência Política da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), há uma queixa recorrente do empresariado local de que haveria uma ausência de canal com o governo federal.
Candidato à reeleição e fiel ao bolsonarismo, o governador catarinense Jorginho Mello (PL) costuma cobrar uma revisão do pacto federativo e repetir que "entregamos 100 para Brasília e recebemos 10". A bandeira foi incorporada pela campanha de Carlos Bolsonaro.
"Isso é uma pauta forte nas candidaturas conservadoras. Um discurso de que, no pacto federativo, Santa Catarina sempre sairia perdendo", disse a cientista política.
Ao longo da campanha, em encontros com pequenos empresários e lojistas, o candidato a senador também tem repetido promessas do irmão. Tem dito que Flávio, se eleito, vai congelar a reforma tributária por um ano "para discutir com mais tempo e ouvindo mais gente", além de reduzir impostos e desburocratizar atividades.
Carlos Bolsonaro ainda apela a uma eventual vitória do irmão para resolver gargalos catarinenses na área de infraestrutura. Mas, para adversários nas urnas, há desconhecimento do candidato sobre os problemas do estado, motivo que o levaria a recusar participação em debates e sabatinas.
Ex-presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, Carol de Toni deu entrevistas à imprensa, mas também não foi a todos os debates, o que tem sido interpretado no meio político como uma ação casada com a postura de Carlos.
Com sete mandatos consecutivos na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro é chamado de "paraquedista" por adversários.
"Já se sabia que esta questão de ele ser do Rio de Janeiro seria explorada. E o grupo tentou no começo do horário eleitoral na TV emplacar a imagem da dobradinha entre Carlos e Carol, que é uma liderança catarinense em ascensão, a mais votada em 2022 [da bancada federal em Santa Catarina]", diz a cientista política.
Para tentar desviar das críticas, além de prometer "acesso direto ao futuro presidente", Carlos Bolsonaro tem publicado vídeos em que cumprimenta moradores de diferentes cidades catarinenses —em Blumenau, faz um brinde no local da tradicional Oktoberfest. Também resolveu mostrar o percurso que fez de moto pela Serra do Rio do Rastro e suas famosas 284 curvas.
Mas a principal aposta de Carlos Bolsonaro é o próprio sobrenome. Ele exibe vídeos com frequência sobre seu pai e alega concorrer por Santa Catarina porque é um estado que "defende os mesmos valores que eu". "Santa Catarina é o Brasil que deu certo", diz ele.
O ex-presidente Bolsonaro está em prisão domiciliar. Ele foi condenado por tramar um golpe para impedir o mandato de Lula (PT), vitorioso nas urnas de 2022 e hoje candidato à reeleição. Mas Carlos chama seu pai de "preso político", fala em "golpe imaginário" e diz que seu grupo precisa se eleger para "resgatar o que sobrou da democracia".
No segundo turno do pleito de 2022, Bolsonaro teve quase 70% dos votos em Santa Catarina e o estado se tornou uma espécie de reduto da direita brasileira. Na esteira disso, outro filho de Bolsonaro, Jair Renan (PL), se tornou o mais votado entre os vereadores eleitos em 2024 para a Câmara de Balneário Camboriú, no litoral catarinense. Na disputa de 4 de outubro próximo, ele é candidato a deputado federal por Santa Catarina.
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Outro aliado de Bolsonaro, o governador Jorginho tem chance de se reeleger já no primeiro turno. Ele tem 54% das intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada na quinta-feira (24), registrada na Justiça Eleitoral sob o código SC-04783/2026. O segundo lugar, com 13%, é de João Rodrigues (PSD), que também é fiel a bandeiras bolsonaristas.
Na chapa encabeçada por João Rodrigues, está o senador Esperidião Amin (PP), que concorre à reeleição e que desde o ano passado ensaiava uma dobradinha com Carol de Toni, ao final vetada pela cúpula do PL para permitir a entrada de Carlos Bolsonaro nas eleições.
A pesquisa Quaest de quinta mostra empate técnico triplo ao Senado entre Carol, Carlos e Amin. Eles aparecem com 17%, 16% e 15% das intenções de voto, respectivamente. O candidato do PT, Décio Lima, vem na sequência, com 10%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Ao longo da campanha, Amin já declarou voto em Flávio Bolsonaro e vem tentando se manter no campo bolsonarista, apesar do racha na direita. Mas, diante da disputa acirrada ao Senado, Carlos e Amin começaram a trocar ataques nesta reta final.
Em resposta a um vídeo em que Carlos afirma que Amin não seria do campo da direita, o senador dispara: "Carlos, eu sempre ouvi falar da tua fama de estrupício. Mas como isso era lá do Rio de Janeiro, eu nunca me preocupei". Amin acrescenta que o comportamento do filho de Jair Bolsonaro "não irá mudar a relação de fraternidade e respeito" que ele próprio tem com o ex-presidente.
O slogan de Amin é "De Santa Catarina, por Santa Catarina" e o nome da coligação que o sustenta é "Santa Catarina acima de tudo". O senador também diz que tem o selo "catarinense raiz".
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