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Wednesday, September 23, 2026

Conversas de jovem morta no CE citam abusos de namorado e desejo de 'sumir'

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Bacharel em direito João Munhoz Neto, 34, namorado da universitária Isabelle Caracristi
Bacharel em direito João Munhoz Neto, 34, namorado da universitária Isabelle Caracristi Imagem: Reprodução/Linkedin

Com o impacto da queda, o aparelho da jovem ficou seriamente danificado. As equipes técnicas conseguiram recuperar apenas as mensagens enviadas e recebidas até as 2h da manhã do dia 13 por meio de um backup em nuvem. O histórico compreendido entre as 2h e as 20h40 —horário estimado do óbito— não pôde ser restaurado.

O conteúdo recuperado permite inferir, desde já, a existência de violência psicológica, ao mesmo tempo em que sustenta a continuidade da linha investigativa destinada a verificar eventual induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, especialmente diante da proximidade temporal entre o agravamento do sofrimento emocional da vítima, a afirmação de que desejava 'sumir', a elaboração da mensagem de despedida e o resultado morte.
Trecho do pedido de prisão expedido contra o bacharel

Segundo relato da mãe da vítima, Isabelle enviou sua última mensagem na noite de domingo, instantes antes de morrer, dizendo que a amava.

Nos registros recuperados, a polícia destaca que a estudante relatou sentir-se "ameaçada, manipulada, pressionada, sobrecarregada e presa", afirmando que as atitudes de João "lhe faziam mal e a adoeciam".

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A Polícia Civil aponta que João chegou a instalar uma "câmera particular na soleira da porta da frente do apartamento". Os investigadores destacam que "essa câmera foi retirada, sem informações precisas do momento em que ocorreu, o que levanta suspeitas sobre a possibilidade de remoção após os fatos".

No requerimento de prisão preventiva, os delegados ressaltam ainda que o relacionamento era "marcado por múltiplas assimetrias", observando que Isabelle tinha 22 anos e atuava como estagiária em um escritório de advocacia no qual João exercia "posição de ascendência profissional".

Depoimento traz relatos da vítima sobre o relacionamento

Em depoimento prestado à Polícia Civil, um primo de Isabelle relatou que, uma semana antes de morrer, recebeu uma ligação da universitária na qual ela afirmava "não suportar mais João" devido ao ciúme excessivo e à proibição de manter contato com familiares e colegas de trabalho.

Durante a chamada, o familiar contou ter ouvido a voz de João ao fundo ordenando: "Desliga esse telefone, estou mandando".

Na ocasião, Isabelle declarou que pretendia denunciar o namorado na Justiça do Trabalho. Diante do clima de tensão, ela alertou o parente de que "tudo o que acontecesse com ela, a partir daquele momento, deveria ser investigado" e reforçou: "Não acredite nele".

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Duas horas antes de morrer, Isabelle enviou um áudio de 16 minutos ao primo detalhando uma discussão com o namorado. Na gravação, a jovem afirmou estar sendo ameaçada e declarou que, caso algo lhe acontecesse, João seria o responsável.

Imagem de Isabelle chegando ao prédio no dia em que morreu
Imagem de Isabelle chegando ao prédio no dia em que morreu Imagem: Reprodução

A prisão pedida

No pedido encaminhado ao Judiciário, os delegados citam que o relacionamento era "marcado pela possessividade dele em relação a ela", que o investigado exigia "acesso permanente à sua localização" e controlava aspectos de sua vida "familiar, financeira, sexual e profissional".

Ao decretar a prisão preventiva de João, a juíza Fabrícia Ferreira de Freitas registrou que "a vítima estava sob intensa pressão psicológica e evidente esgotamento diante das investidas controladoras do namorado".

A magistrada acrescentou que a estudante foi submetida a "práticas de vigilância, manipulação, constrangimento, pressão emocional, insistência sexual, interferência em suas decisões e controle de sua localização e de aspectos de sua vida financeira".

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"Demonstrada a gravidade dos fatos, evidencia-se a necessidade da prisão preventiva para a garantia da ordem pública, por conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal", concluiu a juíza na decisão.

A coluna tentou falar sobre as alegações com a advogada de defesa de João, mas não conseguiu. O espaço segue aberto pra manifestação.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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