Bugatti Veyron é arrematado em leilão suíço pelo recorde R$ 28 milhões
Uma das três unidades produzidas da versão Jean-Pierre Wimille do Bugatti Veyron 16.4 Grand Sport Vitesse foi arrematada no último sábado, 26, por 4.505.000 francos suíços (aproximadamente US$ 5,4 milhões, ou R$ 28,3 milhões), agora o valor mais alto pago por um Bugatti Veyron. O leilão foi realizado em Zurique, na Suíça, pela RM Sotheby’s.
Considerado o carro que introduziu a Bugatti na era moderna dos automóveis, o Veyron teve seis edições especiais dentro da coleção "Les Légendes de Bugatti". Uma delas foi a Jean-Pierre Wimille, que presta homenagem ao primeiro piloto de corrida a vencer as 24 Horas de Le Mans ao volante de um Bugatti, em 1937.
O exclusivo esquema de pintura externa do superesportivo também remete aos tons do Type 57G pilotado por Wimille, com destaque para o circuito da lendária corrida na parte inferior da asa traseira e, na cabine, entre os bancos. Há também a assinatura de Wimille gravada a laser nas tampas dos bocais de abastecimento de combustível e óleo e nos encostos de cabeça.
De acordo com a RM Sotheby’s, o Veyron Jean-Pierre Wimille chassis 795063 foi entregue ao seu primeiro proprietário em maio de 2014, em Dubai, antes de seguir para a Alemanha e depois para a Suíça, onde foi arrematado. No momento da catalogação, o hodômetro marcava apenas 3.766 quilômetros.
Recorde também de velocidade

Esse não é o único recorde na carreira do modelo. Em 19 de abril de 2005, o Veyron 16.4 se tornou o primeiro carro de produção em série a romper a barreira dos 400 km/h.
Então à frente da Bugatti, que fazia parte do Grupo Volkswagen (assim como a Porsche) desde 1998, Ferdinand Piëch tinha a obsessão de bater o recorde de 406 km/h do Porsche 917 nas 24 Horas de Le Mans de 1970 – Porsche 917, aliás, idealizado pelo próprio Piëch, quando no comando da empresa fundada pelo avô, Ferdinand Porsche.
Para buscar o recorde, o Veyron foi equipado com um motor de 8 litros, quatro turbos e 16 cilindros dispostos em W. Os 1001 cavalos de potência e 127 kgfm de torque chegavam às quatro rodas por meio de uma nova transmissão automatizada de dupla embreagem e sete marchas.
A progressão da velocidade era vertiginosa, bastando 2,5 segundos até os 100 km/h, 7,3 segundos até os 200 km/h e 16,7 segundos até os 300 km/h.
Havia também truques aerodinâmicos. Quando girada no console ao lado do motorista, uma chave especial (que ficou conhecida como "Speed Key") acionava um sistema hidráulico que fechava as abas do difusor traseiro, baixava o aerofólio e diminuía a altura do carro, de 125 milímetros para 65 mm na frente e 70 mm atrás.
Só assim, e após certas condições serem verificadas (como pressão dos pneus), o carro estava liberado para atingir a velocidade máxima.
Alta velocidade
Uwe Novacki, um veterano instrutor de pilotagem da Volkswagen, foi o piloto e Ehra-Lessien a pista de testes, localizada na Alemanha e com nove quilômetros de extensão.
"Foi uma grande honra ser o primeiro piloto a tentar ultrapassar os 400 km/h com o Veyron. Eu não estava nervoso ou com medo, mas sentia respeito. Estava acostumado a dirigir regularmente em altas velocidades, mas essa faixa de velocidade era uma dimensão totalmente nova. Ninguém tinha experiência com isso", relatou Novacki.
Na primeira tentativa, Novacki bateu 380 km/h. Na segunda, 411 km/h. "Fiquei muito impressionado com a estabilidade, a facilidade e a segurança do carro a 400 km/h. A essa velocidade, você tem que se concentrar rigorosamente, e saber como ler a pista e o carro. A menor das irregularidades ou algum movimento mais arisco da direção podem levar a dramáticas consequências", explicou o piloto.
Mais algumas estilingadas e a Tüv Süd, empresa especializada em ensaios técnicos contratada para o teste, entendeu que 407 km/h era a velocidade real a ser considerada.
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