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Monday, September 14, 2026

James Webb vê pontos vermelhos no espaço — e eles podem revelar 'grande mistério' do Universo

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Uma análise de objetos distantes identificados pelo Telescópio Espacial James Webb indica que os chamados “pequenos pontos vermelhos” podem estar associados aos primeiros buracos negros supermaciços do Universo. O estudo, publicado na revista científica Nature Astronomy, analisou as galáxias que abrigam esses objetos para investigar como buracos negros e estrelas se desenvolveram no início do Cosmo.

Os “pequenos pontos vermelhos”, ou little red dots, como são chamados em inglês, começaram a chamar a atenção dos astrônomos em 2023. Eles aparecem nas observações do James Webb como fontes compactas e avermelhadas de luz infravermelha e estão tão distantes que são vistos como existiam quando o Universo tinha cerca de 1 bilhão de anos.

A maior parte da luz detectada nesses objetos vem de uma região com menos de 2% do tamanho da Via Láctea. Uma das hipóteses estudadas é que essas fontes abrigam buracos negros supermaciços em uma fase inicial de crescimento. Alguns deles poderiam consumir matéria em uma taxa que faz a região ao redor do buraco negro apresentar características semelhantes às observadas na superfície de uma estrela.

Outra possibilidade é que parte dos pontos corresponda a regiões onde ocorre formação de estrelas, associadas ao surgimento de galáxias com grandes massas. Para diferenciar essas hipóteses, pesquisadores passaram a estudar as chamadas galáxias hospedeiras, estruturas nas quais os objetos estão localizados.

O novo trabalho, liderado por Yiyang Zhang, da Universidade de Wuhan, na China, concentrou-se justamente nessas galáxias. Os pesquisadores utilizaram imagens do James Webb da região COSMOS-Web, uma área do céu equivalente a aproximadamente três vezes o tamanho aparente da Lua.

Mais de 400 pequenos pontos vermelhos foram identificados nessa região do espaço. O número permitiu que a equipe analisasse uma amostra desses objetos para separar a emissão proveniente da região central daquela produzida pelas estrelas das galáxias ao redor.

Galáxias representam cerca de 10% da luz observada

A separação das duas fontes de luz representa um problema porque o centro dos pequenos pontos vermelhos pode ser mais luminoso do que suas próprias galáxias. Para contornar essa limitação, os pesquisadores aplicaram uma modelagem da óptica do James Webb e removeram das imagens a emissão central.

A equipe combinou dados de 217 objetos para detectar a luz das galáxias hospedeiras. Nos comprimentos de onda vermelhos analisados, essas galáxias respondem por aproximadamente 10% da luz total dos pequenos pontos vermelhos. O restante está associado principalmente à região central dos objetos.

As medições também apontam que essas galáxias têm cerca de 40% do tamanho das galáxias normalmente observadas no mesmo período da história cósmica. Em comparação com a Via Láctea atual, elas alcançam aproximadamente 4% de seu tamanho.

Os resultados indicam que a formação dos pequenos pontos vermelhos pode estar ligada a condições que não estavam presentes na maior parte das galáxias existentes naquele estágio do Universo.

Buracos negros podem ter crescido antes das galáxias

A quantidade de luz emitida por uma galáxia em determinados comprimentos de onda permite estimar sua população de estrelas. Estrelas com massa e tamanho inferiores aos do Sol, que estão entre as mais comuns, apresentam temperaturas superficiais menores e concentram parte de sua emissão nos comprimentos de onda ópticos vermelhos e no infravermelho próximo.

Nos pequenos pontos vermelhos, porém, essa medição enfrenta a interferência da luz emitida pela região associada ao buraco negro supermaciço. Após separar essa emissão central, os pesquisadores estimaram a quantidade de estrelas presentes nas galáxias hospedeiras.

Cada uma dessas galáxias possui cerca de 1 bilhão de estrelas, quantidade equivalente a aproximadamente 4% da população estelar estimada para a Via Láctea.

As estimativas disponíveis para a massa dos buracos negros presentes nesses sistemas ainda apresentam variação. Estudos anteriores apontam valores entre 10 milhões e 1 bilhão de vezes a massa do Sol.

Essa relação entre a quantidade de estrelas e a massa dos buracos negros oferece dados sobre a sequência de formação desses sistemas. As medições sugerem que os buracos negros supermaciços podem ter acumulado grande parte de sua massa antes de suas galáxias formarem a maior parcela das estrelas.

A observação fornece elementos para estudos sobre a coevolução de galáxias e buracos negros, processo que busca explicar como essas duas estruturas cresceram ao longo da história do Universo. Os mecanismos responsáveis pela formação e pela evolução dos pequenos pontos vermelhos, no entanto, ainda não foram determinados pelas observações disponíveis.

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