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Sunday, November 1, 2026

As notícias das 10h

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10 da manhã. Jornal das 10, com edição do Vasco Maldonado Correia. Vasco, foi uma noite marcada por uma nova carga policial sobre os manifestantes do Movimento Acampada, em Lisboa e no Porto. O Presidente da República já pediu esclarecimentos ao governo e à Provedoria de Justiça.

Fonte oficial do BE indica ao Observador que o Presidente da República, António José Seguro, solicitou esclarecimentos com todo o detalhe sobre o que foi vivido esta madrugada nessas manifestações pela habitação. A informação foi requerida ao governo e à Provedoria de Justiça, tendo em conta o acompanhamento feito no terreno por parte do mecanismo de prevenção. A PSP voltou a avançar contra os manifestantes. A nova carga policial aconteceu por volta das 4h30 da manhã, em simultâneo, na Praça do Rossio e na Praça Dom João I. A Polícia de Segurança Pública avança que 13 pessoas foram detidas, seis em Lisboa, sete no Porto. Os detidos foram, entretanto, todos libertados. Uma madrugada de muita tensão, com confrontos entre polícia e manifestantes, em que o movimento da Acampada fala em mais de 50 feridos que necessitaram de assistência médica. Alguns deles tiveram mesmo de ser transportados para o hospital.

E o advogado que representa o movimento da Acampada de Lisboa afirma que vai participar criminalmente contra o ministro da Administração Interna e contra o diretor nacional da PSP.

Ricardo Sá Fernandes diz que a carga policial desta madrugada foi desproporcional e ilegal. Acusa, por isso, Luís Neves e Pedro Moura de terem cometido crimes contra os manifestantes.

Estes jovens e outros menos jovens não cometeram nenhum crime. Quem cometeu crimes aqui foi o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e o diretor nacional da PSP, Coelho Moura. E cometeram crimes. Que crimes? Crimes de abuso de poder, porque não tinham o direito de fazer a intervenção que fizeram. Uma intervenção absolutamente desnecessária, desproporcional, ilegal, contra a lei, contra a Constituição. Nós vamos participar criminalmente contra o ministro da Administração Interna e contra o diretor nacional da PSP.

O advogado Ricardo Sá Fernandes, que caracteriza esta carga policial da PSP como inadmissível, pede a ação do presidente da República.

Isto foi uma noite negra na história da democracia portuguesa. Nós, os portugueses, os democratas, não podemos ficar silenciados com esta situação. Eu espero que desta vez o presidente da República tome uma posição enérgica, porque isto põe em causa o funcionamento normal da democracia em Portugal.

Declarações do advogado Ricardo Sá Fernandes, representante legal do Movimento Acampada, esta manhã junto à esquadra do Martim Moniz, local para onde foram levados os manifestantes detidos em Lisboa, esses que entretanto já foram libertados.

Entretanto, Vasco, a PSP reagiu à carga policial sobre os manifestantes pela habitação. A polícia fala ou considera que foi uma operação ou uma ação proporcional.

O porta-voz da Polícia de Segurança Pública reconhece a operação musculada que aconteceu na última noite, mas diz o subintendente Sérgio Soares que esta carga policial foi justificada pela resistência oferecida pelos manifestantes.

Se me pergunta se há algum tipo de uso da força mais extremo, diria que sim, para consumar o nosso avanço para a retirada dos manifestantes. Todavia, a nossa intervenção tentou ser o mais proporcional, adequada e necessária possível para evitar males maiores e para evitar ofensas à integridade física nos manifestantes. Todavia, tivemos que empregar a força física que vocês verificaram, tendo em conta a resistência muito ativa por parte dos manifestantes.

As pessoas concentradas nestas duas praças não acataram a ordem da polícia para a desmobilização. A polícia que fez três avisos aos manifestantes para que desmontassem as tendas e se retirassem do local. Sérgio Soares diz que a PSP tentou até ao limite dialogar e negociar, mas sem sucesso.

Essa via foi esgotada porque também tivemos cerca de três horas, mais ou menos, a tentar dialogar e a negociar com os manifestantes. E quando decidimos intervir, depois de esgotados todos estes momentos e quando verificamos que de facto os manifestantes não iam aceder às nossas solicitações, foi nesse momento que decidimos colocar o corpo de intervenção no terreno.

O porta-voz da PSP, Sérgio Soares, que lembra ainda que 13 agentes da PSP ficaram feridos, tiveram de receber tratamento hospitalar. Falava também da questão da presença de agentes à paisana no Porto. A PSP confirma que um agente à paisana mostrou uma arma de fogo como meio de dissuasão perante agressões dos manifestantes. Foi o momento que gerou tensão natural durante a madrugada na cidade invicta, como nos dá conta o repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia.

Ao contrário do que se verificou na semana passada, os manifestantes reuniram-se na Avenida dos Aliados, até que houve novo momento de tensão, porque enquanto uns manifestantes grafitavam a fachada da Câmara Municipal do Porto, apareceram uns civis que alguns manifestantes identificaram como sendo polícias à paisana, que com bastões extensíveis tentaram impedir esses manifestantes que faziam os grafites e prontamente, também como observou o Observador e como registaram também muitas câmeras no local, um desses civis identificados como sendo um paisana da polícia, pegou numa arma de fogo, numa pistola, e tentou afastar os manifestantes, que entretanto foram na direção desse civil, de outros também que não estavam fardados

Relato do Miguel Pinheiro Correia a partir do Porto. Já em Lisboa a intervenção policial foi mais rápida do que na semana passada, mas desta vez os manifestantes atiraram objetos pirotécnicos contra o corpo de intervenção da PSP. O relato é do jornalista David Biléu.

Uma intervenção muito rápida, muito eficiente. Houve o lançamento de petardos, houve também muita pirotecnia, muito fumo, muita fumarada, principalmente quando as autoridades chegaram aqui junto das tendas que os manifestantes tinham colocado à frente para, de uma certa maneira, tentar impedir ou abrandar o avanço das autoridades. Os manifestantes depois recuaram para a Praça da Figueira, onde alguns deles retiraram as barreiras metálicas que estavam a delimitar o mercado de Natal que está montado. Para além de retirarem as barreiras metálicas e colocarem à frente novamente para impedir o avanço da Polícia de Segurança Pública, também invadiram esse mercado de Natal e acabaram por destruí-lo em grande medida. Depois a Polícia de Segurança Pública voltou a avançar sobre os manifestantes e obrigou-os a ir para a Rua da Madalena, onde estiveram cercados, onde a polícia não permitiu que eles seguissem para o Martim Moniz, como tinha acontecido no sábado passado, e por isso eles depois subiram para a Mouraria, mas muito rapidamente começaram a dispersar. De facto, a situação aqui em Lisboa, os ânimos acalmaram muito rapidamente porque os manifestantes dispersaram também muito rapidamente.

Ânimos mais calmos esta manhã, depois de uma madrugada de confrontos, é o relato do David Biléu a partir de Lisboa, da Praça do Rossio, jornalista da Rádio Observador, que esteve a acompanhar essa ação da PSP durante a madrugada.

Vamos às reações políticas. O antigo secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, volta a deixar duras críticas ao governo e à atuação da PSP.

Pedro Nuno Santos publicou um vídeo no Instagram nas últimas horas em que fala numa operação da Polícia de Segurança Pública inaceitável.

Uma semana depois, as forças de segurança voltam a carregar sobre manifestantes pacíficos em Lisboa e no Porto. Não se passou nada que justificasse mais esta carga policial. As autoridades podiam ter esperado que as manifestações acabassem por desmobilizar espontaneamente, como é óbvio que acabaria por acontecer. Não foi essa a decisão. As autoridades, as forças de segurança, mas com certeza também o governo, optaram, escolheram reprimir pela força o direito ao protesto, o direito à manifestação. Os responsáveis pela desordem nesta madrugada não foram os manifestantes. Foram as forças de segurança e quem lhes deu a orientação para atuarem desta maneira. Por quanto mais tempo vamos permitir que isto continue a acontecer no nosso país? O que é que o governo pensa fazer para acabar com estas cargas policiais?

Pedro Nuno Santos, numa mensagem transmitida nas redes sociais com críticas à atuação da polícia. Não é o único deputado da Assembleia da República com críticas para a intervenção da PSP. Isabel Mendes Lopes, porta-voz do Livre, descreve o que considera ser uma ação antidemocrática da polícia.

É inconcebível. E por isso é que nós estamos aqui mais uma vez e é inconcebível que se repita. Eu não percebo como é que isto pode estar a acontecer. Não percebo como é que algum democrata se revê nisto. Isto não é democrático.

Acha que o presidente da República está acordado a ver isto?

Espero que sim. Espero que o país todo esteja acordado a ver isto, porque já sabia que podia haver esta possibilidade e aparentemente está-se a repetir e espero que todos estejam acordados a ver isto, sim. Espero que o senhor presidente da República também esteja.

O primeiro-ministro também?

Toda a gente. Eu não acredito que o primeiro-ministro não esteja a ver isto atentamente.

Porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, com recados para o primeiro-ministro e também para o presidente da República. A acampada em Lisboa contou com a presença de quatro deputados no local. Assistiram a essa carga policial. Além de Isabel Mendes Lopes, também estiveram no Rossio, Jorge Pinto e Paulo Muacho, do Livre, e ainda Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda.

10 horas e 10 minutos. Vasco, que outras notícias vão marcando a atualidade nesta manhã de domingo?

André Ventura foi reeleito presidente do Chega com 98% dos votos. Era o único candidato à liderança do partido. No discurso de reeleição, o presidente do Chega reeleito aponta para a liderança do governo, diz que quer ser primeiro-ministro e fazer frente a um eventual executivo de bloco central entre PS e PSD. No futebol, o Futebol Clube do Porto só sabe vencer no campeonato. Dez jogos, 10 vitórias. Goleou ontem o último classificado, o Estoril, por quatro bolas a zero no Estádio do Dragão. O Porto soma assim 30 pontos na tabela classificativa, tem mais oito pontos do que o segundo lugar, Benfica, que só entra em campo amanhã nesta jornada frente ao Alverca no Estádio da Luz.

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