ESPN DeportesJayson Tatum y los Celtics cortan rabo y la oreja de los Bulls en casaESPNWNBA Finals Game 5 live updates, analysis and highlightsInquirerBarangay councilor nabbed after ‘shabu’ found at Leyte checkpointInquirer EntertainmentGrace Lee reveals pregnancy with ‘miracle baby’ at 43한겨레이 대통령, 수사·사법 기관 “유권무죄, 무권유죄 불신 해소 중요”ZDF heuteAktuelle Pressemitteilungen des ZDFUOLComo uma bandeira pirata de anime se tornou símbolo de protestos da geração Zالنهارطرابلس تزيل الغشاوة عن جلدها… والدور الآن عليناABC NewsJay-Z announced as Super Bowl LXI halftime show performerCNN TürkGezi için çıktıkları Alanya Kalesi'nde mahsur kalan 3 Rus turist kurtarıldı
The Daily Newsstand · Free, Always
Tuesday, October 27, 2026

APS: crise da habitação resulta de escolhas políticas

Translate

A crise na habitação em Portugal não é inevitável, ao resultar de escolhas políticas, afirmou hoje a direção da Associação Portuguesa de Sociologia (APS).

A estrutura associativa dos sociólogos lembra, em comunicado, que “existe um conjunto alargado de investigações na área da sociologia ao longo do tempo que ajudam a compreender a atual crise habitacional” e “repudia qualquer forma de repressão do direito de manifestação”.

Em consequência, “solicita que os poderes públicos oiçam os problemas colocados pelos/as cidadãos/ãs nos espaços públicos”.

Sobre o problema em si, a APS antecipa que “a crise da habitação existe e está para durar”.

Recorda, a propósito, que a OCDE documenta que, entre 2015 e 2023, os preços das casas cresceram mais rapidamente do que os rendimentos em 27 dos 33 países da OCDE com dados disponíveis, e que Portugal foi um dos três países que verificaram os maiores aumentos do rácio preço/rendimento.

Para mais, segundo o Eurostat, os preços da habitação em Portugal aumentaram 180% entre o 4.º trimestre de 2015 e o de 2025. O INE confirma a forte aceleração recente: em 2025, o Índice de Preços da Habitação aumentou 17,6%, com uma variação homóloga de 18,9% no último trimestre.

Por outro lado, a APS entende que “a crise não pode ser explicada apenas pela falta de casas”.

Como argumenta, “na formação dos preços pesam a valorização do solo, os custos de construção e a intermediação imobiliária”, mas “o problema passa também pela forma como o parque habitacional é usado, regulado e orientado por políticas públicas”.

“Um dado central é que apenas 69% das casas em Portugal são usadas como residência permanente; no Algarve, esse valor desce para cerca de 50%. Ou seja, uma parte muito significativa das habitações não serve como casa principal de quem vive no território”, acrescenta.

Isto “ajuda a perceber a pressão sobre os preços”, diz, explicando que, “quando muitas casas são desviadas para segunda habitação, investimento, imóveis vazios ou usos turísticos, a oferta disponível para residência habitual diminui”.

Desta forma, “há uma correlação forte entre estes usos do parque habitacional e o aumento dos custos da habitação, sobretudo em zonas mais expostas à procura turística e imobiliária”.

A APS invoca ainda os estudos sociológicos de novos modos de habitação, como o alojamento local.

A expansão deste novo modo “alterou a relação entre casa, bairro e mercado, convertendo habitações destinadas à residência em unidades de rendimento turístico”, refere.

Salienta a APS que “esta mudança não é apenas económica”, uma vez que “tem efeitos sociais e urbanos, pois contribui para a substituição de moradores, a instabilidade residencial e a transformação dos centros urbanos em espaços cada vez menos acessíveis para quem neles trabalha e vive”.

No comunicado, a APS realça também “a redução da habitação propriedade do Estado nas últimas três décadas”.

A este propósito, aponta que “no contexto em que o mercado privado se tornou menos acessível, esta diminuição retirou capacidade de intervenção pública direta”, dado que “sem um parque público robusto, o Estado tem menos instrumentos para regular preços, garantir alternativas e responder à emergência habitacional”.

A APS convoca ainda comparações internacionais para defender que “as políticas públicas fazem diferença”.

Como detalha, “países com maior presença de habitação pública, cooperativa ou regulada” oferecem respostas mais estáveis e acessíveis.

“A crise não é inevitável: resulta de escolhas políticas”, nota, considerando que as respostas exigem “uma intervenção articulada aos níveis nacional, regional e municipal“.

Como detalha: enfrentar a crise “exige construir, mas também regular o uso das casas existentes, limitar usos especulativos e reforçar a habitação pública como direito social”.

“Entre as outras questões, importa considerar o alojamento dos estudantes do ensino superior e o desfasamento entre preços da habitação, salários e autonomia dos jovens, incluindo os qualificados”, acrescenta.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.