As crianças génio e os bigodes que caem

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Estamos em setembro, mês de regresso à escola e também aquelas aulas em casa que os pais têm de dar aos filhos quando estão naquela fase de aprender a ler o BA.
BA.
Ou não.
Gustavo.
Que nome é esse?
Gato. Não.
Meu Deus do céu!
Voto. O meu nome é voto.
É não, filho.
Mãe.
O G é Gu. Lembra da garganta. Bora. G com U.
Ju. Está a ficar engraçado.
Não estou acreditando, que eu jurava que tu ias consolidar. Bora de novo.
Tudinho, e teve nisto muito tempo, mas também o menino só tem cinco aninhos. É preciso dar tempo ao tempo, mais uns aninhos e sabe o abecedário de trás para a frente.
Claro.
Qual é a primeira consoante?
Não sei.
Consonante e coisa.
O que é que tu sabes? Não faço a mínima ideia.
A. Errado.
Eu estou em curso de leitor.
O que é que tem a ver, hein?
Sei lá.
A, está errado.
Consonante só ouvi em quarto ano.
A, errado.
O que é isso? Juro que não sei, o que é consoante? Juro por Deus, o que é consoante?
É básico.
No primeiro ano, acho que é a primeira.
De quê? Não estou a perceber.
Não, qual é a primeira consoante?
Do A, B, C, D, E, F, U.
Diz só o que achas que é a primeira consoante.
O que é consoante? É as letras?
Consonante é tudo que não é A, E, I, O, U.
A, B, C, A.
Errado.
Não é A? Consonante acho que não tem nada a ver com letras.
Tira o A, E, I, O, U. O que é que vem em seguida?
Espera, desculpa.
Do alfabeto?
Sim.
A, E, I, O, U.
Errado.
Tu tiraste só faltam todas as vogais.
A, B.
Pedro Bunho.
Que empolgação. Isto é o teste do PISA em direto, ao vivo. É, pois, isto é muito aflitivo. Mas voltando ao beabá, imaginem que em vez de Gustavo, a palavra era ainda mais complicada.
Su.
Já.
Já.
Pronto.
Está bem.
Suja.
Está bem.
Então diz lá agora: suja. Claro! Diz "su".
Su.
Ja.
Ja. Mas isso eu sei dizer.
Agora mais rápido. Suja.
Xuja.
Outra vez.
Suja.
Suja. Pronto!
As calças estão sujas. Suja.
Outra vez, espera. Não é sal xixa, com X, nem com CH. É sal-
É com S. Eu sei
...cixa. Sal.
Sal.
Cixa.
Xixa.
Pronto!
Salsicha. Mas eu digo mal salsicha. Isso nunca ninguém me tinha dito. Salsicha, digo mal?
Suja.
Aí é que não dá. Su.
Ja. Pronto.
A única palavra que eu não sei dizer é sujo.
Mas tu sabes. Tu dizes Su.
Su.
Ju.
Sim, mas ninguém vai dizer assim: "Olhe, venha lavar a camisola porque está suja".
Então, mas eu disse mal? Então, mais vale fazer a pausa do que suju.
Tu nunca disseste.
Suju. Olha, como está suju!
Não foi fácil. Bem, salsicha é coisa que vegetariano normalmente não come, a não ser que seja de tofu ou de vegetais ou seitan. Isto para dizer que às vezes os empregados de restaurante sofrem.
"Ah, você não come carne? Então, mas eu faço uns ovos mexidos com farinheira, pronto, fica feito". "Eu também não como farinheira". "Então e uma omelete? Omelete come. E robalo? Robalo não é carne, robalo pode comer. Grão, come. Come grão? Então pronto, já está. Eu faço-te aqui uma mão de vaca com grão e está despachado. Não, mas mão de vaca não é carne. Não, aquilo é amálgama. Aquilo é como roer as unhas. Você não roe as unhas? É, vá, pronto, é a mesma coisa. Aquilo é gelatinoso, aquilo não é carne. Assim também não é fácil, mas tenho que inventar muito".
Se a minha avozinha fosse viva, diria: "Ai, filha, isto é o fim do mundo".
Pedro coleciona as argolas para abrir as latas de refrigerante. As argolas das latas, tipo .
Ya.
Colecionas isso?
Sim, já faço.
Posso só fazer uma pergunta? Para quê?
Eu tenho a ideia que quando houver o apocalipse, essa vai ser a moeda usada. Por isso já me estou a preparar.
São as novas bitcoins. Por falar no apocalipse, os preços da gasolina estão pela hora da morte. Era preciso alguém que soubesse falar com os governantes ou até fechar-se numa sala, sei lá, com o Donald Trump e dizer-lhe das boas, pessoas à beira do descontrolo, que têm muito, mas mesmo muito para dizer.
Isto assim ainda fica complicado.
Como é que tem mudado muito a vida por causa do aumento dos combustíveis?
Por acaso não, mas uma pessoa, não é? Não convém.
Pois, é isso. Farque as palavras, mas sábias, quase como as que ouvimos na terça-feira no Parlamento quando o assunto foram os combustíveis.
Hoje, na sua intervenção, o primeiro-ministro falou do Portugal feliz. E o PSD parecia tão contente que eu lembrei-me do Nicolau Breyner e do Herman José, do Sr. Feliz e do Sr. Contente. Diga lá à gente como está este país. Exatamente. Sr. Deputado também se lembra. Ó senhor deputado, os senhores deputados podiam pôr um chapéuzinho de coco e um bigodinho, como faziam o Nicolau Breyner e o Herman José, mas no dia em que fosse abastecer e encher o carro à bomba, caía-lhe o bigode e saltava-lhe o chapéu.
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