Veja prints: alunos de Medicina no Paraná enviaram mensagens com referência ao nazismo para atacar estudantes bolsistas após eleição

A UniCesumar, instituição em que os alunos estudam, disse no sábado (31) que adotou medidas disciplinares para punir os alunos envolvidos. Além das expulsões, houve suspensões e advertências, "de acordo com a gravidade das condutas". O g1 questionou quantos estudantes receberam cada uma das punições, mas a universidade respondeu que não vai informar.

Agora no g1
O g1 optou por não identificar os alunos, uma vez que o caso ainda está sendo investigado pelos órgãos responsáveis e pode envolver menores de idade.
As mensagens foram enviadas no domingo (25) em um grupo da turma. Em uma delas, um estudante sugere superioridade em relação aos bolsistas ao comparar quem paga a mensalidade com quem conquistou a vaga por seleção acadêmica de programas sociais.
"Quem paga trabalhou e tem 15 mil [reais] por mês para pagar >>>>>>> Quem passou numa provinha", escreveu um outro estudante.
Mensagens foram enviadas em um grupo com estudantes de medicina — Foto: Arquivo
Mensagens foram enviadas em um grupo com estudantes de medicina — Foto: Arquivo pessoal
Além disso, imagens e expressões associadas ao nazismo também foram compartilhadas nos grupos. Em uma das mensagens, um estudante compartilhou a foto do exército nazista acompanhada de referências ao "leite cru", expressão que se tornou comum entre grupos na internet que defendem a supremacia branca.
Print da conversa de cunho nazista. — Foto: Reprodução
Alunos da instituição abriram uma denúncia no Ministério Público Federal (MPF) depois dos ataques. O órgão confirmou ter recebido a denúncia sobre as mensagens e disse que apura o caso.
'Clima hostil'
Ao g1, um estudante informou que tanto os universitários que fizeram as ofensas quanto aqueles que foram alvos das mensagens não frequentaram a instituição desde que o caso ganhou repercussão.
"É um clima hostil na faculdade, um clima hostil nos grupos, que vai muito além de divergências políticas. Parece que o contexto da eleição foi apenas um pretexto para eles extravasarem o ódio às pessoas mais pobres", disse o estudante, que preferiu não ser identificado.
O que diz a instituição de ensino?
Em nota, a UniCesumar afirmou que adotou medidas disciplinares contra os alunos envolvidos nas mensagens, mas não detalhou quantos estudantes foram atingidos pela decisão. Veja a íntegra:
"A UniCesumar comunica que concluiu no dia 30 de outubro a Sindicância Interna aberta para apuração dos fatos envolvendo mensagens trocadas em grupo de WhatsApp por alunos da Instituição.
A Comissão de Sindicância recomendou e a Reitoria da Unicesumar decidiu pela aplicação de medidas disciplinares em relação aos alunos envolvidos, nos termos do Regimento Interno da universidade.
As medidas disciplinares foram: desligamentos do quadro discente da Instituição, advertências e suspensões, de acordo com a gravidade de cada conduta apurada.
A UniCesumar reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade, o respeito à vida e os valores que orientam a formação de seus estudantes. A Instituição repudia veementemente qualquer forma de discriminação ou preconceito."
O que diz o CRM?
Nota do CRM — Foto: Redes sociais
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou que as atitudes descritas ferem os princípios do Código de Ética do Estudante de Medicina. Confira:
"Tais atitudes ferem diretamente os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, segundo os quais o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, exercendo suas atividades sem discriminação de qualquer natureza.
A escolha pela Medicina exige compromissos humanísticos e humanitários, pautados pela promoção do bem-estar físico, mental e social dos indivíduos e da coletividade. Atitudes discriminatórias são incompatíveis com esses valores e não devem ser toleradas no ambiente de formação médica.
O CRM-PR adotará todas as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições institucionais e acompanhará o desdobramento do caso, contribuindo para que haja uma apuração rigorosa e transparente dos fatos pelas instâncias competentes".
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