LIV Golf chega ao fim após consumir mais de US$ 5 bilhões para desafiar o PGA Tour
O projeto que prometia mudar o golfe mundial com contratos de centenas de milhões de dólares chegou ao fim. O LIV Golf, circuito criado para rivalizar com o tradicional PGA Tour, anunciou nesta quinta-feira, 5, que pretende encerrar suas operações de maneira ordenada. A decisão veio após o fracasso de um acordo de investimento que poderia manter a liga em atividade a partir de 2027.
A tentativa de salvar o torneio dependia da empresa de investimentos BC Partners, que havia sinalizado um aporte de até US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão). O acordo, porém, não avançou. As partes não conseguiram chegar a um consenso sobre os termos da operação, e a proposta de criar uma nova versão da competição, chamada de LIV 2.0, foi abandonada.
O anúncio representa o desfecho de uma crise financeira que se agravou após a saída do Fundo de Investimento Público (PIF), da Arábia Saudita, responsável por financiar o projeto desde sua criação. Segundo a agência Associated Press, o circuito consumiu mais de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 26,7 bilhões) ao longo de sua trajetória.
Por que o LIV Golf chegou ao fim?
O principal motivo foi a retirada do apoio financeiro saudita. Em abril de 2026, o PIF anunciou que não continuaria financiando a liga depois do encerramento da temporada. O fundo justificou a decisão com uma mudança em sua estratégia de investimentos, afirmando que os aportes necessários para manter o circuito não estavam mais alinhados às suas prioridades.
Sem o principal financiador, o LIV Golf buscou investidores para manter a operação. Em setembro, a organização entrou com um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, por meio do mecanismo conhecido como Chapter 11, que permite a reestruturação de empresas sob supervisão da Justiça enquanto elas continuam operando.
Na ocasião, a liga anunciou um acordo preliminar com a BC Partners para viabilizar uma recapitalização e uma nova estrutura de propriedade, com participação majoritária dos próprios jogadores. O PIF também se comprometeu a conceder US$ 49,6 milhões em financiamento emergencial para sustentar as operações durante o processo, sujeito à aprovação judicial.
O plano não foi adiante. A BC Partners considerou insuficiente o apoio dos jogadores para garantir a viabilidade comercial da nova liga. Embora mais de 30 atletas tenham demonstrado interesse em permanecer, a proposta não reuniu o número de nomes considerados necessário pelo investidor. A saída de estrelas como Jon Rahm e Sergio García também enfraqueceu o projeto.
Com o fim das negociações, o LIV Golf informou que passará a trabalhar no encerramento ordenado das atividades, sem descartar a análise de eventuais alternativas que possam gerar valor para seus credores e demais envolvidos.
Como surgiu o LIV Golf?
Fundado em 2021 e lançado no ano seguinte, o LIV Golf nasceu com a ambição de desafiar a hegemonia do PGA Tour, principal circuito profissional de golfe dos Estados Unidos. O projeto ganhou notoriedade ao oferecer contratos milionários para atrair jogadores de destaque, incluindo Phil Mickelson, Dustin Johnson, Brooks Koepka, Bryson DeChambeau e Jon Rahm.
O circuito também apostou em um formato diferente do tradicional: competições individuais e por equipes, com torneios inicialmente disputados em três dias e 54 buracos — referência que inspirou o nome LIV, número romano para 54. A proposta combinava partidas mais curtas, equipes com identidade própria e eventos de entretenimento para atrair novos públicos.
O financiamento saudita permitiu que a liga oferecesse premiações elevadas e bônus de contratação que dificilmente seriam igualados pelos concorrentes. O modelo, contudo, exigia investimentos muito superiores à receita obtida com patrocínios, ingressos e direitos de transmissão.
O que acontecerá com os jogadores e as dívidas do LIV Golf?
O processo de encerramento deixa em aberto o futuro dos atletas que tinham contratos com a liga. Alguns já deixaram o circuito ou manifestaram interesse em retornar a competições tradicionais, enquanto outros precisarão negociar suas próximas etapas profissionais.
A situação financeira também envolve valores expressivos. Documentos apresentados no processo de recuperação judicial apontaram passivos entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, diante de ativos estimados entre US$ 100 milhões e US$ 500 milhões. Entre os credores estão jogadores que aguardavam pagamentos de prêmios e bônus contratuais.
Jon Rahm, por exemplo, aparecia entre os maiores credores individuais, com cerca de US$ 7,5 milhões a receber, segundo os registros judiciais. Bryson DeChambeau também tinha milhões de dólares em valores pendentes.
A liquidação dos ativos deverá definir como as dívidas serão tratadas e quanto poderá ser recuperado pelos credores. O encerramento do LIV Golf, portanto, não significa que todas as obrigações financeiras estejam resolvidas.
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