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Sunday, October 25, 2026

15 chefs de 15 países: caterings com diversidade em Lisboa

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A gastronomia de várias partes do mundo sempre encantou e fez parte da vida de Olívia Bourkel, 33 anos, há cinco em Lisboa. Na capital portuguesa, a francesa que trabalha na gestão de projetos no setor da restauração encontrou uma diversidade de sabores — quase sempre nas mãos de mulheres. “Mas eu via que quem costuma ir aos programas de televisão, aos congressos e quem ganha os prémios são os homens“, lamenta.

Olívia fez então uma lista de boas cozinheiras e decidiu que dar destaque ao trabalho destas mulheres seria o seu trabalho a tempo inteiro. A vontade de fazê-lo já existia, e foi impulsionada após a extinção da startup MamaFood, onde a francesa trabalhava. Naquele projeto criado em Portugal durante a pandemia de Covid-19, cozinheiros podiam vender os pratos típicos dos seus países de origem para pessoas interessadas em experimentar sabores variados num período em que as viagens turísticas não eram recomendadas.

Recém-desempregada e com um portfólio de mulheres talentosas em mãos, a gestora de projetos decidiu dar início em fevereiro de 2023 à We Cheffes, que reúne cozinheiras de várias nacionalidades — todas a viver em Lisboa e arredores. “São mulheres talentosas que não têm acesso a oportunidades. Não é porque não querem, é porque não sabem como, seja pela dificuldade com a língua, por virem de uma cultura patriarcal ou pelos seus diplomas de universidades não serem reconhecidos cá”, diz.

A proposta passa por desenvolver ementas com cada uma das participantes, que podem vender os seus pratos num modelo de catering para eventos. Todas as chefs passam por uma formação de higiene e segurança alimentar e têm atividade aberta para poderem registar as compras de alimentos e os serviços prestados. “A ideia é confecionar comida que chegue a tempo, fresca e saborosa, mas que para além disso, seja feita com amor e promova um impacto positivo na vida das cozinheiras”, diz Olívia. Na carteira de clientes da We Cheffes, afirma Olívia, estão empresas como Cloudflare, Microsoft, os bancos BNP e Santander, as universidades Nova e Católica e a Comissão Europeia. “São empresas dispostas a experimentar novos sabores e que querem mostrar os seus valores de partilha de diversidade cultural através dos fornecedores”, afirma.

Das quinze chefs de cozinha hoje inscritas na We Cheffes, sete conheceram Olívia na antiga empresa. As nacionalidades não se repetem: são quinze cozinheiras (com e sem formação na área) de quinze culinárias distintas. Assim, não é criada uma “concorrência” entre conterrâneas. Ao contrário: Olívia propõe, nos casos de grandes pedidos, misturar por exemplo uma ementa de sabores asiáticos com a ementa africana. “Mas mesmo quando elas estão a cozinhar sozinhas para 100 pessoas, sempre encontram uma solução. Esta força é algo que considero muito feminino. É incrível”.

Sem uma cozinha fixa, a empreendedora diz que as chefs cozinham na própria casa. Há ainda aquelas que alugam espaços ou utilizam cozinhas de restaurantes de amigos e familiares. Sozgin Kartal, de 41 anos de idade e natural da cidade de Mardin, na Turquia, cozinhava apenas para a própria família e amigos próximos. Quando passou também a cozinhar para fora, aproveitou o espaço do restaurante do seu marido no Cais do Sodré. Enquanto os funcionários preparam pizzas para os clientes, Sozgin usa um dos balcões metálicos para criar a sua própria massa de lahmajun, um prato tradicional do Médio Oriente que remete tanto a um kebab quanto a uma pizza em forma de cone.

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