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Friday, September 18, 2026

Hugo Bonèmer sobre viver Marcelo Rubens Paiva no teatro: ‘É uma peça sobre reconstrução’

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À Rolling Stone Brasil, ator comenta o processo para estrelar a adaptação musical de “Feliz Ano Velho”, baseado no livro autobiográfico de Paiva

Beatriz Sandoval

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Hugo Bonèmer fala sobre viver Marcelo Rubens Paiva em adaptação de 'Feliz Ano Velho" (Divulgação)
Hugo Bonèmer fala sobre viver Marcelo Rubens Paiva em adaptação de 'Feliz Ano Velho" (Divulgação)

A partir deste sábado, dia 19 de setembro, a história de Marcelo Rubens Paiva, registrada no livro Feliz Ano Velho e publicado em 1982, vai ganhar os palcos em um novo musical estrelado por Hugo Bonèmer (O Talentoso Ripley).

Com exclusividade à Rolling Stone Brasil, o ator falou sobre o desafio de interpretar o escritor na novidade. Na peça, Bonèmer vive Marcelo desde a juventude até o acidente que o deixou tetraplégico, em 1979.

“Essa é a história de um cara que, de repente, tem o tapete puxado pela vida. Simplesmente todos os sonhos dele, tudo que ele acreditava… Ele sonhava em ser músico, estar no palco, ser um rockstar. E aí a vida vem e fala para ele: ‘Não vai rolar. A partir de agora você não mexe do pescoço para baixo’. Esse cara fica atônito, completamente sem perspectiva. A vida dele vira literalmente uma página em branco e ele vai precisar reconstruir a vida dele a partir disso”, avalia Bonèmer.

Para construir o personagem, o ator buscou pontos de conexão entre sua própria trajetória e a experiência vivida por Marcelo. Segundo ele, a ideia não era imitar o escritor — um pedido feito pelo próprio Marcelo — e, portanto, o processo envolveu identificar momentos em que precisou lidar com mudanças inesperadas nos planos e ressignificar as próprias experiências.

“Eu fico me perguntando quais são os momentos da minha vida em que eu consigo chegar mais próximo da experiência do Marcelo. É pensar naqueles momentos em que a vida falou para mim: ‘Esquece, não vai ser desse jeito que você sonhou. Isso que você planejou não vai acontecer. Vai ser de outro jeito. Se vira’. E aí você pega aquela energia e precisa ressignificar”, completa.

Durante o processo de construção, Bonèmer também encontrou uma conexão pessoal com Marcelo: a relação com o pai, Rubens Paiva, que desapareceu durante a Ditadura Militar e teve a sua história contada no filme Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles (Central do Brasil), que rendeu o primeiro Oscar do Brasil em 2025.

O ator, por sua vez, perdeu o pai durante a pandemia de coronavírus e a experiência também atravessoou o seu trabalho ao interpretar o escritor: “Perdi meu pai durante o Covid e foi um enterro de caixão fechado. Então eu vi meu pai um dia no hospital e, no outro dia, meu pai não estava mais lá. Essa sensação me atravessa o tempo todo”, declara.

Apesar do drama envoolvendo a tragédia que acometeu MarceloBonèmer garante que a peça não é apenas sobre superação, mas “sobre reconstrução”: “O Marcelo sonhava em ser um cara da música e estar no palco cantando para as pessoas. Então pegar a primeira peça que ele escreveu, trazer para o palco, colocar música e colocar em cena, ele podendo vivo ver a realização do sonho dele, de quem ele sonhava em ser naquela juventude, naquele momento, é tudo muito especial. Eu me sinto muito honrado de fazer isso”, celebra.

SERVIÇO:

Feliz Ano Velho – O Musical

  • Local: Teatro Sabesp Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569, 7º andar, Consolação, São Paulo – SP)
  • Temporada: 19 de setembro a 22 de novembro de 2026
  • Horários: sexta-feira, às 20h | sábado, às 17h e às 20h | domingo, às 15h e às 18h
  • Classificação indicativa: 14 anos
  • Ingressos: de R$ 50 a R$ 120
  • Vendas: Uhuu, com taxa de serviço, ou bilheteria física do Teatro Sabesp Frei Caneca, sem taxa. A bilheteria funciona de terça a domingo, das 12h às 15h e das 16h às 19h.

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Beatriz Sandoval

Paulistana e estudante de Jornalismo na Universidade de São Paulo, Beatriz escreve sobre cinema, séries e música na Rolling Stone Brasil. Tem na literatura e no design dois de seus grandes hobbies e acredita que ir ao cinema sempre pede um balde pipoca na mão.

TAGS: feliz ano velho, Hugo Bonemer, marcelo rubens paiva, teatro
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