Ele ganhou um MBA em uma premiação e pulou dois cargos: 'Com certeza ajudou'
Quando uma empresa de fibra óptica decide entrar em uma nova cidade, a conta começa alta. Lucas Fam descreve o movimento a partir do que viveu: o investimento chega a muitos milhões de reais, exige captação de dívida, no caso uma debênture, e só se sustenta se houver clientes comprometidos com a operação. "A gente precisava de um compromisso com os clientes para poder arcar com as dívidas que pegou com os bancos", diz.
Equações como essa ocupam a rotina de Fam, gerente de FP&A (planejamento e análise financeira) da Ability Tecnologia, empresa de telecom que atua com fibra óptica.
Formado em administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV), ele passou pelo Pravaler, de crédito estudantil, e pela FiBrasil, de rede de fibra. Seis meses depois de concluir o MBA Executivo em Finanças da Saint Paul, foi contratado em um cargo que, segundo ele, pulou duas etapas da hierarquia tradicional.
Startups com acionistas de peso
A trajetória começou na Anima Educação, em 2017, e seguiu pela AGR Consultores e pela Hidrotérmica. O padrão se firmou depois: empresas jovens, com grandes grupos por trás. No Pravaler, o Itaú estava entre os principais acionistas. Na FiBrasil, a Vivo.
"Eram empresas pequenas em que você tinha que botar muito a mão na massa. Não tinha um trabalho fixo, uma rotina", diz. Embora seus cargos sempre tenham sido de FP&A ou de projetos estratégicos, ele afirma ter atuado em praticamente todas as frentes financeiras.
"Hoje eu me considero praticamente um profissional completo, no sentido de conseguir entender quase todas as áreas de finanças. Ainda tenho muito a aprender", fala.
O que muda de um setor para outro
Para Fam, a base do trabalho não muda com o setor. "No fim das contas, o que permanece igual é sempre a análise de resultados. Você sempre tem que entender as diferenças de KPIs entre o que você projetou e o que está sendo realizado", conta.
O que muda são os indicadores. Em infraestrutura de telecom, pesa a produtividade: quanto do custo fixo e das obras a empresa consegue converter em receita, já em educação, a lógica passa por encher a sala de aula e aproveitar o espaço físico, uma operação que ele considera mais variável.
O MBA Executivo em Finanças da Saint Paul, cursado por Lucas Fam, prepara executivos para decisões com impacto direto no crescimento e na sustentabilidade do negócio. Conheça o programa
Traduzir números para investidores
No Pravaler, onde ficou de 2020 a 2022, Fam acumulou tesouraria e relações com investidores. A primeira função era técnica. A segunda exigia comunicação. Ele diz que a combinação veio do hábito de fazer de tudo em startups.
"Você vai pegar um mundo bem complicado, que nem todo mundo entende, e tem que tentar traduzir do jeito mais simples possível para as outras pessoas poderem entender", diz. "Foi um processo natural pegar uma parte mais técnica e transformar em algo mais demonstrativo para os acionistas e credores da companhia."
Contratos que dão previsibilidade
A ida para a fibra óptica trouxe um tipo de decisão que ele não via no crédito estudantil. Em telecom, o principal investimento é a expansão para novas cidades e novos espaços, com ativo fixo elevado. No Pravaler, cada produto correspondia a um aluno, sem um investimento inicial dessa escala.
Por isso, segundo Fam, o centro do trabalho em infraestrutura está na negociação. "O principal é você saber negociar muito bem os contratos para conseguir, de alguma forma, uma receita fixa para algo que seria variável", diz.
O contrato, na avaliação dele, precisa ser benéfico para ambas as partes e garantir alguma receita que permita honrar o investimento.
O MBA e o salto de cargo
O MBA chegou por uma premiação. Ainda no Pravaler, a alta gestão recomendou que ele e dois colegas participassem da disputa. O grupo venceu, e um dos prêmios foi o MBA Executivo em Finanças da Saint Paul. "Eu já conhecia e já queria fazer a Saint Paul", diz. O curso, segundo ele, foi um dos motivos para participar.
Seis meses depois de concluir o programa, foi procurado pela FiBrasil para a vaga de especialista de projetos estratégicos. Pela progressão usual, depois de analista sênior viriam consultor ou coordenador, e só então especialista. Em março de 2025, foi promovido a gerente e, em 2026, assumiu a mesma função na Ability Tecnologia.
"Eu meio que pulei de dois a três cargos em dois a três anos"Lucas Fam, Gerente de FP&A da Ability Tecnologia
Ele afirma que quase todo o conteúdo do MBA já havia sido visto na graduação, mas com outro olhar, agora de quem aplicava finanças no dia a dia. A exceção foi estatística. "Era algo muito difícil para mim na faculdade, mas, depois que comecei a trabalhar, rever o tema foi muito bom", diz.
Ele cita o value at risk, métrica que estima a perda potencial de uma carteira, como um dos conceitos que reaprendeu e aprimorou. Usou o conteúdo no trabalho e, numa prova do curso baseada em um caso fictício, partiu da própria experiência profissional para responder.
Perguntado se o MBA explica a ascensão, Fam responde como quem compara o projetado com o realizado. "É difícil saber se esse foi o motivo. Pode ter correlação. Com certeza ajudou, mas não consigo mensurar o quanto", finaliza.
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