Nicarágua: reinventando o jornalismo no exílio

Depois de 2021, desencadeou uma feroz campanha de perseguição contra a sociedade civil, incluindo a Igreja Católica, e fechou mais de 5.500 organizações da sociedade civil, entre elas universidades privadas, centros de pesquisa, associações médicas, organizações empresariais e até as Missionárias da Caridade, fundadas por Madre Teresa de Calcutá.
Segundo o Índice Mundial de Liberdade de Imprensa dos Repórteres Sem Fronteiras, em 2026 a Nicarágua ocupa a última posição na América Latina e a 168ª entre 180 países no mundo em liberdade de imprensa, em comparação com Cuba, na 160ª posição, Venezuela, na 159ª, e El Salvador, na 143ª. Mais de 200 jornalistas, além de redações inteiras, foram forçados ao exílio permanente para preservar sua liberdade e continuar exercendo o jornalismo. A boa notícia é que, apesar da perseguição política à imprensa, o jornalismo independente no exílio está superando a censura na Nicarágua.
Apesar dos bloqueios da internet e da criminalização da liberdade de expressão, o Confidencial e outros veículos digitais nicaraguenses que operam a partir da Costa Rica, dos Estados Unidos, da Espanha e de outros países continuam alcançando 50% de nossa audiência dentro da Nicarágua.
No entanto, exercer o jornalismo no exílio exige que superemos três grandes desafios: primeiro, proteger nossas fontes e colaboradores por meio de canais seguros de comunicação; segundo, realizar esforços extraordinários de verificação para fornecer informações confiáveis sem ter jornalistas em campo; e terceiro, e não menos importante, garantir a sustentabilidade financeira de nossas redações nas condições mais adversas e desafiadoras.
Ao longo destes últimos cinco anos no exílio, o Confidencial investigou dezenas de casos emblemáticos de corrupção pública, captura do Estado, violações dos direitos humanos e desmantelamento da democracia:
- "A rede de empresas privadas da família Ortega-Murillo sob proteção do Estado", "O laranja por trás da compra da Disnorte e da Dissur", "Credicoop: o caixa dois do regime" e "O negócio de entrega de encomendas do neto dos ditadores".
- "A máquina do exílio, da apatridia e dos crimes contra a humanidade", "A perseguição à Igreja Católica e o confisco de 39 propriedades da Igreja".
- O interminável "expurgo" de Rosario Murillo para decapitar o "sandinismo histórico" e prender operadores leais a Daniel Ortega.
- "Os círculos de poder de Daniel Ortega" e "Os novos operadores de poder de Rosario Murillo".
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