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Friday, October 2, 2026

De olho no caixa, MRV zera ativos da Luggo e acelera desinvestimentos fora do país

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A MRV&CO colocou mais um ativo na esteira de desinvestimentos que vem usando para reduzir a estrutura e reforçar o caixa do grupo. A companhia concluiu a venda de três empreendimentos da Luggo, sua subsidiária de imóveis residenciais para locação, por R$ 166 milhões. Desse total, R$ 144 milhões entram no caixa agora, enquanto o restante será recebido conforme a venda dos ativos pelo comprador ou em até sete anos.

A operação também marca o fim de uma fase da Luggo. Com a venda, a subsidiária fica sem empreendimentos prontos ou em construção e encerra o que a MRV chama de “safra antiga” da operação.

A Luggo, porém, não deixa de existir. A companhia continua responsável pela gestão de ativos e poderá voltar a desenvolver projetos no futuro. A estratégia anunciada pela MRV é que novos empreendimentos só sejam lançados depois da reciclagem dos ativos atuais, em um cenário em que os juros elevados tornam mais caro manter capital imobilizado em projetos de locação residencial.

A operação concluída agora é resultado de um processo que começou em julho, quando a MRV anunciou um memorando para vender os três ativos. O movimento é particularmente relevante porque a operação de locação foi criada justamente para desenvolver projetos built-to-rent, construídos desde a origem para serem alugados.

O portfólio negociado reúne o Luggo Pampulha, com 118 unidades, o Luggo Mauá, com 119, e o Luggo Samambaia, com 200. Juntos, os empreendimentos somam 437 unidades. Na ocasião do anúncio, a companhia estimou que a operação poderia reduzir em 7,5% a dívida líquida consolidada da MRV&CO.

A decisão de reciclar esse portfólio ocorre em um momento de juros elevados. No último balanço, a MRV afirmou que, diante do cenário atual, não teria outros empreendimentos prontos ou em construção na Luggo.

A estratégia de vender os ativos da Luggo não começou agora. Em 2019, os primeiros empreendimentos da subsidiária foram vendidos para o LUGG11, fundo imobiliário administrado pelo Inter e criado para investir nos ativos da plataforma.

Na época, a operação envolveu quatro empreendimentos, totalizando 452 unidades. A captação chegou a R$ 90 milhões, com 100% de adesão durante o período de reserva.

Dois anos depois, a MRV ampliou a estratégia. Em dezembro de 2021, assinou um acordo com um veículo da Brookfield Asset Management para vender empreendimentos da Luggo que somavam R$ 1,26 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV) e cerca de 5.100 unidades.

O acordo foi estruturado em três fases, de acordo com a maturidade dos projetos. A primeira venda dentro desse acordo envolveu os empreendimentos Luggo Cabral, em Contagem (MG), e Luggo Piqueri, em São Paulo. A operação tinha VGV de R$ 106 milhões, recebimento líquido de R$ 56 milhões e lucro bruto de R$ 30 milhões.

Resia segue o mesmo caminho nos EUA

A reciclagem de ativos da Luggo faz parte de uma estratégia maior da MRV&CO para reduzir a estrutura do grupo e desalavancar o balanço.

Nos Estados Unidos, a Resia, subsidiária da companhia voltada ao mercado multifamily, também acelerou a venda de empreendimentos e terrenos.

Em 2026, a Resia já anunciou cerca de US$ 401 milhões em alienações, equivalentes a aproximadamente R$ 2,05 bilhões. As operações devem contribuir para uma redução de cerca de US$ 290 milhões na dívida líquida da holding, ou aproximadfamente R$ 1,5 bilhão.

Entre as vendas estão os empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, no Texas, negociados por US$ 139 milhões, e o projeto Memorial, em Atlanta, além de cinco terrenos.

A estratégia americana segue uma decisão anunciada anteriormente pela companhia de vender até US$ 800 milhões em ativos até o fim de 2026. Com a conclusão dessas alienações, a MRV&CO pretende encerrar completamente suas operações nos Estados Unidos.

O plano é reduzir dívida e capital empregado

A venda da Luggo e os desinvestimentos da Resia fazem parte de uma estratégia mais ampla de redução do endividamento e simplificação da estrutura da MRV&CO.

Segundo os dados apresentados pela companhia, o conjunto das vendas de ativos anunciadas pode reduzir a dívida líquida consolidada em aproximadamente R$ 1,7 bilhão, ou 28%, levando o indicador de R$ 6,3 bilhões no fim de 2025 para cerca de R$ 4,6 bilhões.

Ao mesmo tempo, a MRV tenta aumentar a geração de caixa da operação principal no Brasil. No segundo trimestre de 2026, a margem bruta da incorporação chegou a 31,2%, com expectativa de convergência para cerca de 35%, patamar das novas vendas.

A companhia também vem reduzindo a necessidade de desembolso para aquisição de terrenos. No segundo trimestre, 93% do landbank adquirido foi via permuta, enquanto a empresa estima uma redução de aproximadamente R$ 200 milhões por ano no estoque pago de terrenos. O objetivo é fazer com que a operação brasileira de incorporação gere mais caixa e dependa menos de capital imobilizado.

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