EXCLUSIVO: Felipe Andreoli mira mercado bilionário com estúdio que leva o esporte para além do jogo
RESUMO +
O apresentador Felipe Andreoli e a empresária Gabi Brites lançam em outubro o estúdio de entretenimento esportivo Ladybird Sports, em sociedade com a A300, unidade de negócios do Grupo O2. Com operações em São Paulo, Lisboa e Los Angeles, a empresa prevê investimentos iniciais de cerca de R$ 100 milhões, segundo Brites, e prepara dois projetos com estrelas internacionais do esporte.
“O que um atleta faz logo depois de cruzar a linha de chegada?
Essa é uma das perguntas que o apresentador Felipe Andreoli e sua cunhada, a empresária Gabi Brites, encaram com frequência. Para esclarecer essa e outras tantas curiosidades dos bastidores dos esportes direto nas telas, a dupla lança outubro a Ladybird Sports. Em sociedade com a A300, unidade de negócios do Grupo O2, o estúdo de entretenimento esportivo chega ao mercado com a proposta de transformar histórias desse universo em filmes, séries, documentários e outros formatos audiovisuais.
A empresa nasce com operação em São Paulo, Lisboa e Los Angeles e dois projetos em desenvolvimento com estrelas internacionais do esporte. Segundo Brites, co-fundadora da companhia, a proposta é ter investimentos iniciais na ordem de R$ 100 milhões para os primeiros projetos.
A aposta é explorar narrativas que ultrapassem os resultados das competições, com histórias sobre trajetórias de atletas, relações, conflitos e transformações presentes no esporte. Entre os projetos estão uma série de ficção e um programa de variedades e humor.
Diferentemente de uma produtora voltada apenas à realização de trabalhos sob encomenda, a Ladybird Sports pretende desenvolver propriedades intelectuais (IPs) próprias. São projetos cujos direitos podem ser explorados comercialmente em diferentes plataformas e formatos, em parceria com marcas, canais, serviços de streaming, atletas e criadores de conteúdo.
“A gente tem as ideias, desenvolve e produz. Faz o ciclo inteiro”, afirma Gabi Brites, em entrevista à EXAME.
Como nasceu a Ladybird Sports?

Gabi Brites e Felipe Andreoli anunciam o lançamento de LadyBird. (Kiko Ferrite/Divulgação)
A iniciativa reúne a experiência de Gabi Brites na criação e direção audiovisual com a trajetória de Andreoli no jornalismo esportivo e sua rede de contatos com atletas, clubes, entidades e marcas.
O projeto também parte de uma operação anterior: a produtora LadyBird, criada por Brites com foco em ampliar a participação de profissionais e narrativas que encontravam menos espaço no mercado audiovisual. A A300 já era sócia dessa empresa quando a proposta de um estúdio dedicado ao entretenimento esportivo foi apresentada.
Brites e Andreoli são cunhados e contam que a ideia nasceu de conversas sobre cinema, séries e esporte. Depois de trabalharem juntos, decidiram transformar essa troca em um negócio.
A entrada da A300 na nova sociedade acrescentou estrutura de produção, experiência em entretenimento e relações comerciais com canais e plataformas. Para os fundadores, essa combinação permite aproximar a criação de uma história dos parceiros necessários para viabilizá-la.
“A Ladybird Sports vem para preencher um vácuo precioso no portfólio do Grupo O2: o do conteúdo esportivo”, afirma Guto Gontijo, produtor executivo da A300 e da O2 Filmes.
Para Andrea Barata, sócia-fundadora da A300 e da O2 Filmes, a iniciativa amplia as possibilidades de exploração de histórias relacionadas ao esporte.
“Acreditamos que o esporte tem um universo enorme de histórias que podem ser contadas por novos ângulos. Para além dos resultados e das competições, existem personagens, emoções e trajetórias capazes de criar conexões muito fortes com o público”, afirma.
Uma história, vários caminhos de negócio
O modelo prevê que financiamento, criação e distribuição sejam discutidos desde as primeiras etapas de cada projeto. A empresa poderá desenvolver uma produção diretamente para uma plataforma, captar recursos com marcas, compartilhar direitos com um atleta ou financiar um conteúdo para depois licenciá-lo.
Uma das possibilidades é utilizar o investimento de uma marca para viabilizar uma produção e negociar sua distribuição com um canal ou serviço de streaming. Outra é desenvolver uma propriedade intelectual em sociedade com parceiros que contribuam com recursos, acesso a personagens ou capacidade de alcançar o público.
“A gente cria, desenvolve e produz diretamente para os canais e também desenvolve propriedade intelectual para as marcas. O dinheiro das marcas financia o projeto, que licenciamos para os canais. Acho que a novidade é esse apagamento das fronteiras entre de onde vem o dinheiro e de onde vem a distribuição. Essas fronteiras podem ser reinventadas com nossa expertise publicitária", detalha Gabi Brites.
A divisão dos direitos será definida caso a caso. Uma marca poderá contratar a criação e ficar com a propriedade intelectual, enquanto outros projetos poderão ter direitos compartilhados entre o estúdio e seus parceiros. Segundo Brites, o desenho depende da contribuição de cada participante e das condições negociadas.
A empresa também poderá vender integralmente um projeto. A estratégia, porém, é manter participação em propriedades intelectuais com potencial de gerar novos negócios."
Segundo Julia Casali, diretora de negócios da Ladybird Sports, algumas ideias já são desenvolvidas com possibilidades de séries derivadas, os chamados spin-offs, e licenciamento de marca antes mesmo da estreia.
Nesse modelo, a produção inicial pode dar origem a outros conteúdos e formas de exploração comercial. A intenção é considerar esses desdobramentos durante a criação, em vez de discuti-los apenas depois de um eventual sucesso de audiência.
"O mercado brasileiro está muito acostumado ao modelo em que um canal ou uma plataforma de streaming encomenda um projeto, ou a produtora desenvolve ideias e as oferece. Nesses casos, muitos canais também querem comprar a propriedade intelectual e se tornar donos do projeto. A Gabi já criou projetos com ideias tão valiosas que, antes mesmo de nascerem, podem ter possibilidades de spin-offs e licenciamento de marca previstas na concepção. Não é uma questão de esperar fazer sucesso para pensar nos próximos passos", explica a executiva.
As possibilidades de circulação dos conteúdos também dependerão dos acordos com os distribuidores. Brites ressalta que cada canal e plataforma tem suas próprias políticas, o que exige negociar por etapas os direitos e os usos de cada produção.
Relação de ganha-ganha
Para as marcas, a proposta é ampliar a atuação no esporte para além da compra de espaços publicitários e da exposição de logotipos. A empresa pretende desenvolver histórias relacionadas aos públicos e aos temas com os quais cada parceiro deseja se conectar.
Isso pode significar participar da criação de uma série, compartilhar sua propriedade intelectual ou financiar um conteúdo com distribuição em diferentes plataformas. A expectativa é que a relação com o público continue após uma campanha ou um lançamento específico.
Casali afirma que o objetivo é ajudar as marcas a construir comunidades em torno desses conteúdos. Em sua avaliação, essa aproximação também pode permitir que as empresas compreendam melhor os interesses dos consumidores.
“As novas formas de consumo de entretenimento, com a internet e outras possibilidades que não existiam antes, criam um contexto em que as marcas podem construir comunidades. Em vez de buscar novos clientes a cada lançamento, podem ouvir essas pessoas e desenvolver produtos e serviços que elas queiram", afirma a diretora de negócios da LadyBird. "Para nós, o entretenimento é o melhor canal para fazer isso. Queremos atuar nessa via de mão dupla: olhar o que acontece na cultura e trazer isso para um projeto, ou criar um projeto que gere impacto para uma marca.”
Para a executiva, esse modelo de negócios permite mapear diferentes territórios onde as marcas podem se lançar. E desse modo, a LadyBird entra em cena com conteúdos customizados. “Se identificamos, por exemplo, que o público de uma marca está no skate, podemos desenvolver uma série de ficção ligada a esse universo.
A participação comercial, contudo, deverá respeitar a narrativa. Para os fundadores, a exposição de uma marca precisa fazer sentido dentro da história, sem interromper a experiência do espectador.
"Essa é uma preocupação particularmente importante no esporte, onde a relação do público com atletas, clubes e modalidades envolve identificação e paixão. Uma inserção publicitária deslocada pode provocar rejeição em vez de aproximar o consumidor", explica Felipe Andreoli. "O grande esforço que é encontrar parceiros que não subestimem a inteligência do espectador”, afirma.
Quais são os primeiros projetos?
A Ladybird Sports prepara uma série de ficção sobre racismo no esporte e um programa de variedades e humor com viagens internacionais. Segundo Gabi Brites, os dois projetos envolvem estrelas globais do universo esportivo, cujos nomes não foram divulgados por compromissos de confidencialidade.
A proposta da série é combinar uma narrativa ficcional com a participação de um nome capaz de ampliar o alcance internacional do tema. Brites afirma que a negociação prevê compartilhar a propriedade intelectual com esse parceiro.
Já o programa de variedades pretende acompanhar uma figura conhecida do esporte em situações fora de seu ambiente habitual de competição.
Segundo a fundadora, o diretor Fernando Coimbra está envolvido em um dos projetos. A empresa também trabalha no desenvolvimento de formatos como reality shows e documentários.
A escolha das produções não seguirá uma única modalidade esportiva. Andreoli reconhece que o futebol oferece maior potencial de alcance no Brasil, mas afirma que a prioridade será a história ou o formato que possa ser construído a partir dela.
“Ou a gente trabalha em um projeto com base em uma temática que já foi discutida, mas ninguém fez desse jeito, ou juntamos elementos que ninguém espera, ou talvez contar aquela história que o público não conhecia”, diz.
Qual será o papel de Felipe Andreoli na empresa?

Gabi Brites e Felipe Andreoli anunciam o lançamento de LadyBird. (Kiko Ferrite/Divulgação)
Com mais de 25 anos de atuação na cobertura esportiva, Felipe Andreoli participará da identificação de personagens, da criação de projetos e da aproximação com atletas e profissionais que trabalham nos bastidores do esporte.
Sua atuação também inclui as relações construídas com marcas ao longo da carreira. A proposta é usar sua rede de contatos para facilitar o acesso a personagens e parceiros comerciais, enquanto Gabi Brites participa do desenvolvimento criativo e da direção das produções.
Os sócios ressaltam, porém, que essas funções se cruzam: ambos contribuirão com ideias e com o desenvolvimento dos conteúdos.
Andreoli também poderá aparecer diante das câmeras quando considerar que sua participação acrescenta ao projeto. A tendência, segundo ele, é ampliar sua atuação nos bastidores.
“Vou continuar usando a minha parte na frente da tela quando achar que tem a ver, que posso fazer bem e acrescentar. Mas a tendência é cada vez mais estar atrás da tela, nos bastidores, fazendo essas conexões e essas histórias acontecerem”, afirma.
O apresentador conta que já tinha ideias de produções, mas encontrava dificuldades para reunir os parceiros necessários para executá-las. A sociedade busca aproximar essas etapas, reunindo criação, acesso aos personagens, produção e negociação comercial.
Consumo de conteúdo esportivo impulsiona mercado de streaming
Ao redor do mundo, o mercado de streaming de vídeo movimentou US$ 143,2 bilhões em 2025, ante US$ 130,3 bilhões em 2024, o que representa crescimento de cerca de 9,9% no ano, segundo a PwC. A consultoria também aponta que o Brasil já representa 36% de toda a receita das empresas de entretenimento e mídia na América Latina e ocupa a 11ª posição no ranking global do setor.
A chegada da LadyBird ocorre em um cenário de expansão do consumo de conteúdo esportivo em plataformas digitais. Segundo dados da Comscore, 39% das pessoas com TV conectada no Brasil contrataram algum serviço de streaming por causa do esporte. Entre esse público, 66% assistem a conteúdos esportivos nesse ambiente.
O levantamento também aponta que, entre 2020 e 2025, o interesse médio dos brasileiros conectados por mais de 30 modalidades esportivas cresceu 19%. Entre as mulheres, o avanço foi de 25%.
Esse cenário faz parte da aposta comercial da Ladybird Sports. Os fundadores enxergam espaço para produções que aproveitem o interesse pelas competições, mas ampliem o olhar para personagens e situações menos explorados.
Segundo Gabi Brites, os criadores de conteúdo poderão participar tanto do desenvolvimento quanto da distribuição dos projetos, levando sua experiência em determinados temas e suas próprias audiências para as parcerias.
“Quando começarmos a apresentar nossos projetos, a expectativa é que outras pessoas olhem e digam: ‘Quero trabalhar com eles’. Queremos fazer a roda girar dessa maneira, também com parcerias com criadores de conteúdo e pessoas que tenham conhecimento em suas áreas e tragam suas próprias audiências. A expectativa é grande.”
Conexão das Américas à Europa
A operação internacional faz parte da estrutura da Ladybird Sports desde sua criação. Cada mercado terá um papel na identificação de parceiros, no desenvolvimento de conteúdos e nas oportunidades de distribuição.
Em Los Angeles, Mariana Quintanilha será responsável pela estratégia e pelo mercado americano. A presença na cidade busca aproximar o estúdio de empresas de entretenimento, plataformas e marcas com atuação global, além de acompanhar mudanças no consumo e na produção audiovisual.
“Não queremos criar histórias brasileiras para depois descobrir se elas podem viajar. Queremos pensar globalmente desde a origem”, afirma Quintanilha, Head of Strategy and US Market da companhia.
Em Lisboa, a operação conta com o executivo Vítor Lemos. A capital portuguesa será uma ponte para outros mercados europeus, tanto para desenvolver projetos quanto para estabelecer parcerias de produção.
Gabi Brites afirma que a atuação internacional também amplia as possibilidades financeiras da empresa, como contratar projetos em euros e realizar parte da produção no Brasil, com custos em reais. “Muito bom fechar uma coisa em euro e produzir em reais”, brinca.
A estratégia inclui ainda negociar relações recorrentes com parceiros, nas quais o estúdio possa assumir a criação e a produção de um conjunto de conteúdos ao longo de determinado período. Essas possibilidades estão em discussão e não foram apresentadas como contratos fechados.
Como os grandes eventos esportivos entram na estratégia?
A Copa do Mundo Feminina de 2027 e os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, já estão no radar da empresa. Para Andreoli, o potencial desses eventos está tanto nas competições quanto nas trajetórias dos atletas antes e depois delas.
A ideia é identificar histórias que possam ser desenvolvidas em parceria com atletas, marcas, canais ou entidades esportivas. A meta é que a operação em Los Angeles ajude nessa aproximação.
“Mais do que os jogos em si, vejo uma possibilidade imensa nas histórias. Se o Brasil levar, por exemplo, 300 atletas às Olimpíadas, teremos 300 histórias ali. Talvez não sejam todas incríveis, mas certamente podemos encontrar algo impactante, seja para o próprio atleta ou para uma marca”, afirma.
Entre os caminhos estão os bastidores da preparação, os efeitos de uma vitória ou derrota e experiências que o público não costuma acompanhar nas transmissões. O acesso a essas histórias poderá ocorrer tanto por registros audiovisuais quanto pelos relatos dos próprios personagens.
"Isso também vem da minha curiosidade como jornalista e como alguém que gosta de esporte. O que o atleta faz logo depois que termina uma prova? Vai para o antidoping? Vai para o vestiário e chora? Há situações às quais podemos ter acesso e outras às quais não podemos. Mas, às vezes, o acesso está no depoimento, naquilo que as pessoas contam".
Uma das referências para Andreoli é a série antológica "Untold", da Netflix. Criada por Chapman Way e Maclain Way, o documentário mergulha em histórias épicas, pouco conhecidas e de alto risco do mundo dos esportes, apresentando relatos em primeira pessoa diretamente dos atletas, treinadores e figuras-chave que as vivenciaram.
"Parte do nosso desafio será descobrir os caminhos na prática. Trabalhar com um streaming, uma marca ou um atleta envolve experiências diferentes. Vamos aprender com cada uma e abrir esses caminhos. É um desafio de que gosto. Estamos de olho nos grandes eventos para tentar ir além do óbvio. O óbvio também pode ser bom, mas há muitas outras histórias interessantes para contar.”
'Perguntas frequentes'
O que é a Ladybird Sports? +
A Ladybird Sports é um estúdio de entretenimento esportivo criado por Felipe Andreoli e Gabi Brites em sociedade com a A300, unidade de negócios do Grupo O2. A empresa desenvolverá filmes, séries, documentários e outros formatos audiovisuais sobre histórias ligadas ao esporte.
Quanto a Ladybird Sports pretende investir em seus primeiros projetos? +
A Ladybird Sports prevê investimentos iniciais de cerca de R$ 100 milhões nos primeiros projetos, segundo Gabi Brites, cofundadora da empresa.
Quais são os primeiros projetos da Ladybird Sports? +
A Ladybird Sports prepara uma série de ficção sobre racismo no esporte e um programa de variedades e humor com viagens internacionais. Segundo Gabi Brites, os projetos envolvem estrelas globais do esporte, cujos nomes não foram divulgados por compromissos de confidencialidade.
Como funciona o modelo de negócios da Ladybird Sports? +
Qual será o papel de Felipe Andreoli na Ladybird Sports? +
Felipe Andreoli participará da identificação de personagens, da criação de projetos e da aproximação com atletas, marcas e profissionais dos bastidores do esporte. O apresentador também poderá aparecer diante das câmeras, mas afirma que a tendência é ampliar sua atuação nos bastidores.
Onde a Ladybird Sports terá operações? +
A Ladybird Sports terá operações em São Paulo, Lisboa e Los Angeles. A presença internacional deverá apoiar a busca por parceiros, o desenvolvimento de conteúdos e as oportunidades de distribuição nos mercados americano e europeu.
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