2h. Manifestação. Pedro Duarte recusa ir à Praça D. João I
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Duas horas. As notícias com Hugo Fortunato de Oliveira.
Muito boa noite. Duas da manhã, há uma hora e 30 minutos que os protestos pela habitação no Porto e em Lisboa estão ilegais. A hora limite era à meia-noite e meia. Tanto na capital como na Invicta, os manifestantes não tencionam desmobilizar. No Rossio, o ambiente está mais calmo a esta hora, depois de apenas algumas movimentações da Polícia Municipal para retirar baias de segurança. Já no Porto, a polícia falou com os manifestantes. Vamos agora em direto até o encontro da jornalista do Observador, Laura Figueiredo. Muito boa noite, Laura. Depois desta conversa, os manifestantes fizeram um cordão humano em redor das tendas, certo?
Boa noite, Hugo. Sim, fizeram uma barreira à frente das tendas, mas dá para conta aqui, primeiro, que há poucos minutos a polícia abandonou a Praça D. João I, os carros que aqui estavam, tanto da Polícia Municipal como da PSP, e também uma garrinha de intervenção, saíram há poucos minutos daqui da praça e também os polícias que aqui se encontravam foram embora. Poucos minutos antes disso acontecer, tinha falado com o subintendente que estava aqui a liderar as negociações entre manifestantes e polícia e não nos garantiu que a polícia não fosse intervir esta noite. Dizia que estava ainda à espera, novamente, do feedback dos manifestantes, isto porque na última hora e meia, as negociações estiveram numa espécie de impasse. Primeiro, a polícia começou por falar com o advogado que representa este movimento, pediu-lhe que as tendas fossem retiradas e que a manifestação fosse apenas uma vigília em silêncio. E depois disso, o advogado foi falar com os manifestantes, depois vieram alguns dos manifestantes também falar com a polícia, mas, como dizia, não passou deste impasse, nenhuma decisão foi tomada até, então, há poucos minutos, a polícia abandonar a praça. Não sabemos precisamente o que é que vai acontecer depois, mas aqui na praça os manifestantes estão no cordão, na linha da frente alguns deles têm um capacete. O cordão já dispersou um pouco, ou seja, no início estava mais organizado, agora já algumas pessoas dispersaram, agora está em silêncio, mas há pouco, quando ainda se ouvia alguns dos manifestantes ao megafone, o principal apelo era para que ninguém desmobilizasse. Nesta altura, está quase silêncio aqui na praça, porque, como dizia, a partir da meia-noite e meia não é permitido barulho, nem as manifestações e, portanto, agora, como dizia, foi há poucos minutos que a polícia saiu e desde então tem estado este silêncio. As tendas mantêm-se, os manifestantes também, não pretendem sair daqui. Portanto, diria que vamos esperar para ver o que é que acontece nas próximas horas.
Silêncio por esta altura na Praça D. João I, os manifestantes a respeitar as ordens da PSP. Entretanto, a Polícia de Segurança Pública já abandonou a Praça D. João I, como nos dava aqui conta a jornalista do Observador em direto, Laura Figueiredo. O presidente da Câmara Municipal do Porto recusa deslocar-se às manifestações na Praça D. João I. No entanto, revela ter convidado os manifestantes para uma reunião. Entre as palavras de ordem mais ouvidas no protesto, tem estado precisamente o pedido de demissão de Pedro Duarte. Os manifestantes desafiaram o autarca a dar a cara e a aparecer no protesto. Pedro Duarte rejeita, mas garante estar disponível para dialogar.
Nós já convidamos os manifestantes para se quisessem ir à câmara reunir, estávamos abertos a isso. Já o fizemos há dois dias.
A curta declaração do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, à TSF, à margem da celebração dos 50 anos da Associação de Moradores da Zona do Campo Alegre. O Ministro da Habitação garante que o governo vê os protestos com enorme preocupação e reconhece que se a população se manifesta, manifesta-se com razão. Miguel Pinto Luz diz que o Executivo está ciente dos problemas na habitação, no entanto, sublinha que não é por causa deste governo que há atrasos na implementação das medidas necessárias.
Olho com enorme preocupação. Acho que a população quando se manifesta, manifesta-se com razão, porque sente, porque dói, porque há dor. Hoje, o problema da habitação é um problema que aflige muita gente. O governo está absolutamente ciente disso. E, portanto, este governo pode ser acusado de muitas coisas, mas não pode ser acusado que as medidas de facilitação da vida dos senhorios, de diminuição da carga fiscal é que impactaram no valor das rendas. Não, porque elas não estão em vigor.
A visão de Miguel Pinto Luz, o ministro das Infraestruturas e Habitação, em entrevista ao programa Conversa Capital da Antena 1 e do Jornal de Negócios, o governante saiu ainda em defesa do autarca do Porto, Pedro Duarte.
O doutor Pedro Duarte, e bem, defendeu os interesses da cidade do Porto. É um homem sensato, um humanista, um social-democrata daqueles nos quais eu me revejo, e geriu com humanidade, foi mantendo diálogo, eu acompanhei também a situação, foi mantendo diálogo com os manifestantes. E depois, a questão da administração interna. Eu não vou imiscuir, não sou especialista e, portanto, não sei avaliar como é que foi a intervenção ou não. Eu acho é que tem que haver autoridade, tem que haver respeito por todos, tem que haver direito à manifestação, mas com respeito por todos. É só isso que eu digo. E acho que o presidente da Câmara, Pedro Duarte, está fazendo um excelente trabalho à frente da Câmara do Porto.
Elogios do ministro da Habitação e Infraestruturas ao presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, também é do PSD e que integrou já o Executivo de Luís Montenegro. O PCP acusa o governo não só de não resolver o problema da habitação, como ainda de o agravar. O líder comunista critica a nova lei do arrendamento apresentada pelo Executivo. Paulo Raimundo considera que só vai agravar o problema no mercado da habitação e acusa o primeiro-ministro de ser egoísta.
Nós achamos que o Governo, com as opções que está a tomar, com o Chega e a Iniciativa Liberal, não só não está a resolver, como está a acentuar um problema. E não vale a pena o senhor primeiro-ministro vir falar de egoístas, porque egoísta é o senhor primeiro-ministro quando se junta aos egoístas que querem as casas todos para eles, querem os rendimentos todos para eles, querem a concentração da riqueza toda para eles.
A acusação de Paulo Raimundo, o líder comunista, em entrevista esta noite à RTP Notícias. Ainda à esquerda, a co-porta-voz do LIVRE, Isabel Mendes Lopes, diz que a mobilização do dia de hoje demonstra a revolta dos portugueses.
É a mensagem óbvia de que o custo de vida está insuportável em Portugal e que é preciso políticas públicas, medidas concretas para ajudar as pessoas nesta altura em que os preços estão a subir tanto. Não só os preços dos combustíveis, mas também os preços da alimentação e os preços da habitação que têm vindo a subir há anos, mas que nos últimos dois anos se agravaram especialmente. E hoje sabemos que 15% das pessoas estão em situação de pobreza, mas que se juntarmos a habitação, passam para 27% das pessoas em Portugal. Isto é um valor que deveria alarmar todos os políticos.
Declarações de Isabel Mendes Lopes, ainda antes do arranque da manifestação da CGTP da tarde deste sábado. A co-porta-voz do LIVRE defendeu ainda a adoção de medidas para a habitação que promovam o arrefecimento dos mercados. Já o coordenador do Bloco de Esquerda lembra as palavras do primeiro-ministro. José Manuel Pureza diz que os manifestantes não são egoístas, estão a lutar pelos direitos.
Estamos aqui onde temos que estar. Estamos com tanta gente que vem para a rua, já hoje de manhã veio em Coimbra, no Porto, vai acontecer um pouco por todo o país, grandes manifestações, grandes mobilizações, gente que não é egoísta e que vem para a rua lutar pelos seus direitos e pelos direitos dos outros. Gente que sabe que a vida com o preço da habitação como está, é um exercício de aflição. E por isso estamos aqui justamente para nos juntarmos às vozes de indignação e às vozes de proposta para uma vida melhor.
As palavras do coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza. À direita, a Iniciativa Liberal acusa o Partido Socialista de ser um dos principais responsáveis pelos problemas na habitação. São palavras da líder do partido, Mariana Leitão, que diz que o PS não pode descartar o papel que teve neste problema quando era governo e acusa o PS de tentar enfiar casas na gaveta durante a governação socialista.
Aquilo a que assistimos nos últimos anos de políticas do Partido Socialista, foi basicamente enfiarem casas na gaveta. Foi exatamente isto que foi feito em oito anos de políticas socialistas.
Mariana Leitão diz que os socialistas devem, por isso, refletir sobre este tema.
O Partido Socialista, que é um dos responsáveis, para não dizer o principal responsável pela desaceleração que houve no mercado nos anos em que esteve no governo, pelas más políticas que seguiu, devia pôr a mão na consciência.
Mariana Leitão durante a visita aos bombeiros de Castelo Branco. Protestos também a marcar a atualidade internacional. Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado em França, Itália, Bélgica e Albânia, em protesto contra o custo de vida e as políticas governamentais. Em França, o ministro do Interior francês, Laurent Nunez, contabiliza 550 mil manifestantes. Só em Paris foram 110 mil. Números que ainda assim ficam muito aquém dos apresentados pelos organizadores destas iniciativas, que apontam para mais de 800 mil participantes. Houve confrontos, incêndios e pilhagens que levaram a mais de mil detenções. Paris, Lyon e Marselha foram os principais focos de tensão. O presidente francês, Emmanuel Macron, através de uma publicação na rede social X, promete punir os responsáveis pela violência. Já o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, também através de uma publicação na rede social X, acusa os grupos de extrema-direita de tentar impor uma agenda através da violência. Em Itália, os protestos em Milão e em Bolonha também terminaram em confrontos, com a polícia a recorrer ao gás lacrimogéneo e a canhões de água. A primeira-ministra Giorgia Meloni condena a violência, mas reconhece o direito à manifestação. Já na Bélgica, centenas de jovens protestaram contra o aumento dos custos da educação. Também na Albânia, milhares saíram às ruas para exigir a demissão do primeiro-ministro. Ponto final neste jornal das 14h. As notícias estão de regresso às 14h30, em formato síntese.
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