O mundo da política já não espera por Passos Coelho?

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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
Bruno, o mundo não espera por Passos Coelho.
Não, nem por Passos Coelho, nem por ninguém. Passos Coelho voltou a anunciar a sua disponibilidade para talvez liderar o PSD, talvez liderar o país, mas bem vistas as coisas agora, talvez tenha cometido o erro de se afastar cedo demais quando em 2017 abandonou a política ativa. Talvez se Passos Coelho na altura tivesse aguentado mais tempo, a história pudesse agora ser outra. Talvez ele não tivesse perdido o comboio. Agora, mesmo que regresse, o que vai encontrar é uma realidade muito diferente. Não é da realidade de há 10 anos, é de há dois anos, e já ouvimos ontem André Ventura falar sobre isso mesmo. Não estará nas mesmas condições e na mesma disposição que estaria há dois anos para fazer entendimentos, se é que os queria fazer na altura. O CHEGA já não é o mesmo, André Ventura já não será o mesmo. O PSD também não vai ser o mesmo se Passos Coelho regressar à liderança. Passos Coelho não pode apresentar soluções que teriam sido possíveis há dois anos se ele fosse o líder do PSD, se tivesse ganhado eleições. São muitos "ses", demasiados "ses". E enquanto os "ses" ficaram a pairar sobre a cabeça de Passos, o mundo avançou e não esperou por ele.
Como bola de criança, não é? Entre as mãos de uma criança. Bola colorida. Agora tinha que fazer a citação correta. Como bola colorida entre as mãos de uma criança.
Isso é a pedra filosofal.
É a pedra.
Paulo, não há sossego na administração interna?
De facto, não se passa assim muito tempo, muitas semanas, sem que haja uma nova polêmica. E ontem aconteceu mais uma, claro. O ministro Luís Neves demitiu o secretário-geral do ministério, de maio, isto após um conflito sobre a fiscalização de SIRESP. E o demitido, Ricardo Carrilho, já veio acusar o ministro de pressões ilegítimas sobre a gestão do próprio SIRESP. E já antes, em maio, isto são tantas que até nos vamos esquecendo. Mas em maio, o secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna, António Pombeiro, tinha-se demitido ele próprio do cargo, alegando ter provas, que não foram consideradas, provas de graves irregularidades e de comportamentos eticamente reprováveis e juridicamente questionáveis do presidente do SIRESP, Viegas Nunes. Tudo isto caiu em saco roto. Agora, o que fica aqui no meio desta confusão imensa, fica a ideia de uma guerra civil dentro do próprio Ministério da Administração Interna, ao nível dos mais altos dirigentes, e fica outra ideia, ou confirma-se outra ideia, que o SIRESP parece muito mais destinado a dúvidas e suspeitas do que a facilitar a comunicação entre as forças de proteção civil. Talvez tenha sido para esta última função que ele tinha sido pensado, mas não está a funcionar.
Bruno, e as cercas sanitárias deveriam ter limites?
Nós ouvimos falar muito de cercas sanitárias, das linhas vermelhas, mas normalmente é em registo metafórico, porque ninguém quer isolar, por os deputados do CHEGA em quarentena. Calma. A Associação Académica de Coimbra aprovou em fevereiro a proibição de participação de membros do CHEGA em eventos da associação e também da entrada nas instalações da associação, o que inclui as instalações da Rádio Universidade de Coimbra. Ontem, enquanto decorria um debate entre líderes das juventudes partidárias, no qual o CHEGA só poderia participar à distância, por não estar autorizada a entrada nas instalações da rádio, as deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro e outros elementos da juventude do CHEGA invadiram as instalações da rádio em protesto contra o que consideram ser uma discriminação. Consideram, e bem vistas as coisas, até é. Como é óbvio, a Associação Académica de Coimbra não tem de convidar ninguém para os seus eventos, mas proibir a entrada de membros de um partido nas instalações de uma rádio, ao mesmo tempo que autorizam a participação à distância, seria uma estranha forma de viver a democracia.
E António Costa fala de problemas que conhece bem.
É, que conhece demasiado bem. Ontem o presidente do Conselho Europeu discursou no Parlamento Europeu e mostrou-se muito preocupado com a crise da habitação na Europa. Diz que essa crise, no fundo, está aqui a estabelecer-se uma ligação entre a falta de casas ou as casas caras, se quisermos, portanto, inacessíveis a muita gente, e a desilusão dos cidadãos com as instituições democráticas. Cá está um problema que Costa domina. Foi durante o seu governo em Portugal que se desenvolveu a nossa crise da habitação, sem que ele, primeiro-ministro, e os seus ministros tivessem tomado medidas eficazes para a travar. Mas promessas durante esse período não faltaram, nomeadamente aquela de que nos 50 anos do 25 de Abril o problema estaria resolvido. Viu-se como estava. Vamos ver se na Europa António Costa promete menos e contribui mais para ajudar, de facto, a resolver problemas.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
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