Nuno Garoupa: "A polarização desta data é muito negativa"
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Não muito longe daqui, de Nova York, em Washington, está o Nuno Garoupa, que é um membro regular do painel do "Fora do Baralho". "Fora do Baralho" que aproveito para dizer que hoje vai para o ar às 20h e não às 19h, hora portuguesa, por causa deste especial que estamos a fazer. Nuno, onde é que estavas no 11 de setembro?
No 11 de setembro estava em Lisboa. Não estava nos Estados Unidos. Estava longe.
Mas penso bem, a realidade norte-americana, o que mudou aqui nos Estados Unidos e também no mundo depois do 11 de setembro? Se é que consegues fazer um resumo de tudo o que mudou.
Repara, acho que há dois temas ligados, mas diferentes. Um tema é, fundamentalmente, o que mudou na sociedade americana e como já disseste, muitas coisas pequenas e grandes, desde a geopolítica até a questões que já estamos habituados, que já ligamos menos, como a segurança no aeroporto. Antes do 11 de setembro era normal conseguir chegar até ao embarque com o viajante, acompanhando o viajante até o embarque, sem medidas de segurança. Hoje isso não é possível, obviamente. A questão dos líquidos. Tudo isso são coisas que mudaram desde o 11 de setembro, mas eu penso que o 11 de setembro, até há pouco tempo, tinha um grande significado, que era uma das poucas datas que unia os americanos. Ou seja, que não havia polêmicas à volta do 11 de setembro. Era um momento-
E agora há.
E agora há.
Agora há, 25 anos depois.
Acho que não começou 25 anos depois, acho que infelizmente começou já há cinco ou seis anos. Tratou-se de um discurso da extrema esquerda, que adotou o discurso da extrema esquerda europeia, de que o 11 de setembro, na verdade, é culpa do imperialismo americano e, portanto, evidentemente, as pessoas que morreram no 11 de setembro são vítimas, mas na verdade, o culpado não são os terroristas, são os americanos, que foram imperialistas. E esse discurso da extrema esquerda contagiou a ala esquerda do Partido Democrata. Muitas dessas pessoas que faziam esse discurso em 2019, 2018, são hoje candidatos ao Congresso. Hoje negam esse discurso, obviamente. A própria Ocasio, que não fez esse discurso, cá que dizer que não é parte desse grupo, já disse que não podemos ligar ao woke 1.0, que tinha esse discurso. Agora estamos no woke 2.0, que não tem esse discurso, mas a verdade é que isso acaba por contaminar. E claro, Mandami agora, com toda a transparência que deve ter, e se há informações para mostrar ao público, devem mostrar, mas ao mesmo tempo não começar um discurso em que quer atacar diretamente o Partido Republicano. Claro, a resposta vem do lado MAGA, do lado Trump, que nas últimas duas semanas tem estado a atacar o Partido Democrata, dizendo que o Partido Democrata é um partido do islamismo radical e apoiante dos terroristas. E portanto, esta polarização é muito negativa para os Estados Unidos. Muito negativa.
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