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Tuesday, September 22, 2026

Mexer no IVA é o caminho para ajudar os portugueses?

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São 8h20, é hora de conhecermos o tema do Contracorrente. Depois, para entrar em direto, só tem que ligar para nós 91 002 41 85, número que também pode usar para nos enviar a sua mensagem de voz pelo WhatsApp. Se preferir, deixe os seus comentários nas redes sociais ou no site do Observador. Carla, num país com pouca margem orçamental e em que nenhum dos maiores partidos quer ir já para eleições, a discussão em torno das medidas de apoio aos portugueses, nomeadamente das mexidas no IVA, tornou-se numa espécie de jogo do sério. O PS e o Chega apresentam propostas que esperam que o outro não aprove, e o governo agita o fantasma da falência de 2011. Mas a questão agora também é, Helena Matos, bom dia, como é que se pode ajudar os portugueses nesta crise?

Bom dia. A ajuda é mesmo a palavra onde parece estar o cerne da questão, porque nós temos um pouco, e é neste momento esse mais ou menos o entendimento generalizado, a ideia de que despejando dinheiro em cima das circunstâncias, nós poderemos e deveremos viver como se essas circunstâncias não acontecessem. Portanto, o ideal parece ser conseguir tomar medidas redistributivas suficientes para que os portugueses não sintam o que está a acontecer. Para lá de tudo, pensando que aquilo que está a acontecer é uma guerra de invasão de um país aqui no continente europeu, que é também um conflito com estrangulamentos nas rotas daquilo que se transforma depois nos nossos combustíveis, portanto, no petróleo, cabe perguntar se algum governo no mundo conseguiria isolar o seu país e o seu povo de tudo isto. E depois também cabe perguntar se isso seria vantajoso. E portanto, aquilo que nós temos aqui neste momento é uma espécie de "vamos lá fazer de conta que eu sou o mais amiguinho dos portugueses". Vemos o governo avançar com medidas, que umas não tinham nada a ver com esta crise, como é o caso do aumento extraordinário dos pensionistas, outras prendem-se com a questão dos combustíveis, com ajudas a determinados setores. O governo está a ter uma atitude cautelosa, embora tenha sempre esta ideia de que vamos lidar qualquer coisinha, vamos conseguir, através da redistribuição, atenuar, muitas vezes procurando criar alguma ilusão. E depois temos as oposições, e aqui nas oposições vamos entrar com o Chega e com o Partido Socialista. O Partido Socialista, com José Luís Carneiro, parece achar que 2026 é igualzinho a 2022 e, portanto, que estamos com a inflação como estávamos em 2022, que tínhamos acabado de sair de um confinamento, todas essas coisas, e que, portanto, voltamos sempre a todas aquelas ideias, nomeadamente às ideias do IVA zero num cabaz de produtos alimentares. E depois a redução temporária do IVA sobre os combustíveis de 23% para 13%. Note-se, contudo, que isto vai ao Parlamento, mas vai ao Parlamento como um projeto de resolução, e o projeto de resolução não tem força de lei. Portanto, na prática, o PS consegue ali um momento bom parlamentarmente falando, mas se por acaso o Chega votasse este projeto de resolução e ele passasse, o governo não seria obrigado a adotar estas medidas. Portanto, é mais um momento para se dizerem e ouvirem umas coisas. Assunto diferente é o que acontece com o Chega, e o Chega chega com um projeto de lei, e o projeto de lei do Chega é como se estivéssemos num mundo em que nos conseguimos isolar de tudo e mais alguma coisa. Portanto, aquilo que temos aqui, o que está previsto é uma redução temporária da taxa de IVA sobre os combustíveis para a taxa intermédia. A isto junta-se também, aí já não um projeto de lei, mas um projeto de resolução do Chega para se acabarem ou suspenderem as portagens. Ele é um projeto que recomenda ao governo a abolição das portagens nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama. E, portanto, estamos num momento em que, parafraseando a pergunta da Helena Garrido hoje num texto no Observador, que eu recomendo vivamente, é: quando a crise for a sério, o que faremos? Ou seja, se tudo isto que está a ser recomendado fosse agora adotado, quando a crise for a sério, e nós já tivemos crises a sério, e não sabemos se não iremos ter uma crise a sério, o que é que fazíamos?

Ora, tantas perguntas para tentar encontrar a resposta depois das 10h. Até já, Helena Matos.

Até já.

Faça parte do Contracorrente, ligue 91 002 41 85 e entra em direto logo a seguir ao Jornal das 10h.

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