Israel aumenta atividade militar no sul do Líbano

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Israel aumentou a atividade militar no sul do Líbano, onde a missão das Nações Unidas registou uma média de 137 projéteis por dia entre 5 e 16 de agosto, foi divulgado esta segunda-feira.
Os níveis mais elevados registaram-se no fim de semana, com 208 projéteis no sábado e 185 no domingo, num contexto de crescente tensão ao longo da fronteira entre os dois países, disse a missão da ONU num comunicado.
O aumento dos ataques tem um impacto direto na população civil, que volta a suportar as principais consequências da insegurança, alertou a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), citada pela agência de notícias espanhola EFE.
Numerosas famílias viram-se deslocadas ou tiveram de alterar as rotinas diárias perante o temor de novos episódios de violência e a incerteza quanto à evolução da situação, de acordo com a missão da ONU.
Perante o cenário, os efetivos da Força Interina das Nações Unidas no Líbano mantêm uma presença visível no terreno através de patrulhas e trabalhos de vigilância, além da desobstrução de vias, redução dos riscos associados a explosivos e facilitação do acesso humanitário.
A missão da ONU insistiu que a Resolução 1701 do Conselho de Segurança continua a ser o quadro de referência para restabelecer a estabilidade na zona.
Referiu também a necessidade de todas as partes renovarem o compromisso com os princípios para evitar um novo deteriorar da situação.
A FINUL, criada em 1978, desempenha um papel limitado na chamada “Linha Azul”, que se estende por 120 quilómetros ao longo da fronteira sul do Líbano e do norte de Israel.
A força atua na vigilância da cessação das hostilidades entre as tropas israelitas e o Hezbollah, uma vez que o respetivo mandato não permite o uso da força.
As funções são reguladas pela Resolução 1701, aprovada por unanimidade pelo Conselho de Segurança da ONU em 2006, após a grave crise entre Israel e o grupo xiita apoiado pelo Irão.
A retirada das tropas da Força Interina das Nações Unidas no Líbano está programada para 2027.
O Presidente libanês, Joseph Aoun, defendeu esta segunda-feira a prorrogação do mandato da FINUL, que “ajuda a fixar a população” e fomenta a estabilidade através da “cooperação e coordenação com o exército libanês”.
“A nossa primeira opção é estender o mandato da FINUL”, escreveu Aoun nas redes sociais, citado pela agência espanhola Europa Press (EP).
Aoun disse que a alternativa é “adotar um quadro que garanta a continuidade da presença de forças internacionais no sul, dentro dos parâmetros jurídicos exigidos”.
As forças internacionais teriam de operar em conjunto e em coordenação com o exército libanês “para apoiar a estabilidade e a execução das tarefas atribuídas”, afirmou.
O Presidente libanês criticou Israel por “se opor à presença das forças” da FINUL no sul e de estar há “quase um ano a exercer pressão” no âmbito das negociações entre as partes mediadas pelos Estados Unidos.
Aoun fez as declarações no contexto de uma reunião com uma delegação parlamentar que lhe entregou uma carta assinada por 86 deputados, dirigida ao Conselho de Segurança da ONU, a exigir a renovação do mandato da FINUL.
A delegação reuniu-se também com o primeiro-ministro, Nawaf Salam, que reiterou a posição do Governo sobre a “necessidade da presença de uma força da ONU” no sul capaz de assumir tarefas de “observação, informação, coordenação e comunicação”.
O Líbano e Israel concordaram a 5 de junho com um cessar-fogo condicionado ao fim dos ataques do Hezbollah.
O grupo radical retomou os ataques contra o norte de Israel em março para vingar a morte do ex-líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, no início da ofensiva israelo-americana contra o Irão.
Israel tem mantido o Líbano de fora de acordos entre os Estados Unidos e o Irão sobre a guerra, enquanto Teerão exige que qualquer acordo para terminar o conflito inclua o fim das hostilidades na frente libanesa.
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