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Monday, October 26, 2026

Brasil virou do avesso com a vitória de Lula da Silva?

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.

Paulo, no Brasil, a tradição eleitoral já não é o que era, cara?

É verdade. Lula surpreendentemente venceu e vai então exercer o seu quarto mandato. Perdeu a primeira volta, perdia nas sondagens, mas virou tudo na reta final. E é de facto a primeira vez que se quebra essa tradição, que um candidato que perde a primeira volta consegue vencer na segunda. São cerca de três pontos de vantagem, ou foram cerca de três pontos de vantagem, não chegou aos 52% dos votos. Quase metade do país, se quisermos, votou no outro candidato, contra ele, e muitos dos que votaram nele fizeram-no só para travar o adversário. E Flávio Bolsonaro perde, mas não desaparece. Ficou a poucos pontos de ganhar. Aparentemente, o bolsonarismo continua de pé com o resultado destes. Lula tem 80 anos, vai governar até 2031, prometeu futuro, entrega para já continuidade e muitas redes sociais, segundo o discurso que ele fez ontem, o discurso de vitória.

Sim, está espalhado já nas redes sociais.

Está, e ele próprio já recebeu ontem um smartphone.

Sim.

Não tinha. Para este novo. Ele disse isso ontem no discurso de vitória. Portanto, o Brasil tem agora um presidente vencedor, mas continua dividido mais ou menos ao meio e com o derrotado a contestar os resultados. Esta fratura, de facto, era desnecessária.

Paulo, vamos continuar no jogo do gato e do rato entre a polícia e os manifestantes, agora já cá.

Agora já por cá. É verdade, isto é um braço de ferro em que ninguém quer ceder, ou melhor, em que os manifestantes não querem ceder e as autoridades, neste ponto, já não podem ceder. A polícia colocou como essencial o cumprimento da lei das manifestações de 1974, que impede manifestações públicas que se prolonguem para além da meia-noite e meia, e colocou também como medida a proibição de montar tendas no espaço público. E já fez várias intervenções nesse sentido para garantir o cumprimento destas regras. Umas vezes tudo se resolveu bem, outras precisou de usar a força, como foi no caso deste fim de semana, deste sábado. A partir daqui, não se vê como pode a polícia passar a ser mais tolerante e a fechar os olhos ao cumprimento da lei sem perder a sua autoridade. Nesse sentido, o tempo corre a favor dos manifestantes, porque também não podemos agora entrar numa rotina de intervenções policiais frequentes. A intervenção das segundas, quartas e sextas, sábados, descansa-se ao domingo, também não é mal devida para ninguém. Portanto, temos aqui um bom caso para os especialistas em gestão de conflitos.

E Paulo, pode ser o governo a ceder? E se sim, de que forma?

Na prática e no imediato, o governo só pode fazer uma coisa, se olharmos para o caderno reivindicativo das acampadas, que é retirar a proposta de lei de arrendamento que está no Parlamento. Porque ninguém está à espera, obviamente, que o governo ou quem quer que seja resolva os problemas do mercado de habitação num par de meses ou até num par de anos. Sobre isso, vamos poder esperar bem sentados, seja no Rossio ou noutro local qualquer, com ou sem tendas. Se fizermos tudo certo e depressa, equilibrar este mercado vai demorar mais de uma década. A menos que rebente a bolha imobiliária por motivos internacionais, mas aí não está no controle dos governos portugueses. Mais, mesmo que o governo retire esta lei no Parlamento, nada vai mudar. Por quê? Porque as regras que estão em vigor atualmente são anteriores. Foram elas que nos levaram, também elas, que nos levaram a estes resultados que conhecemos agora. E portanto, o mercado não vai mudar com o estalar de dedos.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

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