Análise: primeira derrota com Autuori na Série B aumenta desconfianças no Fortaleza

A primeira derrota do Fortaleza na Série B sob o comando de Autuori é apenas o agravante de uma tendência de baixa que o clube vinha apresentando há algumas rodadas. Contra o líder da competição, que jogava pelo acesso direto à Série A de forma antecipada, o Tricolor demonstrou apatia mais uma vez, principalmente no segundo tempo, e aumentou a desconfiança do torcedor.
A incerteza começou uma hora antes de a bola rolar, quando se viu Paulinho escalado como titular na lateral direita e Lucas Emanoel no meio de campo. O primeiro estava estreando no certame na penúltima rodada e o outro não atuava desde agosto e não era titular há sete meses. O ataque com Paulo Baya e Pedro Henrique também não inspirava muita confiança, mas diante da ineficácia dos centroavantes, não era de se estranhar jogar sem um (Lucas Emanoel ficou centralizado, mas jogou mais atrás).
Os primeiros sete minutos de partida, no entanto, foram perfeitos para o Tricolor. A expulsão de Nicolas Careca aos seis, com intervenção do VAR, e o gol de Paulo Baya logo na sequência do lance trouxeram a esperança de que o Tricolor poderia reverter para si a ansiedade do Novorizontino pelo acesso, o estádio com muitos torcedores e todo o clima de festa. Com dois jogadores mais velozes no ataque, o desenho seria de um Fortaleza que administraria e exploraria contra-ataques. Nada disso, no entanto, ocorreu.
Primeiro porque 12 minutos após a expulsão de Nicolas Careca, Lucas Emanoel também levou cartão vermelho. Um carrinho um pouco à frente do meio de campo da cria da base tricolor fez com que o time de Autuori perdesse uma vantagem numérica que poderia ter sido importante. Tudo voltou à estaca zero quando Matheus Bianqui empatou oito minutos depois.
Leão parou de jogar
Foram apenas 37 minutos de produção do Fortaleza no jogo todo. No restante da partida, o Tricolor viu o Novorizontino crescer e virar a partida. Não fosse uma finalização de Pedro Henrique, após receber um lançamento pelo alto, na grande área, no segundo tempo, não haveria registro de um chute sequer do Leão no restante do tempo.
O Novorizontino nem foi tão assertivo nas finalizações. Das 15 tentativas, só 4 foram no gol, mas a de Luís Oyama decretou números finais ao jogo. Isso porque Tomás Cardona trocou o que provavelmente seria o terceiro do Tigre por uma expulsão, logo após a virada do time paulista. A consequência é ir para um duelo importante contra o Vila Nova, na última rodada, sem o melhor zagueiro à disposição.
As substituições de Autuori não apenas tiveram efeito algum, como ele optou por não utilizar todas. Com menos atletas que o adversário, restou ao Leão apostar em bolas longas, que de nada serviam. O Novorizontino “cozinhou” o Fortaleza nos 15 minutos finais e celebrou o acesso, como estava no roteiro.
Rodriguinho começou a partida na ala-esquerda, enquanto Lucas Emanoel no ataque — Foto: Juan Rodrigues/Novorizontino
Confiança minada
A queda da invencibilidade de 17 jogos vem no pior momento. A uma rodada do fim da etapa de pontos corridos, o Tricolor agrava o viés de baixa que vivia e o elenco parece sentir os resultados recentes (apenas uma vitória nos últimos cinco jogos). O torcedor também passa a desconfiar de um acesso que parecia na mão.
O mata-mata é um campeonato à parte, mas para um time que investiu alto (tem uma das maiores folhas salariais da competição), trocou de técnico no meio da temporada em busca de mais regularidade e brada desde o começo da Série B que o foco era o acesso direto, ir para os playoffs já é um baque. Com a confiança em baixa, é um risco alto.
O Fortaleza tem mais uma oportunidade de restabelecer o psicológico de jogadores e torcedores na última rodada, em casa, onde o clube tem decepcionado sob o comando de Paulo Autuori. Preocupação resume.
Grêmio Novorizontino vence Fortaleza de virada — Foto: Vinicius Silva / Fortaleza EC
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