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Friday, October 30, 2026

"Não fiquei surpreendido, temos o futebol que queremos ter"

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Um total de 27 remates com dez tentativas enquadradas, 48 ações com bola na área adversária, 57% de posse, nove cantos, quatro ocasiões flagrantes criadas. Frente a uma das equipas mais equilibradas e inteligentes na forma de perceber todos os momentos do jogo como tem sido o Gil Vicente até este momento, o Benfica foi demorando a carburar mas, quando agarrou em definitivo na partida, voltou a agigantar-se: marcou quatro golos, teve duas bolas nos ferros, desperdiçou várias oportunidades, goleou podendo ter outra expressão. A quinta vitória consecutiva teve a nota artística dos golos de Sudakov e Lukebakio (e de Lausen, no momento que Marco Silva menos gostou) e há novo clássico à vista com o FC Porto na Final Four da Taça da Liga.

Do encontro, de uma forma mais resumida, ficou praticamente tudo dito. Sobre o resto, havia ainda muito mais por contar. E se antes do apito inicial o nome de Jhon Durán assumiu todo o protagonismo, depois da expulsão no final da partida com o Santa Clara e o respetivo relatório do árbitro Cláudio Pereira, esse voltou a ser o tema após a goleada do Benfica frente ao Gil Vicente com várias opiniões sobre esse tema.

“Se fiquei surpreendido por jogar? Não fiquei surpreendido, infelizmente. Só gostava era que agora acontecesse a mesma coisa com uma expulsão que não pode ser por ir isolado, porque o Espi está entre o Rafa e a baliza. Não houve cotovelo na cara. Mesmo que não seja tão em close up como devia ser para repor a verdade desportiva, não é motivo para expulsão. Já que abriram o precedente de um castigo de um jogador que foi expulso de um jogo e não podia jogar o próximo, quero ver se terei o Espi para a semana para jogar contra o Vitória [Guimarães]. Se acredito? Claro que não acredito nada, temos o futebol que queremos ter. Temos a Final Four que querem ter, com três equipas grandes e um outsider, e parabéns ao Famalicão. O Benfica faz uma exibição muito boa, que não deixa dúvidas sobre quem devia ter sido o vencedor. Mas temos o que o futebol português quer ter…”, lamentou o técnico dos minhotos, Luís Pinto.

“Ontem [Quarta-feira] disse aos jogadores que o [Jhon] Durán não podia jogar porque tinha sido expulso. No decorrer do dia, começámos a ter a certeza de que ele ia jogar. Porque onde há fumo há fogo e não vale a pena…”, acrescentou ainda na mesma análise feita na zona de entrevistas rápidas da SportTV após o jogo.

“Luís Pinto? Não vou comentar o que ele disse. Ele falou do estado do futebol português. Todo este barulho foi criado porque o Jhon [Durán] não devia ter sido expulso. Se o jogador não devia ter sido expulso, o Benfica não pode ficar calado. Percebo o que o Luís disse, não está satisfeito com a utilização do Jhon. Compreendo. Ele não foi sabendo, eu também não fui sabendo. Se não fosse o Jhon, ia começar o Pavlidis, que tem feito os golos que vocês sabem…”, respondeu depois Marco Silva, também na flash interview.

“Já tinha acontecido, hoje soube da recente história. Não é virgem no futebol português. Mesmo na época passada aconteceram situações de recurso. A gestão foi simples. Os castigos normalmente vêm à quinta-feira, sabíamos que iria acontecer a reunião e sabíamos que o jogador não tinha feito nada. Não andamos aqui a brincar. A partir do momento em que sabemos que não fez absolutamente nada, temos a palavra dele, depois as imagens e o relatório que só comprovou isso também, trouxemo-lo connosco para estar o dia todo. Para prepararmos o jogo com ele, Pavlidis ou Anísio. Quando chegou a comunicação para nós e para o Santa Clara, o jogador deles também vai jogar, ele acabou por jogar, ainda bem que pôde porque o Pavlidis tem sido muito sacrificado em termos de minutos. Fez golo que é importante”, acrescentou.

Ainda sobre o tema, Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, admitiu que nem tudo correu bem. “O que o árbitro efetivamente entendeu fazer foi condenar uma atitude, no entender da equipa da arbitragem. Estando ele longe, não conseguia ter a perceção das palavras que foram ditas pelo jogador, mas percebeu-se, no entender da equipa de arbitragem, que a ação do jogador provocou toda aquela ira dos jogadores adversários, por isso é que se gerou aquela confusão. Mas o Conselho de Disciplina irá ter oportunidade de chamar o árbitro, questioná-lo e pedir explicações”, comentou.

“Críticas? Percebo, principalmente pela forma como foi escrito, pela justificação que é dada. No meu ponto de vista podia-se ter explicado melhor. Iria ter o mesmo fim, até porque a ação podia ter sido um amarelo para um dos jogadores, o jogador do Benfica acabaria por ser expulso na mesma porque já tinha amarelo. Como está distante, quis condenar a atitude, provocou toda aquela ira, mas a forma como escreveu certamente não foi a mais clara para percebermos”, referiu ainda em entrevista à RTP Notícias.

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