As vozes dos eleitores americanos da Flórida ao Alasca
"Obviamente, é um referendo sobre o segundo mandato de Trump", afirma categoricamente Wes Pyron, de 37 anos, em Washington, ao comentar a votação.
Mas, diante das pesquisas favoráveis aos democratas, ele se lembra da derrota de Hillary Clinton para Donald Trump: "Ainda estou magoado com 2016, então não dou mais nenhuma atenção às pesquisas".
Em Atlanta, no estado da Geórgia, Mike votou para "manter o governo Trump sob controle". O gerente afro-americano de 34 anos, que trabalha no setor de tecnologia da informação, espera uma "grande onda azul", cor associada ao Partido Democrata.
Ao meio-dia, em um centro de votação dessa grande cidade, não havia longas filas de espera, mas um fluxo constante de eleitores que chegavam para votar sem interrupção e frequentemente saíam com um adesivo com os dizeres "I voted" ("Eu votei").
- Políticas migratórias na mira -
As políticas migratórias "precisam existir", reconhece Andrés Gutiérrez, funcionário do setor de crédito imobiliário de origem venezuelana, em Doral, na Flórida. Mas a política atual "não é a abordagem adequada", afirma.
Em Nova York, Quishaun Hill, de 44 anos, demonstra preocupação com as ações da polícia de imigração (ICE) e com as "atitudes irresponsáveis e verdadeiramente desumanas" que observou na aplicação da política anti-imigração de Trump.
Diversas ações de agentes federais de imigração provocaram indignação desde o retorno de Donald Trump ao poder, especialmente a morte a tiros de dois cidadãos americanos em Minneapolis, no início do ano.
- Socialistas e muçulmanos -
Vários integrantes da ala esquerda do Partido Democrata, alguns dos quais se identificam como socialistas, são candidatos em diferentes partes do país.
É o caso de Abdul Al-Sayed, candidato em Michigan, que, caso seja eleito, se tornará o primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos.
Em Detroit, Mackenzie Currie, de 28 anos, diz estar "encantada por votar nele".
No estado do Texas, James Talarico, uma figura moderada dos democratas, é o candidato ao Senado. Segundo as pesquisas, ele tem chances de derrotar o republicano Ken Paxton.
"Isso me deixa muito triste", destaca Mary Wolf, em Dallas.
Seu marido, que prefere não revelar o nome, considera que "o socialismo não funciona".
Para Maru Restrepo, eleitora de origem colombiana de 70 anos entrevistada em Miami, os democratas "se tornaram socialistas, comunistas e muçulmanos demais", qualificações frequentemente utilizadas por Donald Trump.
- Frustração -
"Todo mundo, pelo menos na minha geração, está um pouco frustrado com a crise do custo de vida, os preços da gasolina e o que está acontecendo no exterior", explica Tom, de 27 anos, em Atlanta.
Na mesma cidade, Donta Comer, de 38 anos, afirma que "as coisas precisam mudar para os cidadãos comuns, e eu sou um cidadão comum".
Brian Rowe, que trabalha na American University, em Washington, também menciona "a desastrosa guerra contra o Irã", que provocou um aumento nos preços dos combustíveis e que "precisa acabar".
- "Fraude" no Alasca -
Montanhas cobertas de neve dominam Anchorage, a maior cidade do Alasca. Às oito da manhã, o termômetro marca 0°C, e cerca de 60 pessoas agitam cartazes em apoio ao candidato republicano ao Senado, Dan Sullivan.
O nome dele está no centro de uma controvérsia: a campanha da candidata democrata ao Senado, Mary Peltola, é acusada de ter incentivado um homônimo a se candidatar para provocar confusão e tirar votos do senador que tenta a reeleição.
"Não consigo acreditar nisso. Para mim, é uma fraude", diz, indignado, James Weise, um aposentado de 72 anos que acaba de votar na versão republicana de Dan Sullivan.
No local de votação, os funcionários eleitorais explicam que muitas pessoas compareceram para votar antecipadamente, sinal de uma participação maior do que a habitual.
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