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Tuesday, October 20, 2026

França: toques de recolher serão mantido pela segunda noite consecutiva 'onde a situação exigir'

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As autoridades francesas consideraram nesta terça-feira (20) que os toques de recolher decretados em várias cidades após os episódios de violência do fim de semana contribuíram para a "calma" e deverão ser mantidos, pela segunda noite, "onde a situação exigir".

O governo está sob forte pressão após os episódios de violência e saques ? os mais graves dos últimos anos ? ocorridos à margem das manifestações em massa realizadas no sábado contra a alta do custo de vida, a apenas seis meses das eleições presidenciais.

O presidente Emmanuel Macron reconheceu "falhas" na gestão dos protestos. As imagens de confrontos e de prédios públicos incendiados ou depredados repercutiram internacionalmente, levando países como Estados Unidos, China e Alemanha a recomendar cautela a seus cidadãos que estejam na França.

Os toques de recolher começaram na segunda-feira entre 20h e 22h em determinadas áreas de Paris, Lyon, Bordeaux, Lille e Nice. Nas três últimas cidades, as restrições são destinadas exclusivamente a menores de idade. Durante a noite, um helicóptero sobrevoou parte do centro de Paris com um amplo feixe de luz para fiscalizar o cumprimento das restrições.

A seis meses das eleições presidenciais, com a candidata do Reunião Nacional (RN, extrema direita), Marine Le Pen, amplamente à frente nas pesquisas, a crise assume um caráter cada vez mais político.

Acusações políticas

O RN denuncia a "impotência" do governo e acusa o partido França Insubmissa (LFI, esquerda radical) de querer provocar uma "guerra civil". A legenda de extrema direita procura se apresentar como o partido da ordem, na tentativa de ampliar seu eleitorado para a eleição presidencial.

O presidente do Senado e segunda autoridade do Estado, Gérard Larcher, da direita, afirmou que a possibilidade de proibir o LFI poderia ser "colocada em discussão" após os episódios de violência do fim de semana.

O primeiro-ministro acusou o "movimento da ultra esquerda" de querer provocar uma "desordem profunda" e até mesmo "questionar o calendário das eleições presidenciais e a realização da eleição presidencial".

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O líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, afirmou que seu partido não "dirige o movimento popular, que se conduz a si próprio" e denunciou a "incompetência na técnica de manutenção da ordem" por parte do governo.

Diante das acusações da direita e da extrema direita de falta de firmeza das autoridades, o governo procura demonstrar força, especialmente porque novas manifestações são esperadas no sábado e nas próximas semanas. O primeiro-ministro reunirá os partidos políticos na quinta-feira.

A líder dos ecologistas, Marine Tondelier, manifestou, porém, reservas em relação às "medidas de exceção" e pediu que sejam esclarecidas as "falhas do dispositivo de manutenção da ordem".

O prefeito socialista de Paris, Emmanuel Grégoire, afirmou que o toque de recolher "deve permanecer excepcional".

O ministro francês da Justiça, Gérald Darmanin, anunciou na noite de segunda-feira que 2.513 pessoas haviam sido colocadas sob custódia policial e 67 haviam sido presas.

O governo também é pressionado a apresentar medidas de apoio a lojas e restaurantes danificados. Pelo menos 3.000 estabelecimentos comerciais foram atingidos por depredações ou saques em várias regiões do país

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Crise vira argumento de campanha para Trump

Alguns manifestantes também ficaram gravemente feridos. Em Mulhouse, no leste do país, uma jovem de 17 anos perdeu um olho. Em Saint-Étienne, no centro-leste, um jovem da mesma idade teve a mão arrancada por uma granada. Seu advogado anunciou na segunda-feira que apresentaria uma denúncia contra o autor do disparo e contra o ministro do Interior Laurent Nuñez.

Nuñez havia apresentado sua renúncia no domingo e feito um mea-culpa no dia seguinte, reconhecendo uma "perda de controle" em algumas cidades. Emmanuel Macron, no entanto, recusou sua demissão.

A crise francesa também repercute fortemente no exterior. Donald Trump, pressionado pela inflação elevada antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, aproveitou os episódios de violência na França para reforçar sua retórica contra a imigração e o islamismo.

Durante um comício no Kansas, o presidente americano dedicou longo trecho de seu discurso à França, que, segundo ele, estaria sendo "invadida, saqueada e incendiada por migrantes, jihadistas e comunistas".

A avaliação contrasta com a de uma maioria de políticos e especialistas franceses, que apontam a ultra esquerda e a crescente polarização da sociedade como fatores centrais da crise.

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A União Europeia condenou os saques e incêndios, mas também pediu à França que "proteja" o direito de manifestação pacífica.

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