Congresso mais à direita aumenta dependência de Lula do Centrão no 4º mandato
Na prática, o presidente teria de recorrer à mesma estratégia, distribuindo cargos a partidos de centro e correndo o risco de não ver isso se materializar em votos. Professora da Fundação Getúlio Vargas, Luciana Veiga afirma que o grau de concessão que Lula precisará fazer é maior que a que Flávio Bolsonaro teria de fazer.
"A gente sai das urnas do primeiro turno com o Congresso mais conservador. Então, essa é a cara do Brasil que sai das urnas. Só que, se o presidente fosse Flávio Bolsonaro, a composição seria mais harmoniosa do que no caso de Lula", diz.
Com isso, continua a professora da FGV, o petista é obrigado a fazer mais concessões. "É claro que é saudável distribuir ministérios para partidos da base aliada, mas ministérios para partidos que ficam muito distantes da sua ideologia começam a comprometer mais o seu plano de governo original", afirma Veiga.
O cientista político Carlos Ranulfo minimiza o impacto do Congresso mais à direita sobre a governabilidade de Lula. Ele lembra que, em seu terceiro mandato, o petista já enfrentou um Parlamento em que mais de 60% dos integrantes faziam algum grau de oposição a seu governo.
"Não tem muita novidade nisso. O Lula atravessou um Congresso difícil, tanto é que perdeu várias vezes. Ganhou algumas, perdeu outras. O Lula já governou com o Congresso hostil", avalia.
"A direita controla o Congresso, mas controlava antes. O Lula, para quem já governou uma vez, governa duas. Agora, a situação é um pouco diferente dentro de Câmara ou Senado. Na Câmara, eu acho que não vai ter quase diferença nenhuma. A bancada do PL cresceu, mas ela continua sendo uma bancada minoritária. E o Centrão continua sendo a força predominante. Como foi nesse governo Lula 3", continua.
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