Luís Cabral de saída. "Há papéis mais importantes para mim"

E até maio eram 14 minutos [acima do máximo]. Como está esse tempo agora?
O tempo tem vindo a diminuir ligeiramente. Chegámos aos 12 minutos. É provável que, nesta época de inverno, com o maior número de chamadas, haja outra vez uma flutuação positiva. Já percebemos que não há maneira de pôr os carros a voar mais rápido.
É irrealista a meta estabelecida de oito minutos para resposta aos doentes críticos?
Não. A análise que fizemos é que estamos a perder muito tempo na fase inicial da chamada, principalmente no tempo no atendimento da polícia, para depois a chamada ser transferida para o INEM e na triagem dentro do INEM, no acionamento do meio, na saída do meio. Um dos tempos em que temos de intervir de imediato — que são cerca de 2 a 3 minutos — é o tempo da ativação do meio e de o meio iniciar a sua deslocação até ao local.
Mas porque é que existe esse atraso na ativação dos meios?
Porque estamos a falar de um processo muito burocrático, feito passo a passo e sempre envolvendo telefonemas. Já estamos a começar a fazer uso, e a testar, aparentemente com bons resultados, as novas tecnologias de informação: a ativação feita sem ter que passar por um telefonema.
E como é que isso se faz?
É o próprio sistema informático que faz o despacho e que foi atualizado. Os sistemas que tínhamos estavam obsoletos, estavam numa fase limite da sua utilização. Neste momento, temos sistemas informáticos novos, computadores novos, monitores novos, servidores novos, ou seja, temos um CODU infraestruturalmente preparado para poder utilizar novos sistemas de informação e esse novo sistema de informação faz a ativação diretamente do meio, que agora tem um tablet. É um dispositivo que recebe a ocorrência e recebe toda a informação que foi registada na ocorrência desde o início da triagem.
Há outro tempo de resposta muito importante que é o dos CODU, no atendimento das chamadas. Como é que tem evoluído esse tempo?
De uma forma muito favorável. Ao longo de todo este ano, conseguimos manter uma métrica, que estava definida nos 20 segundos, para o atendimento de chamadas. Relembro que chegámos a ter, em anos anteriores, tempos de resposta de 67 segundos, ou seja, estamos a falar de uma diminuição muito franca.
Qual é que é o tempo de resposta ideal?
Um tempo de resposta abaixo dos 20 segundos será suficiente. Percebemos que não só era preciso fazer um reforço dos CODU, das pessoas que estavam a fazer atendimento, como, a certa altura, não havia espaço físico para sentar mais pessoas para fazer mais atendimento. E, por isso, foi necessário fazer uma reformulação dos três CODU.
E foi esse reforço que permitiu diminuir o tempo de resposta?
Sim, o reforço dos recursos humanos e a reformulação do espaço físico dos CODU, que não permitia receber mais pessoas. Agora podemos entrar neste inverno, em que vamos ter novo pico de chamadas, vamos ter novos picos de solicitações, por via da gripe, por via do tempo invernal.
“Vamos entrar neste inverno com 581 ambulâncias contratualizadas aos bombeiros”
O inverno está a chegar. O que é que está a ser feito por parte do INEM para garantir que chegamos a este inverno com capacidade de resposta? Há um plano para evitar que as macas fiquem retidas nos hospitais, como aconteceu no inverno passado? Vai avançar, por exemplo, a contratualização de empresas privadas para transportar doentes menos urgentes?
Em relação às macas ficarem retidas no hospital, não me cabe a mim, enquanto presidente do INEM, decidir. Temos uma colaboração muito estreita com a Direção Executiva do SNS, em primeira linha, e depois, na segunda linha, com os hospitais, no sentido de evitar que esse tipo de situações aconteça.
E temos neste momento também, fruto da reformulação interna do próprio INEM, um médico responsável no nosso departamento de orientação de doentes urgentes, que foi uma das novidades desta nova orgânica. Está em permanência a fazer a monitorização de todo o funcionamento do Sistema Integrado de Emergência Médica e, identificando uma dessas situações, automaticamente faz as chamadas correspondentes para tentar evitá-la. Agora, é uma situação que não controlamos e não posso estar a jogar com a vida das pessoas desta maneira, com situações que são imprevisíveis e que o próprio INEM não consegue controlar.
Mas não há uma articulação com os hospitais?
Há, essa articulação está a ser feita através da Direção Executiva. O que é que o INEM pode controlar? Ter o número de operadores suficientes para fazer o atendimento da chamada e para fazer o acionamento dos meios; ter o número de meios suficientes para que, mesmo que alguns possam vir a ficar retidos em algum hospital ou em que o tempo de passagem do banco no hospital seja mais alargado, termos meios, ambulâncias suficientes para continuar a funcionar com o sistema. Quando tomámos posse — há cerca de um ano —, tínhamos 470 ambulâncias contratualizadas aos bombeiros. Vamos entrar neste inverno com 581, ou seja, mais 111 ambulâncias. É um crescimento muito significativo e que me parece que vai salvaguardar muitas das situações.
E em que regiões é que houve esse reforço?
Por todo o país, principalmente, na região de Lisboa, na margem sul, no distrito de Santarém, no Algarve, porque, tendo em consideração as outras áreas do país, temos mais limitações. Esse reforço sentiu-se este ano na nossa capacidade de resposta no Algarve. Não vimos nenhuma das situações a que assistimos nos anos anteriores de falta de resposta do INEM, apesar de ter havido uma procura muito significativa naquelas áreas. Vamos conseguir fazer sempre tudo bem? Vamos conseguir fazer sem qualquer falha? É impossível. É humanamente impossível prever todas as situações.
Mas temos mais 111 ambulâncias, temos mais SIV, iremos ter maior capacidade de os nossos operacionais mobilizarem viaturas extraordinárias, caso assim se verifique [necessário], na margem sul do Tejo. Com mais profissionais, posso abrir mais ambulâncias. Por isso, teremos a situação ideal? Não. Mas estamos muito mais bem preparados para entrar neste inverno? Estamos. Temos de estar confiantes, temos mais recursos, mais pessoas, mais capacidade tecnológica e estamos mais bem preparados.
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