The Jerusalem PostIsraeli director Erez Tadmor takes ‘Matchmaking 3’ to New York - and reveals its unlikely secretCNN TürkSON DAKİKA | Fon soruşturmasında yeni gelişme!PunchTenth woman found dead in South Africa’s string of killingsBollywood HungamaVicky Kaushal’s FIRST look from Sanjay Leela Bhansali's Love & War is all intensity, no apology!InquirerFlash flood kills 1, leaves 4 high school students missing in Zamboanga SibugayBBC NewsRayner criticises visa rule proposals ahead of Labour conference매일경제추석 귀경길 정체, 내일 새벽 2∼3시께 풀릴 듯…귀성길 교통은 원활Daily Mail'There are worse things in life than infidelity': Jeffrey Archer's wife Mary on the secret to their long-lasting marriage - as the couple give a fizzingly honest interview to mark the release of his final ever novelSportstarIndia in Athletics LIVE Updates, Asian Games 2026: Tejaswin Shankar, Thowfeeq Noushad in action in decathlon high jump; Jyothi Yarraji pulls out of hurdles heats3DNewsИИ-агенты OpenAI оставили миллион следов взлома Hugging Face в открытом интернете7sur7Deux grévistes de la faim palestiniens pris en charge à l’hôpital à Bruxelles경향신문‘예테크’ 시대 돌아왔다···연 8% 파킹통장까지 등장
The Daily Newsstand · Free, Always
Saturday, September 26, 2026

"Mundo não deve estar dividido" entre religião e ciência

Translate

O académico e cientista da área da Física Teórica Carlos Fiolhais lamentou este sábado o crescimento de grupos organizados que utilizam a religião como forma de fazer oposição à ciência e propõe campos de diálogo entre as duas partes.

Esse é um dos temas do livro agora publicado “Deus e a Ciência, diálogos para a salvação do mundo”, em que Carlos Fiolhais propõe conversas e aproximações entre as duas dimensões em vez do conflito, que tem aumentado devido ao radicalismo religioso.

“Há grupos, de facto extremistas mas com uma base religiosa, que querem interpretar a Bíblia literalmente e querem dizer, no fundo, que a Bíblia é um livro de ciência”, o que contraria todos os séculos da modernidade e a própria hierarquia religiosa católica.

Esses radicais transformam a Bíblia num “livro totalitário, que tem lá tudo, o que significa que a ciência não é precisa ou é apenas subsidiária para confirmar o que está já escrito”, afirmou o professor catedrático da Universidade de Coimbra, salientando que “essas atitudes são anticientíficas, porque isso nega a ciência” e a própria teologia.

“Essas pessoas estão equivocadas, tanto do ponto de vista científico como do ponto de vista teológico”, porque “toda a reflexão teológica séria implica a leitura dos textos sagrados no seu contexto”.

“Nós devemos o nosso desenvolvimento, o nosso bem-estar e a nossa civilização à ciência (…), as pessoas parece que se esqueceram”, salientou o investigador.

A saúde, disse, “é um bom exemplo dos avanços da ciência”, mas há quem invoque questões religiosas “que não constam da Bíblia” para ter um discurso “anticientífico” que acaba por condicionar a própria sociedade, como os “movimentos negacionistas da crise ambiental e antivacinas”.

“É preciso defender a ciência, porque a ciência tem a ver com a racionalidade. A racionalidade humana, mas também a racionalidade do mundo, porque a humanidade tem-se desenvolvido por causa desses avanços. O mundo de hoje não deve estar dividido entre ciência e religião, essa é a tese fundamental do livro”, defendeu.

“A ciência não pode estar isolada e não está isolada, relaciona-se com tudo na nossa vida, com a política, com a arte e também se relaciona com a religião, por formas que, por vezes, não são óbvias”, afirmou Carlos Fiolhais.

“Além de cientista, sou comunicador de ciência, gosto que as pessoas, de algum modo, percebam melhor o papel e o relevo da ciência como uma dimensão humana que se relaciona com outras dimensões humanas”, justificou o autor.

Para Carlos Fiolhais, “ciência e religião tiveram no passado, ainda têm infelizmente hoje, atritos, choques e colisões, mas (…) são duas dimensões diferentes, que não disputam o mesmo território mental”, porque “o ser humano é um território rico que pode ter em si essa dimensão da racionalidade e a dimensão da fé”.

O investigador, doutorado em Física Teórica, recorda que muitos sacerdotes e religiosos contribuíram para avanços científicos e que os últimos dois Papas tinham formação científica.

“Há casos suficientemente elucidativos, e eu falo disso no livro, para percebermos que há essa compatibilidade, que é possível um diálogo rico” para as duas dimensões do ser humano, nomeadamente questões como o uso da Inteligência Artificial ou no campo da ética.

“É evidente que a ciência é que proporcionou a inteligência artificial”, mas “a diferença entre o bem e o mal não é uma coisa da ciência”, que “está longe de ser tudo na nossa vida”, exemplificou.

E para a ética, a tradição religiosa é “um grande contributo”, porque corresponde a hábitos e reflexões com o peso da história da humanidade.

“E é por isso, que no título do livro, falo em diálogos no plural”, porque “há várias disciplinas de ciência e há várias religiões e, portanto, há várias possibilidades de incitar essas conversas”, explicou Fiolhais.

No livro, o divulgador de ciência conduz o leitor pela história e pelos pontos de conexão entre as duas dimensões, com destaque para as questões éticas mais recentes sobre a atividade científica.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.