Pablo agarrou no Rosario e o campeão foi fiel à sua fé

Se dúvidas ainda existissem, apesar de estarmos ainda no início do Campeonato, há realidades que sofreram modificações esta temporada. 1) Por ter sido campeão e pela forma como conseguiu ser superior em relação a toda a concorrência, o FC Porto entrava como favorito na presente edição da Liga com a base sólida que fez a diferência desde a chegada de Farioli e que não sofreu qualquer baixa à exceção da lesão de Samu; 2) Por ter arriscado mudar o núcleo duro da equipa num projeto a médio prazo para desenvolver um novo ciclo para os próximos três/quatro anos, o Sporting arriscava ter um ano de reformulação e não de competitividade por troféus como acontecera desde 2020 – e o novo empate em Alvalade com o Arouca mostrou isso mesmo; 3) Por ter começado tudo de novo depois da escolha de Marco Silva perante a saída de José Mourinho, havia um Benfica a dar tudo para voltar aos títulos depois das épocas aquém que foi somando desde 2022/23.
FC Porto-Benfica. Liderança em jogo no primeiro clássico da temporada
Essa hierarquia de favoritismos não era a única diferença. O primeiro jogo grande da temporada, neste caso com um clássico no Dragão entre FC Porto e Benfica, chegava com vários pontos de contacto com a partida da primeira volta entre ambos no último Campeonato mas uma grande nuance: enquanto Mourinho não queria perder na Invicta sob risco de ficar com as contas da prova quase fechadas com a possível distância de sete pontos que se podia abrir, Marco Silva sabia que, jogando para ganhar, “arriscava” subir ao primeiro lugar contra uma formação azul e branca que somava por triunfos os encontros feitos até ao momento. Com o Sporting a levar seis pontos perdidos em apenas sete jornadas, era aqui que se começavam a focar atenções.
Com essa liderança em disputa, na antecâmara da paragem das seleções (e de três semanas de paragem sem Campeonato), ambos tinham algo para provar num teste ao atual momento que motivou uma procura ainda mais desenfreada aos bilhetes que restavam para se chegar à lotação esgotada num ápice.
HOJE HÁ CLÁSSICO ⌛️
???? Benfica remata mais e está hiper eficaz no aproveitamento do perigo criado
???? Porto ataca menos mas cria perigo em dimensão semelhante, embora com especialização clara na bola parada (cantos)
???? Benfica pressiona mais no terço intermédio e está a permitir… pic.twitter.com/h7wJ6HXct4— GoalPoint (@_Goalpoint) September 20, 2026
No caso do FC Porto, que somava por triunfos a partida feita na Liga e que sofreu apenas uma derrota até ao momento na Liga dos Campeões diante do Manchester City, havia essa intenção de afastar as dúvidas que se criaram nas derradeiras partidas entre o binómio agir-reagir. Expliquemos: depois de um arranque onde os dragões conseguiam fechar a questão pela forma como entravam no jogo e geriam depois a vantagem, os triunfos com Moreirense e Casa Pia tiveram o ponto comum de ver o adversário ganhar avanço antes de um empate em cima do intervalo e da vitória construída na segunda parte. A lesão de Victor Froholdt tinha o condão de mexer com as dinâmicas coletivas da equipa, as ausências no eixo central recuado também foram obrigando a maior rotatividade, a chegada de Santi Giménez para o ataque ainda está longe do impacto que pode vir a ter com o passar das semanas. No entanto, no mais relevante, os azuis e brancos não desarmavam.
Chegámos juntos.#FCPSLB #PortoDeHonra pic.twitter.com/qSUFDozyoS
— FC Porto (@FCPorto) September 20, 2026
“Ainda é cedo para falar em jogos decisivos mas é um encontro importante para a classificação, para a cidade, para os adeptos e para o clube. Tem o peso de qualquer jogo importante. Será um desafio que exige uma grande exibição da nossa parte, com um grande espírito e desejo perante os nossos adeptos. Há todas as condições para enfrentar o jogo com a mentalidade certa. A identidade de ambos os clubes é clara, o que querem, o que queremos. Como tentamos abordar cada jogo e na análise nunca é sobre os jogos recentes apenas, mas também sobre o passado dos treinadores. O que [Marco Silva] fez no Fulham tem padrões claros que são repetidos aqui. Há algumas pequenas diferenças, tem sido mais agressivo com bola. Cinco pontos em caso de vitória? Sim, é matemática mas nada mais do que isso”, destacara Francesco Farioli, que não falou sobre a possibilidade de jogar com Froholdt mas anunciou as ausências de Nehuén Pérez e Seko Fofana.
"É um jogo muito importante para a cidade, para o clube e para nós jogadores. Depois desta chegada é impossível alguém não estar motivado"
????️ Cláudio Ramos após a chegada da equipa antes do #FCPSLB ???? pic.twitter.com/632EJUT0y9
— FC Porto (@FCPorto) September 20, 2026
Do outro lado, Marco Silva voltava a viver as emoções de um jogo grande no Dragão (onde foi feliz quando estava no Sporting, para a Taça de Portugal) numa altura em que colocara o Benfica num processo acelerado de consolidação de uma ideia de jogo com resultados à vista: maior consistência defensiva sobretudo nas transições, melhor capacidade de criar oportunidades, um coletivo que puxava pelo melhor que a equipa tem em termos individuais com Prestianni à cabeça percebendo-se que a entrada de Palhinha e o regresso de Aursnes tiveram impacto direto nesse crescendo. Mais: mesmo jogando com uma versão quase alternativa, a vitória em San Siro na primeira jornada da Liga Europa reforçou ainda mais a confiança de um conjunto em cada vez maior simbiose com os adeptos, que voltaram a acreditar ser possível chegar ao título.
❌ ???????? ???????????????????? ???????????????????? ????????́???????????? ????????????????????????????́???????????? ???????? ????????????????????????????
Após 55 jogos para o campeonato, os encarnados voltaram a perder. O desafio estatístico era igualar o melhor registo da história do clube – 56 -, mas a derrota no Dragão impediu esse feito. pic.twitter.com/H2JDM1gTgS
— Playmaker (@playmaker_PT) September 20, 2026
“Antecipamos um jogo difícil, como todos os clássicos são e por tudo o que acarreta e está em volta do jogo para o clube. Estão três pontos em disputa entre dois candidatos. Jogando fora de casa, tem um acréscimo para nós, como teria para eles. Esperamos um ambiente de clássico fora de casa. Normalmente, não há favoritos. Há pequenas vantagens, como jogar em casa. O FC Porto teve também a semana para preparar o jogo, nós não. Se queremos lutar por coisas importantes, temos de estar habituados a estes ambientes. O FC Porto é uma equipa muito sólida com e sem bola, forte em transição ofensiva e com um ataque posicional muito claro. Resolve muitos jogos de bola parada quando estão bloqueados. É muito forte, respeitamos isso, mas olhamos também para aquilo que tem sido o nosso crescimento como equipa”, frisara Marco Silva, que perdeu também na antecâmara do jogo Enzo Barrenechea, que vai parar algumas semanas.
Juntos, até ao fim. pic.twitter.com/v6lH9hMyUV
— SL Benfica (@SLBenfica) September 20, 2026
Os dados estavam lançados para o jogo da liderança – com tudo o que podia depois ajudar na luta pelo título. No final, sobrou outra vitória do FC Porto num filme com tantos capítulos que provavelmente ainda estarão a ser falados quando o Campeonato voltar daqui a três semanas. Muitos casos de arbitragem, quatro golos, três pontos assentes em dois momentos que consagraram um protagonista muitas vezes secundário que se tornou artista principal: quando Lenglet foi expulso por acumulação, Froholdt ganhou o duelo do meio-campo à “sombra” de João Palhinha e Pablo Rosario tomou conta do jogo pelo corredor central, sem bola a encostar na linha defensiva e em posse a subir para criar desequilíbrios na frente. Depois de uma entrada que deixou a desejar, foi quando os dragões agarraram nos mandamentos de Rosario que se encheram de fé para chegarem à sétima vitória consecutiva que reforçou a liderança com cinco e seis pontos a mais dos rivais.
????⬇️ ????????????́???????????????? ???????????????????????????? ???????????? ???????????????????? ???????????????? ????????????????????????????????…
O central francês foi expulso aos 35 minutos, tornando-se na expulsão mais precoce de sempre de um jogador do Benfica num Clássico. pic.twitter.com/8NmWvozaKx
— Playmaker (@playmaker_PT) September 20, 2026
GOALPOINT RATINGS & XG ????
[ Porto 3-1 Benfica ] Hegemonia dinamarquesa nos MVPs???? FC PORTO : FROHOLDT ???????? foi o MVP mas esteve bem acompanhado, sobretudo por dragões como PEPÊ ????????, HWANG ????????, ROSARIO ???????? e ANDRÉ SILVA ????????, todos protagonistas no triunfo do imparável dragão
????… pic.twitter.com/8sAe58a0t6
— GoalPoint (@_Goalpoint) September 20, 2026
Ficha de jogo
↓ Mostrar
↑ Esconder
FC Porto-Benfica, 3-1
7.ª jornada da Primeira Liga
Estádio do Dragão, no Porto
Árbitro: Miguel Nogueira (AF Lisboa)
FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa, Bednarek, Kiwior, Martim Fernandes (Francisco Moura, 68′); Pablo Rosario, Victor Froholdt, Gabri Veiga (Hwang Inbeom, 38′); William Gomes (Borja Sainz, 68′), Pepê (Pietuszewski, 84′) e André Silva (Samu, 84′)
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos Dominik Prpic, Souza, Alan Varela, Luís Gomes, Gabriel Mec e Santi Giménez
Treinador: Francesco Farioli
Benfica: Samuel Soares; Alex Bah, Tomás Araújo, Lenglet, Dahl (El Karouani, 85′); João Palhinha, Aursnes (Leandro Barreiro, 74′), Sudakov (Circati, 38′); Rafa Silva (Lukebakio, 74′), Prestianni (Schjelderup, 74′) e Pavlidis
Suplentes não utilizados: Trubin, Banjaqui, Manu Silva, Kaminski, Claudio Echeverri, Jhon Durán e Anísio Cabral
Treinador: Marco Silva
Golos: Gabri Veiga (31′), Bah (51′), Froholdt (54′) e Hwang Inbeom (60′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Gabri Veiga (5′), Lenglet (25′ e 35′), Prestianni (34′), Hwang Inbeom (79′), Bah (90+2′), Pietuszewski (90+2′) e Tomás Araújo (90+3′); cartão vermelho por acumulação a Lenglet (35′)
Numa clara aposta do Benfica com e sem bola, os encarnados não tiveram problemas em criar algumas zonas de pressão mais altas antes de baixarem quando a primeira fase de construção era superada e jogar em posse a fazer rodar a bola a partir de trás pelos corredores quando conseguiam recuperar, ativando também várias vezes Sudakov a cair mais para a esquerda aproveitando o foco em Prestianni para explorar as transições. O FC Porto jogava em casa, o FC Porto tinha o ambiente consigo, o FC Porto sentia dificuldades em superar a teia que tinha sido montada pelo técnico contrário, com João Palhinha a pisar os mesmos terrenos pelo meio de Froholdt para segurar os movimentos de rutura do dinamarquês. Entre tudo isso, com um amarelo logo no quinto minuto a Gabri Veiga por pisão a Bah e protestos por um empurrão de Rafa nas costas de Martim Fernandes na área (9′), havia um Benfica mais confortável nos minutos iniciais do clássico.
[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do FC Porto-Benfica em vídeo]
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.