Deputados ligados a igrejas evangélicas perdem votos para bolsonaristas

Representante da Igreja Internacional da Graça de Deus, David R.R Soares também não alcançou a reeleição. Em 2022, o filho do líder religioso R.R Soares obteve 93 mil votos, quatro anos depois chegou a 61 mil e ficou de fora da Câmara.
Para especialistas consultados pelo UOL, os números fazem parte de um cenário mais amplo da força da presença que o bolsonarismo tem ganhado sobre o centrão e a direita tradicional. "Já era um fenômeno em 2022 e 2024, no que toca os evangélicos, mas agora parece estar mais evidente e pegando também o centrão de forma mais ampla", aponta Vinicius do Valle, cientista político.
Ana Carolina Marsicano, pesquisadora do Laboratório de Estudos de Religião e Política, explica que o cenário demonstra não só um "enfraquecimento da religião na política", mas uma mudança na forma de mobilizá-la.
Para socióloga, o candidato que tem ganhado espaço é aquele que mistura "representação político-religiosa, capaz de conectar pertencimento cristão, disputas ideológicas e circulação nas plataformas digitais".
Uma pesquisa do Iser (Instituto de Estudos da Religião), em parceria com a Quaest, apontou que 8 em cada 10 religiosos são contra o debate político dentro de espaços religiosos. A maioria —9 em cada 10— também não concorda que suas lideranças liberem a presença de candidatos para fins eleitorais. O levantamento inclui brasileiros que se declararam como católicos ou evangélicos.
Até mesmo quem conseguiu a cadeira no Legislativo viu sua votação cair. O deputado federal Paulo Freire Costa (PL), filho do pastor presidente José Wellington, da Igreja Assembleia de Deus Ministério do Belém, foi reeleito com 99 mil votos, contra mais de 161 mil, que conquistou em 2022.
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