De Jairo a Morisco: Coritiba volta a ter goleiro titular da Seleção após 50 anos


Pedro Morisco aparece como revelação no gol do Coritiba
A última vez foi em 28 de abril de 1976, quando Jairo começou jogando na vitória por 2 a 1 sobre o Uruguai, no Maracanã, pela Taça do Atlântico. Meio século depois, Morisco terá a oportunidade de ocupar o mesmo espaço histórico.
A titularidade foi confirmada pelo técnico Carlo Ancelotti e representa mais um passo na rápida ascensão do goleiro. Depois de duas temporadas na Série B, com direito a título na última delas, Morisco assumiu a meta do Coritiba e chegou à Seleção já em sua primeira temporada na elite.
A convocação, sozinha, já havia sido uma surpresa para o jogador. A confirmação de que começará entre os titulares tornou o momento ainda mais especial.
— Quando eu soube que poderia acontecer, já era uma surpresa tremenda para mim, porque significava que consegui pelo menos ser visto. Já estava com essa conquista. Venho de dois anos na Série B. Vamos lutando por alguns objetivos e a gente sonha, mas neste ano eu pensava muito em criar casca, aprender muitas coisas ainda e, quem sabe daqui a um ou dois anos, ser convocado. E aconteceu logo no primeiro ano, foi uma surpresa tremenda. Com certeza foi no tempo certo, no tempo que Deus queria — comemorou.
Pedro Morisco, goleiro do Coritiba servindo a seleção brasileira — Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Jairo chegou ao Coritiba em 1972 e rapidamente se transformou em um dos principais jogadores do time. As atuações pelo clube chamaram a atenção de Oswaldo Brandão, então técnico da Seleção, que o convocou para a Taça do Atlântico.
Reserva de Waldir Peres nos jogos anteriores, Jairo recebeu a oportunidade justamente contra o Uruguai. A partida terminou com vitória brasileira por 2 a 1, mas ficou marcada também por uma briga generalizada entre os jogadores após o apito final. Rivellino ainda foi perseguido pelo uruguaio Sérgio Ramirez na tentativa de chegar ao vestiário.
O desempenho pela Seleção ajudou a valorizar ainda mais o goleiro, que acabou contratado pelo Corinthians em 1977. Em São Paulo, reencontrou Oswaldo Brandão e participou da campanha que encerrou um jejum de quase 23 anos sem título paulista. Jairo esteve na segunda partida da decisão contra a Ponte Preta e ficou no banco na finalíssima, vencida pelo Corinthians com o gol de Basílio.
A história de Jairo, porém, vai muito além daquela passagem pela Seleção. Pelo Coritiba, conquistou seis Campeonatos Paranaenses, o Torneio do Povo de 1973 e o Campeonato Brasileiro de 1985, quando era reserva de Rafael Cammarota.
Com 410 partidas, é até hoje o jogador que mais vezes vestiu a camisa do Coritiba. Conhecido como Pantera Negra, Jairo morreu em Curitiba, em 6 de fevereiro de 2019, aos 72 anos.
Jairo, o primeiro goleiro do Coritiba a jogar pela seleção brasileira — Foto: Coritiba
Meio século depois da última aparição de Jairo pela Seleção, Morisco passa a ocupar esse espaço na história do clube. O goleiro também relaciona a própria convocação ao processo de reconstrução vivido pelo Coritiba nos últimos anos.
— A gente sabe da dificuldade. É um clube que vinha passando por momentos não tão bons nos últimos anos, mas sempre revelou muitos atletas e trouxe muitos à Seleção. Não de uma forma direta, mas sim vendendo jogadores cedo e eles depois vindo para a Seleção. Nos últimos dois anos, o Coritiba vem se estruturando, está exigindo muito dos seus atletas e querendo evoluir no cenário nacional. Eu devo muito ao Coritiba por estar aqui. Sem ele, eu não seria nada — disse.
Desde 2023, quando estreou como profissional pelo Coritiba diante do Botafogo, em partida pelo Brasileirão, Morisco acumula 108 jogos. O goleiro também surge como um dos jogadores com potencial para se tornar a maior venda da história do Coxa. O posto é ocupado atualmente por Igor Paixão, negociado por 8 milhões de euros (cerca de R$ 41,6 milhões na época) por 80% dos direitos econômicos.
Até aqui, o goleiro já recebeu sondagens de Bahia, Flamengo, Palmeiras e também da Atalanta, da Itália. Com contrato até o fim de 2027, uma negociação é considerada possível ao final da atual temporada.
Pedro Morisco, goleiro do Coritiba servindo a seleção brasileira — Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Oportunidade para deixar marca
A experiência com a Seleção também representa uma oportunidade para Morisco atuar em um ambiente diferente do que está acostumado no dia a dia do Coritiba.
— Sou um cara que me dedico demais, demais, demais e nesses 15 dias que estarei aqui, eu vou entregar 200%, 300% do que eu posso, porque é uma oportunidade única que a gente tem de deixar a melhor impressão impossível. O futuro, a gente não controla e não sabe o que acontece, mas estamos aqui no presente, a gente faz o hoje, e espero fazer o meu melhor nos treinos e entregar meus 100% do primeiro ao último segundo do jogo — concluiu.
Nos dois primeiros amistosos da Super Data Fifa, Hugo Souza e Otávio foram os goleiros utilizados, respectivamente, no empate por 1 a 1 e na vitória por 4 a 2, ambas partidas contra a Austrália. Agora, com Pedro Morisco entre os titulares, o Brasil enfrenta a Índia no sábado, às 11h (de Brasília), no Estádio Vivekananda Yuba Bharati Krirangan, o Salt Lake, em Calcutá.
Camisa 23: o número de Pedro Morisco na seleção brasileira — Foto: Rafael Ribeiro/CBF
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