11h.Deputado único do BE vai suspender mandato no Parlamento
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Jornal das 11 . Jornal das 11 na Rádio Observador, com edição do Miguel Cordeiro. Miguel, começamos com as colocações para o ensino superior. O curso de Engenharia Aeroespacial da Universidade do Porto volta a ter a média de acesso mais alta.
19,5 valores foi a nota mínima dos colocados nesta licenciatura, que preencheu as 30 vagas previstas. A divulgação das colocações estava prevista para amanhã. Aconteceu mais cedo, houve uma fuga de informação na última noite e já são conhecidas as colocações nas universidades. Maria Inês Rocha, é no norte do país que estão as médias mais elevadas.
O curso com a média mais alta volta a ser o de Engenharia Aeroespacial, na Universidade do Porto, pelo terceiro ano consecutivo. A nota mínima de acesso foi de 19,5 valores. A segunda média mais alta é de 18,9, também no curso de Engenharia Aeroespacial da Universidade do Minho. E em terceiro lugar, surge o curso de Medicina da Universidade do Porto, com uma média de acesso de 18,6. Em Lisboa, a média mais alta é a do curso de Engenharia Aeroespacial, no Instituto Superior Técnico, de 18,6 valores. A nota de acesso mais baixa foi em Gestão Informática, no Instituto Politécnico de Viseu. O último colocado entrou no curso com uma média de 9,7 valores. Nesta primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, o número de candidatos aumentou 14% em relação ao ano passado. Isto equivale a mais 6 mil estudantes. De acordo com o governo, cerca de 85% dos candidatos foram admitidos numa das primeiras três opções, sendo que mais de metade entraram mesmo na primeira opção.
Maria Inês Rocha e dados das colocações no ensino superior. As matrículas dos estudantes agora colocados têm que ser feitas entre a próxima segunda-feira e o dia 27 de agosto. Portanto, começam já essas inscrições nesta semana. Recebemos em direto nesta edição das 11, Luís Ferreira. É presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. Bem-vindo, bom dia.
Bom dia.
Temos este ano números mais elevados no número de colocados. Encontra alguma razão para explicar este aumento?
Antes da razão, eu devo dizer que devemos todos nos regozijar por haver maior número de candidatos e por haver maior número de estudantes que ingressam no ensino superior em Portugal. Eu não sei exatamente qual é ou quais são as razões, mas elas devem prender-se, provavelmente, com a diminuição do número de provas nacionais necessárias para o ingresso na universidade, portanto, no ensino superior, de duas para uma. E depois também pelo fato de o ano passado terem ficado muitos alunos fora e provavelmente eles concorreram de novo este ano. Eram alunos que já estavam mais preparados e, portanto, puderam de novo fazer exames e concorrer este ano. E uma terceira razão eventual, portanto, estes estudos terão que ser feitos mais adiante, talvez devido ao número muito elevado de reapreciações de notas, como nós sabemos, foram muito superiores àquilo que é costume. Tivemos mais de 20 mil reapreciações, sabendo que mais de 70% dessas reapreciações conduziram a notas mais elevadas do que tinham anteriormente e, portanto, provavelmente também terá tido alguma influência nisso. Portanto, qual é o peso de cada um destes três fatores é maior, não consigo dizer neste momento, é preciso fazer um estudo sobre isso.
Sim, Luís Ferreira, tivemos esta situação em que só era previsto conhecermos estas colocações neste domingo, acabou por acontecer mais cedo. Isto não é a primeira vez que acontece, serem divulgados antes do tempo as colocações para as universidades. Isto é um problema? Como é que se explica também esta situação?
Pois, eu não consigo explicar isso e acho estranho, porque neste momento o CRUP e o PCISP, eu sei que também acontece o mesmo, nós ainda não recebemos nenhuma comunicação formal do ministério com essas informações. Essas informações são públicas, são dos meios de comunicação social. Neste momento já estão também no site da DGES e, portanto, podemos saber que são verdadeiras, mas não foram dadas às universidades nem aos institutos politécnicos.
As universidades estão a saber das colocações pela comunicação social.
Nós estamos a saber pela comunicação social, exatamente. Não é normal, do meu ponto de vista, naturalmente.
Muito bem, mas é uma situação que se repete. Há alguma intenção de resolver os problemas? Isto não aconteceu pela primeira vez este ano.
Não, esta fuga de informação eu não me recordo que tenha acontecido, pelo menos desta forma, nos anos anteriores.
Desta forma não.
O que acontece é que às vezes duas ou três horas antes há qualquer coisa que se sabe, mas não desta maneira. Colegas e pais de alunos a dizer que já sabiam onde é que os filhos iam ser colocados. Portanto, embora não saísse ainda a lista nominal, eles já sabiam as notas de entrada em cada um dos cursos, estavam a dizer e a perguntar se eu sabia alguma coisa e eu não sabia. Não é normal, naturalmente.
Vamos voltar a-
Não faço ideia o que está por trás disso.
Vamos voltar a estes dados que já são divulgados, foram divulgados antes do tempo. Lisboa e Porto reúnem grande parte das colocações. São zonas, como sabemos, de grande pressão urbana, com elevados custos também na habitação. Isto pesa também para os alunos. Mas há condições nestas cidades para receber novos alunos e para continuar a ter tantos alunos. Estão a ser feitos alguns esforços para tornar atrativas outras universidades fora dos grandes centros urbanos. Se olharmos aqui para os dados, Bragança continua a ter muitas vagas disponíveis, vagas por preencher, por exemplo.
É verdade, mas eu acho que isso é apenas o fruto daquilo que está a acontecer no país em geral. Há o desenvolvimento do litoral de forma simétrica, o interior está a ser menos desenvolvido, não tem uma série de facilidades, não é só o ensino superior, não basta pôr ali uma universidade ou um instituto politécnico. Se não tem bancos, se não tem correios, se não tem indústria, se não há emprego, naturalmente as pessoas vão saindo do interior e vão cada vez mais estar no litoral e o litoral vai ser cada vez mais procurado. Nós temos que reverter isso, tem a ver com a desertificação do interior e isso é um assunto que ultrapassa largamente o problema das instituições de ensino superior. Eu sei que as câmaras municipais, que as próprias instituições de ensino superior fazem um esforço muito grande para garantir qualidade, para garantir que as suas instituições são bem-sucedidas, mas só por si não conseguem resolver este problema. É um problema mais fundo do que o do ensino superior. Vamos ter regiões como Bragança, em que há uma certa fuga das pessoas que lá estão para outros lugares e há concentração nos grandes centros e no litoral genericamente. Mas repare, isso não significa que nestes grandes centros não haja problemas também.
Claro. Estávamos a falar, por exemplo, da habitação.
É o problema da habitação, mas também um problema, por exemplo, dos arredores de Lisboa, é onde também temos grandes manchas de pobreza e de dificuldades econômicas, etc. E onde as famílias também têm dificuldade em ter os seus filhos a estudar no ensino superior, sobretudo quando nesses mesmos meios, as exigências para entrada no ensino superior e sobretudo nas universidades, é muito elevada. Estas pessoas que nasceram numa casa onde os pais trabalham o dia todo, onde há dificuldades econômicas e financeiras, onde são casas que muitas vezes não há livros, casas onde não há um incentivo familiar para que haja um esforço maior nos estudos, etc. Acaba por também encontrarmos aqui manchas grandes à volta das grandes cidades onde os estudantes não têm acesso ao ensino superior da sua própria cidade ou da sua própria região.
Estamos a falar este ano de 85% dos candidatos serem admitidos nas primeiras três opções, mais da metade entraram na primeira opção. Temos um aumento do número de candidaturas, um aumento do número de entradas logo nesta primeira fase de candidaturas. É preciso aumentar o número de vagas nas universidades em Portugal?
Nós temos é que criar condições para que aumente o número de vagas. Eu tenho a impressão que não é a falta de vagas em termos globais. O que pode acontecer é que em determinadas zonas onde há maior procura, o número de vagas não seja suficiente. É por isso que as universidades têm uma taxa de ocupação já neste momento muito mais elevada e não são estas que estão mais no interior do país. Ou seja, nas zonas já de maior procura, é provável que se houvesse maior número de vagas, também houvesse ainda uma maior taxa de preenchimento. Repare, é verdade que houve um aumento do número de candidatos que fizeram acesso ao ensino superior como primeira opção, mas isso foi inferior ao do ano passado. Ano passado tivemos uma taxa maior. É claro que no conjunto das três primeiras opções, o número é bastante elevado, o que mostra uma maior coincidência entre a oferta de vagas e a procura dessas vagas, mas mesmo assim ainda estamos longe.
Para terminar, a segunda fase vai contar também com alunos da época especial de exames do início de setembro. Espera alguma perturbação nesse processo?
Haverá alguma perturbação, mas as universidades, eu falo sobretudo das universidades, estão preparadas para isso e haverá algumas aulas que vão começar mais tarde no primeiro ano para garantir que esses alunos não perdem muito da matéria que vai sendo lecionada, vai haver naturalmente também aulas de recuperação. Vamos tentar que o prejuízo seja minimizado ao máximo relativamente aos alunos que vão chegando mais tarde, na segunda e na terceira fase. E esta segunda fase também já vai ser muito mais prolongada, mas nós vamos tentar ultrapassar essa situação, de forma que os alunos não fiquem de todo prejudicados.
Luís Ferreira, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, muito obrigado por ter estado conosco na Rádio Observador esta manhã.
Passam agora 12 minutos das 11h, Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade.
Falamos de Luís Neves, ministro da Administração Interna, que estava obrigado a declarar as duas viaturas da mulher à Entidade para a Transparência, mas nunca o chegou a fazer. O Observador confirmou, depois de consultar as declarações de rendimentos de Luís Neves, ao contrário do que o ministro alega para justificar a omissão, o valor dos automóveis não interfere com a obrigação de os declarar. O deputado único do Bloco de Esquerda, Fabián Figueiredo, vai suspender o mandato no Parlamento, vai ser substituído por Andreia Galvão. Notícia avançada pelo jornal Expresso, na comunicação que já fez aos serviços da Assembleia da República, o deputado explica que vai ser substituído temporariamente por motivos pessoais. Andreia Galvão vai assumir o lugar de deputada durante o mês de setembro. Fabián Figueiredo regressa em outubro, ainda antes da data de entrega do Orçamento do Estado. Depois do falhanço das negociações comerciais entre Estados Unidos da América e Canadá, Washington impõe novas tarifas, 50%, sobre os produtos do país vizinho. O representante comercial norte-americano, Jameson Greer, responsabiliza o Canadá pelo colapso das conversações, diz que o país se recusou a concluir o acordo nos termos que tinham sido acordados no início da semana.
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