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Tuesday, October 13, 2026

Simulação eletroenergética: onde o setor elétrico decide seu futuro

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O Sistema Interligado Nacional é uma das maiores máquinas já construídas: são milhares de usinas conectadas a uma rede de transmissão com cerca de 190 mil km de extensão. Esses elementos precisam operar em sincronia, mesmo sob incertezas que vão da hidrologia às condições de vento e demanda. Coordenar essa máquina não se resolve com intuição, e sim, com simulação. Para isso, os modelos computacionais de simulação eletroenergética ganham relevância, por incorporarem uma representação detalhada da rede elétrica como um dos elementos que fundamentam a qualidade das análises.

No planejamento da expansão, a simulação é usada para antecipar como a rede precisará se adaptar ao crescimento da geração e da demanda. Ela é especialmente relevante em projetos com tempos de implantação distintos: uma linha de transmissão de grande porte leva de cinco a sete anos entre leilão e energização; já um parque solar fica pronto em cerca de dois anos. Identificar com antecedência onde a geração vai se conectar e quais reforços de transmissão valem o investimento exige enxergar a rede em detalhe, sendo que cada leilão de transmissão, no qual são licitados contratos que somam bilhões de reais por ano, é o resultado de um exercício de simulação.

No entanto, a robustez desse exercício depende da qualidade e do nível de detalhamento dos dados. Dito isto, merece destaque o workshop realizado pela Empresa de Pesquisa Energética, ocorrido em julho, de divulgação da Base de Dados Integrada de Geração e Transmissão, cujo diferencial é justamente disponibilizar a rede detalhada, com resolução mensal e horária, indicação de restrições físicas e localização dos empreendimentos, tudo aberto à sociedade. O acesso a uma base pública amplia a transparência de dados e dá melhores condições para a tomada de decisões.

Na operação, o desafio da vez é o corte de geração renovável (o curtailment): usinas eólicas e solares com recurso disponível reduzem sua produção porque a rede não comporta o escoamento ou porque sobra energia. O corte é um fenômeno local (acontece em uma barra, em um corredor, em uma hora específica), e prevê-lo exige modelos que representem o sistema hora a hora, com a rede e suas restrições, para antecipar onde e quando ocorrerá o corte e avaliar a sua mitigação.

Não por acaso, o Operador Nacional do Sistema Elétrico promoveu, um workshop sobre o aperfeiçoamento dos modelos de simulação eletroenergética, e elabora uma ferramenta de prospecção para os agentes simularem cenários de curtailment. Prever o corte é o primeiro passo para reduzi-lo.

A expansão das fontes renováveis e as mudanças climáticas tornaram o cenário de incerteza mais presente. Agora, estamos mais dependentes da capacidade de representar diferentes condições de geração e de rede. A simulação eletroenergética, então, deve ser tratada como infraestrutura tão estratégica quanto as linhas e usinas que ela ajuda a planejar: é nela que o setor elétrico decide seu futuro – e simular bem esse futuro é o que separa uma transição bem planejada de uma transição cara.

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