Donald Trump anuncia acordo de ‘duração infinita’ com a Dinamarca para controlar segurança da Groenlândia

O presidente americano Donald Trump fez o anúncio no fim da tarde desta sexta-feira (18). Ele escreveu nas redes sociais que esse acordo com a Dinamarca concede um controle permanente para os Estados Unidos sobre a segurança e sobre todas as outras necessidades da Groenlândia, mas que isso não significará mais custos para os americanos.
Donald Trump fez esse anúncio e disse, segundo ele, então, que nenhum adversário a partir de agora dos Estados Unidos poderá ter uma base, ou então militares, ou então investimentos sensíveis na região, sem antes ter uma autorização expressa por escrito do governo americano.
Ele disse que esse é um acordo de “duração infinita” e que os Estados Unidos vão já começar a desenvolver uma presença, uma grande presença militar na região. Trump disse ainda, com relação a esse acordo, além dessa presença militar americana, que considera esse território um grande território e um território altamente estratégico, e que os Estados Unidos terão uma postura protetora em relação a ele.
A Groenlândia é uma ilha, a maior ilha do mundo, um território autônomo sob o comando da Dinamarca. Mas desde 2019, ainda no primeiro mandato, Donald Trump vinha falando em comprá-la e transformá-la em território americano.
Donald Trump anuncia acordo de ‘duração infinita’ com a Dinamarca para controlar segurança da Groenlândia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
A Groenlândia tem uma posição estratégica. Ela liga o Ártico, onde China e Rússia mantêm presença militar, ao Atlântico Norte. Uma rota entre Ásia e Europa, que ganhou ainda mais importância com o aquecimento global. É que o derretimento do gelo deixou a navegação por ali mais fácil.
Debaixo desse gelo todo tem muito petróleo e gás e uma das maiores reservas não exploradas de terras raras, tão essenciais para o desenvolvimento da inteligência artificial, das baterias de carros elétricos e turbinas eólicas. Sabe quem domina esse mercado hoje? A China, principal rival dos Estados Unidos.
Desde a década de 1950, Estados Unidos e Dinamarca mantêm um acordo de defesa da Groenlândia, que permite a presença militar americana na ilha. Mas Donald Trump queria mais do que isso e vinha pressionando aliados europeus por um acordo. Chegou a ameaçá-los com tarifas e não descartou o uso de força militar para satisfazer o seu desejo de ter a ilha.
Os países da Europa vinham resistindo. A Dinamarca chegou a dizer que o território não estava à venda. Até que em janeiro de 2026, em Davos, em uma conversa com o secretário-geral da Otan, a aliança militar do Ocidente, Trump disse que Estados Unidos e Dinamarca tinham acertado as bases para um futuro acordo.
“Qual é o objetivo de Donald Trump com esse acordo? Fechar o Atlântico Norte a potências rivais dos Estados Unidos, o que significa especialmente China e Rússia. Fechar o Atlântico Norte e fechar uma seção do Ártico à ação dessas potências. É curioso, porque isso se dá em um momento em que os Estados Unidos se desvinculam cada vez mais da segurança da Europa, mas assumem com mais intensidade a segurança e o controle sobre o Atlântico Norte”, afirma o sociólogo Demétrio Magnoli.
Depois do anúncio de Trump, o governo dinamarquês confirmou e elogiou esse acordo e afirmou que ele vai ser formalmente assinado na semana que vem, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Reações
Em Lisboa, o correspondente Leonardo Monteiro contou as reações na Europa em relação a esse novo acordo americano.
O governo da Dinamarca saudou o acordo, considera um bom plano para a Otan e para Europa. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, declarou que aguarda com expectativa a projeção de um bom acordo para a Groenlândia, o Reino da Dinamarca e os Estados Unidos; que o plano fortalece a segurança comum no Ártico e na região do Atlântico Norte; e que ao mesmo tempo reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino e o direito do povo groenlandês à autodeterminação.
Na semana passada, soldados de 11 países da Otan fizeram manobras militares no território, e a primeira-ministra chegou a sinalizar que estava otimista por um acordo. Será necessária ainda a aprovação pelos dois parlamentos antes que o acordo possa entrar em vigor.
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