Pedro Emanuel explica escolha por três zagueiros e festeja virada do Vasco: "Equipe estava ansiosa"

— Sabíamos que enfrentaríamos um adversário que era muito forte, principalmente em termos de cruzamentos e que tem um ataque bastante forte fisicamente. Viveros não à toa é o artilheiro do nosso campeonato. A estratégia de três zagueiros aconteceu em função de que, nos últimos três jogos, tomamos sete gols. E colocamos três meias que nos permitissem ser consistentes. No gol, a linha defensiva faltou fazer a pressão que se exige e permitimos o arremate de fora da área, mas também houve o mérito do adversário. De resto, a linha defensiva esteve muito valente — analisou o treinador.
— A ideia era haver pressão nos cruzamentos e conseguimos em grande parte dos momentos, mas sacrificamos um homem à frente para ter mais um meia para controlar. A rapidez e a força da frente do ataque do Athletico nos obrigava a não sofrer o segundo gol para entrar no jogo — completou.
Pedro Emanuel em Athletico-PR x Vasco — Foto: Gabriel Machado/AGIF
Mendoza abriu o placar para os donos da casa no primeiro tempo. Após as substituições de Pedro Emanuel no intervalo, o Vasco voltou melhor e chegou à virada com Aguirre (contra), Bruno Duarte e Gabriel Pereira. Com o resultado, o time chegou aos 41 pontos e, neste momento, está a quatro do Grêmio, primeiro time na zona de rebaixamento.
— Outro aspecto que foi fundamental para a virada foi a eficácia ofensiva, que não tem sido boa. Criamos muitas oportunidades e não tínhamos concretizado. Hoje, em cinco ou seis minutos, conseguimos fazer esses gols e, de fato, ajudou muito anímicamente — completou Pedro Emanuel.
Vasco gol comemoração Athletico-PR — Foto: Robson Mafra/AGIF
O treinador também reconheceu que havia ansiedade no elenco com a sequência de resultados negativos. Pedro Emanuel valorizou a eficácia ofensiva do time em Curitiba.
"A equipe estava um pouquinho ansiosa. A gente havia falado sobre isso na preparação do jogo. Nós tínhamos seis finais antes deste jogo. Sabíamos que era muito importante ter uma vitória nesta fase do campeonato, até porque as equipes à nossa volta vêm dando a vida e conquistando pontos", exaltou o técnico.
— Quando ganhamos a vantagem, não baixamos as linhas, fomos bastante compactos. E, depois da expulsão, não concedemos quase nada. Voltamos a ganhar, a marcar mais de dois gols, o que é importante para ganhar a confiança. Mas, acima de tudo, ganhamos uma variabilidade de forma como queremos e podemos jogar, a depender do adversário.
A vitória vascaína quebrou um tabu histórico. Eram 19 anos sem vencer o Athletico-PR na Arena da Baixada. Considerando apenas o Brasileirão, o time carioca nunca venceu no estádio e não batia o Furacão fora de casa desde 1998.
Agora, a equipe concentrará as suas forças na busca pela classificação à final da Copa do Brasil. Após perder a ida para o Palmeiras por 1 a 0, o Vasco receberá o time paulista no próximo domingo, em São Januário.
Outros pontos da coletiva
Questão física dos jogadores
— Temos jogado muito, com pouco tempo para recuperação. Demonstramos que é importante essa questão. Há jogadores que não têm somente a parte física, mas também a parte mental, e isso pode cair. Temos que ter atenção a isso, faltam poucos jogos para o final e queremos ter todos. Sabíamos que o Andrés não estava 100%, mas quis vir e contribuir. Sabíamos que o Marino também não estava, apesar de que não tenha vindo. É importante que todos entendam que estão prontos e preparados para contribuir, e só com esse espírito vamos atingir os nossos objetivos no Brasileirão.
Importância do trio de ataque no 2º tempo
— Fossem quais fossem os jogadores que entrassem, era importante, porque estávamos a perder. Subir a nossa pressão mais intensa nos três zagueiros, criar essa superioridade. Até porque os nossos laterais estavam a bater bem com os laterais deles. A grande dificuldade era a linha de trás. Em alguns momentos, cheguei mais próximo dos avançados, dos meias nesse caso. Que nesse caso eram os meias que vinham mais para dentro. Abdicamos dos três meias para introduzir mais um homem lá na frente. Foi uma estratégia para não perder aquilo que era a antecipação. Nisso os três zagueiros foram básicos na segunda parte, sabendo que íamos correr riscos, mas que seríamos fortes nos duelos. Calhamos por conseguir, baixamos um pouquinho o Thiago (Mendes) e o Alan (Lescano). Depois, com a variedade do Facundo Colidio e do Andrés (Gómez), mais profundo, com mais capacidade de ferir o Athletico. Surgiu essa oportunidade, aproveitamos, foi muito importante. Houve uma pressão inicial, vimos que tínhamos que ir atrás do placar. Acho que foi uma vitória justa contra um adversário muito valoroso que faz um campeonato fantástico. Hoje era muito importante mostrar nosso jogo, nosso valor, e os jogadores fizeram isso, com muita energia.
Convicção para manter os três zagueiros
— Não foi uma convicção, foi uma necessidade. Mantivemos os três zagueiros porque estávamos sendo valentes e lutando contra um time que procurava muita profundidade e que tem um aspecto físico em seu jogo. Senti que estávamos mais compactos e não nos expondo demais. Fazia mais sentido manter os três zagueiros. O Sosa começou muito bem, depois teve um ou outro momento. Foi exceção por dois aspectos: o adversário que íamos encontrar hoje e a sequência de jogos que estamos tendo, sofrendo muitos gols. Principalmente em cruzamentos e em zonas dos três defensores. Basicamente, foi por isso, porque era esse adversário. Domingo deve ser diferente por ser um adversário que se porta de outra maneira.
Colidio
— Ele tem características que poucos jogadores têm na nossa equipe. Tem profundidade, é uma coisa que precisávamos. Depende do adversário. Eles tinham uma linha defensiva que não era intensa em cortar espaços. Então ele teve apoio para flutuar e dar apoio aos dois meias. Ele era um terceiro meia com a bola e terceiro atacante sem ela.
Atuação dos zagueiros
— A parte física, se você quiser ter uma equipe que seja intensa e pressionante como fomos na primeira parte, isso desgasta. Nem todos os jogadores estão hoje prontos para fazer isso de três em três dias. Agora, a intensidade que colocamos na segunda parte é difícil. Muito mais fazer em 90 minutos ou em dois jogos num espaço de três dias. Temos algumas nuances na forma como estruturamos a equipe, como no 4-3-3 com variantes. Acho que hoje, na segunda parte, fomos muito mais eficazes no encurtar entre linhas, quer seja do meio para a frente ou a linha protegendo os médios. Acho que fomos muito capazes. E essa linha de três zagueiros foi muito valente. O Saldivia faz um jogo fantástico. Não tem um erro ou uma asneira como a do jogo anterior. Foi expulso no jogo anterior, como disse, cria a segurança na posição. Marcou o artilheiro do campeonato. Diz muito do trabalho que teve e da performance que pôde entregar à equipe. Sobre os outros dois zagueiros: Gabriel e Ronald. Já conhecia o Gabriel, tem características não só técnicas, mas capacidade de encurtar também. Conseguimos chegar mais perto da baliza também pela introdução do Duarte, não só do Colidio, também estar no lugar certo para finalizar foi fundamental para nos dar esse alento e sermos bem mais eficazes do que temos sido.
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