Disputa de Lula não é com Flávio, é com 'sentimento de mudança', diz Edinho Silva
O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, afirmou nesta sexta-feira, 2, que a estratégia do partido para um eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) deverá partir da tentativa de dialogar com eleitores e setores da sociedade que não estiveram ao lado da legenda na primeira etapa da eleição.
Segundo Edinho, uma segunda etapa exige a ampliação da base política e a incorporação de novas propostas.
“Você tem que ampliar. Se você traz setores da sociedade, se você traz setores que não estavam com você no primeiro turno ou estavam mais intimidados, você tem que negociar propostas, você tem que incorporar propostas. Eu acho que esse é o movimento natural”, afirmou em coletiva em São Paulo.
Edinho também avaliou que a disputa eleitoral não deve ser compreendida apenas pela comparação entre Lula e seus adversários. Para o presidente do PT, existe um “sentimento de mudança” entre parte do eleitorado que pode influenciar a segunda etapa.
“Nós estamos disputando com um sentimento de mudança”, afirmou.
Segundo Edinho, o candidato que representa esse sentimento pode variar de acordo com o cenário da disputa. Ele citou diferentes nomes do campo adversário, como Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), para sustentar sua avaliação de que o movimento não estaria necessariamente associado a uma única candidatura.
“O Flávio [Bolsonaro] é o catalisador desse sentimento. Porque ele de fato representa uma força antagônica”, disse.
O presidente do PT afirmou ainda que, na avaliação dele, há uma parcela do eleitorado que se identifica com posições mais conservadoras e outra mais progressista, enquanto um terceiro grupo estaria em disputa.
“Então, nós estamos disputando com um sentimento de mudança. E por isso que [temos que] debater com a sociedade brasileira”, afirmou.
Segundo a nova pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira, 1º, no segundo turno, Lula manteve a vantagem numérica e teve uma variação positiva, dentro da margem de erro, de 47% para 48%. O senador do PL permaneceu com 45%. A diferença passou de dois para três pontos percentuais, mas os dois seguem tecnicamente empatados.
Nesse cenário, 6% dizem que votariam em branco, nulo ou em nenhum dos dois, enquanto 1% se declarou indeciso.
Nos outros cenários, o atual presidente aparece com 48% contra 42% de Caiado. Na simulação contra Zema, Lula tem 49%, enquanto o ex-governador mineiro aparece com 40%. Contra Renan Santos, o petista registra 48%, e o presidente do Missão, 39%.
PT fala em 'ampliar diálogo'
A estratégia para um eventual segundo turno, segundo Edinho, passa por ampliar o diálogo para além da base atual do partido. Ele afirmou que o PT deverá conversar com setores políticos e sociais que não necessariamente apoiaram Lula no primeiro turno.
O dirigente também disse que o partido pretende estabelecer pontes com candidaturas de direita que, segundo sua avaliação, defendam valores democráticos.
“Eu acho que a gente tem que abrir, Danilo, o debate dos valores democráticos. Tem mesmo candidaturas com espectro mais à direita que valorizam a democracia. Querem um Brasil democrático, um país que respeite a democracia. Eu acho que a gente tem que abrir esse diálogo”, afirmou.
Para Edinho, a estratégia será construída após a definição do resultado do primeiro turno e dos candidatos que avançarão para a segunda etapa.
O primeiro turno das eleições acontece neste domingo, 4, a partir das 8h.
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