CVM absolve ex-executivos do IRB em caso de falhas em balanço financeiro de 2019
Rio de Janeiro A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) absolveu nesta terça-feira (6) executivos da resseguradora IRB Brasil RE, acusados de falhas na elaboração do balanço financeiro de 2019, que chegou a ser refeito no ano seguinte, em meio à maior crise da história da companhia
O principal acusado era Fernando Passos, diretor financeiro do IRB à época da crise. Ele foi absolvido sob o argumento de que já havia sido condenado em 2025 a multa de R$ 20 milhões por manipulação de mercado e não poderia ser punido duas vezes.
Passos recorreu da multa ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, mas o recurso ainda não foi julgado. No processo julgado nesta terça, defendeu a nulidade das provas, as quais a Justiça já anulou, e disse que não poderia haver responsabilidade individual pela confecção das demonstrações contábeis.
Publicidade
Os argumentos foram rejeitados tanto pela Procuradoria da CVM quanto pelos diretores, mas ele foi absolvido porque "as condutas descritas na acusação, tal como formuladas, integram o mesmo desígnio já sancionado por este colegiado", disse a autarquia.
O ex-presidente do conselho de administração do IRB, Ivan Monteiro, o ex-presidente da empresa José Carlos Cardoso, e a ex-diretora de Riscos e Conformidade Lúcia Maria da Silva Valle foram acusados de falta ao dever de diligência, mas absolvidos.
C-Level
Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesA avaliação dos diretores da CVM é que a acusação não conseguiu imputar a eles essa responsabilidade individual. O julgamento contou com três dos hoje quatro diretores da autarquia —a diretora Marina Copola se declarou impedida.
Publicidade
A crise do IRB veio à tona no início de 2020, quando a casa de análises Squadra divulgou relatório questionando as informações financeiras divulgadas pela resseguradora, que estaria, segundo o texto, manipulando os números para inflar os lucros.
As ações despencaram e, logo depois, Passos e Cardoso disseram a analistas que o fundo de investimentos Berkshire Hathaway havia comprado participação relevante na empresa, levando as ações, a subirem 13,2%.
A informação, porém, foi desmentida pelo fundo do megainvestidor Warren Buffett, que disse nunca ter participado e nem ter o interesse de participar da empresa, detonando uma onda de desconfiança em relação à gestão da companhia.
Em meio à crise, Passos e Cardoso renunciaram aos seus cargos. Após o escândalo, o IRB admitiu as fraudes e decidiu republicar o balanço de 2019, reduzindo em R$ 550 milhões o lucro líquido realizado durante o ano. A empresa anunciou ainda queda de 92,2% no lucro do primeiro trimestre.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.