Preços dos bilhetes de avião vão "subir significativamente"

O presidente executivo da Ryanair, Michael O’Leary, avisou nesta terça-feira que os preços dos bilhetes de avião, de um modo geral, vão “subir significativamente” no próximo ano, resultado da evolução dos preços dos combustíveis mas, também, do que considera ser uma atuação errada da Comissão Europeia, liderada por uma presidente, Ursula von der Leyen, que considera ser “uma inútil“.
Numa entrevista à Euronews, esta terça-feira, Michael O’Leary antecipou um aumento histórico dos custos suportados pelas transportadoras aéreas, que não deixarão de se refletir nos preços pagos pelos consumidores, de um modo geral. Embora a Ryanair, em particular, tenha conseguido fixar os preços de parte do combustível que compra em 67 dólares por barril, essa proteção vai acabar em breve e o preço que suporta vai saltar “para o dobro”.
“Garantimos que não haverá sobretaxas de combustível”, disse O’Leary, “mas não há dúvida de que as passagens aéreas irão aumentar significativamente em 2027“.
É neste âmbito que o líder da Ryanair defendeu que as companhias aéreas norte-americanas, asiáticas e chinesas devem pagar taxas ambientais equivalentes às aplicadas às transportadoras europeias, porque neste momento as companhias extra-UE beneficiam de uma “isenção apesar de contribuírem com mais de metade das emissões” poluentes.
“Se levam a competitividade a sério, taxem os americanos quando aterram na Europa“, exigiu, defendendo uma taxa “justa e razoável” aplicável aos voos com partida ou chegada na Europa.
O responsável acusou o “navio de tolos” que diz comandar o Parlamento Europeu de multiplicar regras que encarecem as viagens aéreas, quando os consumidores procuram preços mais baixos, e chamou “inútil” à presidente da Comissão Europeia.
“Ninguém, para além do Parlamento Europeu e de Ursula von der Leyen, conceberia um sistema tão estúpido”, atirou Michael O’Leary.
O dirigente empresarial criticou, em especial, a falta de execução das propostas do relatório de Mario Draghi, publicado em 2024, que recomenda reformas para reforçar a economia europeia: o relatório “está na prateleira a apanhar pó“.
A entrevista decorreu em Bruxelas, onde a Ryanair anunciou a redução de um milhão de lugares e o cancelamento de 20 rotas na Bélgica durante o inverno. A decisão surge após o aumento da taxa sobre viagens aéreas no país, que passou de cinco para sete euros por bilhete.
O’Leary classificou a Bélgica como “não competitiva”, dirigindo críticas semelhantes à França e à Alemanha. A companhia pretende transferir voos para mercados, incluindo fora da UE, onde considera que as condições fiscais são mais favoráveis.
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