Felipe Pezzoni prepara despedida apoteótica da Banda Eva: ‘Agora é a minha vez’

Lá se vão 14 anos desde que Felipe Pezzoni, 42 anos, recebeu das mãos de Saulo Fernandes a responsabilidade de comandar a Banda Eva, um patrimônio musical brasileiro, que tem em sua história grandes nomes do axé music como o próprio Saulo, mas antes dele Emanuelle Araújo, Ivete Sangalo, Durval Lelys e Ricardo Chaves. E agora, no Carnaval 2027, o cantor mais longevo da história do grupo promete, em suas próprias palavras, uma despedida apoteótica.
“A gente está montando um show de despedida que vai contemplar as músicas que, ao longo desses 14 anos, foram destaque em todos os projetos gravados”, adianta em entrevista exclusiva à Quem. “E o grand finale vai ser o Carnaval, né? O bloco vai ser apoteótico, vai ser histórico. Uma grande despedida”, revela.
“Apoteótico” ou “histórico” não são adjetivos exagerados levando em conta o alcance da Banda Eva. Em 2026, por exemplo, as mais de 60 apresentações realizadas no verão se transformaram quase em um slogan da magnitude do projeto. A responsabilidade é tanta que Pezzoni prepara a carreira solo ao mesmo tempo em que cuida da passagem de bastão para Biel Brito, sem descanso.
“Já estou gravando disco novo. Estou trocando o pneu com o carro em movimento, mas está sendo muito gostoso. Mesmo ainda não tendo lançado nada para o público, eu já me sinto realizado por tudo que a gente está conseguindo escrever. Estou ansioso para essa nova história, que está ficando muito legal”, revela.
Para uma transição mais segura, Pezzoni conta com o apoio absoluto e literal da banda, já que sua carreira solo será gerida pelo Grupo Eva, não apenas comercialmente, mas toda gestão financeira. Até o Carnaval, juntos, eles lançam três músicas já com assinatura Eva feat. Felipe Pezzoni.
“Vamos lançar já para conseguir trabalhar minhas plataformas. Está sendo um processo muito leve, muito bacana, como tem que ser, como eu sempre esperei, também por toda admiração e carinho que eu tenho por esse grupo”, diz.
Antes de Felipe, o próprio Saulo construiu uma longa história com a Eva, de 2002 a 2013, e todos os antigos vocalistas possuem uma relação de proximidade e gratidão com a banda. A vontade de seguir novos rumos, assume Pezzoni, não vem de agora, mas de alguns anos atrás.
“Esse chamado veio antes, mas a gente sempre acha que é melhor esperar o momento mais oportuno, um momento que eu vou estar mais preparado, mas nunca vai existir esse momento, né”, filosofa. “Eu já vinha sentindo essa necessidade de escrever a minha própria história, é um caminho natural, né? Muitos artistas fazem também, mas é tudo no tempo de Deus”, defende.
As novas músicas prometem dar indícios dos caminhos que Pezzoni pretende seguir nesse novo momento, “flertando com outros lugares” e experimentando essa liberdade artística recém-conquistada. Ele não esconde que, assim como o otimismo, o medo também está presente.
“É um frio na barriga que há muito tempo eu não sentia. Eu senti no início da minha carreira, quando eu assumi o Eva, e estava sentindo falta desse frio na barriga do desafio, sabe? Não é o medo de paralisar, mas de impulsionar pra minha melhor versão”, decreta.
Com mais de 20 anos de carreira, sendo os últimos 14 à frente do Eva, Felipe bota fé numa colheita abundante, fruto das boas sementes que plantou. Poucas horas depois desta entrevista, ele se reuniu com a esposa, a advogada Rossana Agnoletto, também conhecida como Sana, e os três filhos, Filippo, Vicente e Matteo, para apenas curtir o show da banda Cheiro de Amor, mas foi convidado a subir no trio da cantora Raquel Tombesi para dar uma palinha e o que se seguiu mostra um pouco da potência dessa história.
Foram só duas ou três músicas, mas antes do “final da odisseia terrestre” pela qual conduziu o público “na última astronave”, a plateia queria mais e a energia do ambiente se transformou. Antes de descer do palco, com um sorriso rasgado, Pezzoni pediu para Tombesi não encerrar o show, pois se tratava de um momento raro para qualquer artista. “Não acabe agora”, disse e desceu para curtir ao lado dos seus.
“Agora eu sigo para um novo voo. Depois de tudo que eu aprendi nessa casa, que sempre foi uma grande escola, que revelou artistas do Brasil inteiro, agora é a minha vez de escrever a minha história”, finaliza.
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