Canções para o Regresso à Escola.

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Esta semana no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: canções para o regresso à escola. "We Are Going to be Friends", dos White Stripes, abertura do Isto Não Passa na Rádio esta semana com canções para o regresso à escola. Fui eu que escolhi esta. Eu sou o Nelson Ferreira. Como é que está o Tiago Pereira? Olá, Tiago.
Como é que é, Nelson?
O Tiago gostou desta escolha, que eu notei.
Gostei muito.
Quer dizer, é um bocadinho imediata, não é? A própria letra apela a isso.
Eu não me lembrei.
Eu lembrei-me imediatamente desta canção porque, como diz a letra, o outono está aí, vamos regressar à escola, a campainha toca, temos sapatos novos.
Era um costume do início das aulas, não era? De vez em quando.
Não sei. Tu gostavas de voltar às aulas? Olha, não me lembro.
Pois é. Até porque não gostavas.
Devia ter coisas boas e coisas más. Eu estou a ter um bocadinho essa coisa agora com-
Crianças
...com crianças. As nossas crianças que regressam à escola.
Amigo, mas aí tu gostas do regresso à escola.
Aí gosto. Já estava era a demorar.
Pois é.
E por acaso a criança lá em casa está contente pelo regresso à escola.
Fico muito feliz por ti.
Mas aqui fala-se desta coisa dos cadernos, das canetas.
Essa parte eu gostava muito.
Tipo o novo material.
O cheiro. Depois aquilo começava as aulas e era uma chatice.
Depois também há aqui uma parte engraçada que é quando o Jack White está a cantar do caminho para a escola. Já ninguém vai a pé para a escola. Passar ao parque, perseguir formigas e minhocas.
Depende, se estudares no campo.
Sim.
Mas depois no campo fecham as escolas.
É verdade.
E tens que ir, enfim. Não me faças falar.
É verdade, não vamos por aí. Falam-se dos uniformes também e da roupa de regresso à escola. É uma canção de 2002. Deixa-me só confirmar que tinha aqui nas minhas notas. Exatamente. "White Blood Cells", o disco de 2002 dos White Stripes. Canção muito calminha. É o que é.
O disco que fez, eu não diria explodir, mas tornou os White Stripes populares num primeiro grau e depois veio o Elephant.
Esse é que fez a explosão.
Aí rebenta a bolha.
Mas tem também esta mensagem dos novos amigos, de fazer novos amigos. Isso acho que é uma mensagem interessante no que toca ao regresso à escola.
É verdade, sim, senhor.
Tu trouxeste os Jurassic 5.
Jurassic 5.
"Concrete Schoolyard", que me fez lembrar joelhos muito arranhados.
Eu não sei como é agora, mas no meu tempo, ele lembra-me de escolas sem pavilhões de educação física.
Claro.
Faltas d'água. E os schoolyards, os pátios ou o recreio. Era recreio até certa idade, porque brincavas, e depois a partir de certa idade já não brincavas. Só falavas ou ias para trás do pavilhão desenvolver atividades.
Exatamente. Lembrei-me de uma canção que era a "Hora do Recreio", da Xuxa.
Podia ter sido.
Podia ter trazido.
E era tudo assim, era tudo em cimento, no meu tempo. Era tudo hardcore urbano.
É verdade.
No subúrbio. E esta canção tem esse título. A canção não é sobre o Jurassic 5, nome clássico do hip-hop. Este álbum é de 98, o primeiro álbum dos Jurassic 5. A canção não é sobre escola, mas é sobre a escola no sentido old school. É uma daquelas canções de ego de hip-hop
Ego trip?
Naquela base do: "nós é que sabemos fazer isso e vocês são todos uns-
Uns losers
... uns losers e são uns falsos". E é aquela coisa do rei do recreio.
O rei do liceu?
Sim, the popular ones.
Tem uma canção para isso também.
Claro, mas isso é do melhor ou do pior que há na escola.
A propósito disso, lembrei-me da "Popular" dos Nada Surf, mas trouxe outra canção.
É um grande dilema em termos de escola, não é?
Não é fácil.
Não é fácil. E esta canção lembra-me isso, essa batalha contínua.
Há o recreio da escola em cimento. Ótimo para jogar a bola.
Eu nunca joguei à bola.
A sério?
Não é nunca jogar à bola.
Mas corrias, não? À apanhada.
Eu jogava à bola, quando jogava à bola-
Qual era a tua expertise?
Quando eu jogava à bola é porque tinha que ser.
Faltava mesmo alguém para formar a equipa.
Eu nunca tive prazer nisso.
Ninguém te chamava.
E depois as pessoas que jogavam comigo também não tinham prazer nenhum.
Em jogar contigo?
Claro, porque depois percebiam. Eu era aquele último garoto a ser escolhido.
Claro.
E aqueles: "está bem".
Muito bem, Jurassic 5. Temos mais hip-hop nesta emissão do Isto Não Passa na Rádio. Estamos no regresso às aulas, porque são dias disso mesmo. Lembrei-me aqui de uma canção chamada "The Future's So Bright I Gotta Wear Shades".
Pois é.
O futuro é tão brilhante que eu até tenho que pôr uns óculos de sol, amigo. Esta é uma canção que usa muito dessa ironia, olhar para o sucesso que tem que ser, o percurso de toda a gente. Se queres ser alguém na vida, faz a escolaridade até ao fim. Sabemos que hoje em dia não é bem assim. O sucesso não se mede dessa maneira.
Mas estudem!
Estudem. Aliás, eu tenho uma canção para que não desistam da escola mais à frente. Mas esta goza um pouco com isso, porque sabemos que se a pessoa tiver meio palmo de cara e conseguir fazer um vídeo no TikTok, não precisa disto para nada. Vamos lá ser sinceros, isto é 2026. Já vos falo um bocadinho desta banda que é bem estranha. Se calhar com uma canção. Vamos ouvir. Estás a gostar, Tiago? São os Timbuk 3. É um casal, é um duo. Nunca tinha ouvido falar desta banda.
Isto é de agora?
Não, este é de 1986.
Ah!
É um one hit wonder dos 80, pelo que percebi. Este é o tema mais conhecido da banda, dos Timbuk 3.
Levam a sua harmónica a sério.
É ótimo, vejam imagens desta banda também ao vivo. "The future's so bright I gotta wear shades", é cheio de ironia. Fala de boas notas. "Eu estudava física nuclear, até tirava boas notas. Isto vai ser espetacular para mim, eu até tenho que usar óculos de sol, que o futuro vai ser tão brilhante". Adorei descobrir esta banda e esta canção em particular. West Side Cowboy, é o que isto?
Já ouviste?
Não, fala-me disto.
Isto é uma banda nova.
Sá lá, que moderno que tu estás.
Lançaram o primeiro álbum, chamado "It Goes On", em agosto. Portanto, a malta estava toda noutra e estes rapazes, estes ingleses, isto é gente de Manchester.
Então, já gosto.
São um pouco tristonhos.
A princípio, já gosto.
É muito indie rock. Tu olhas para eles, eles parecem que foram fotografados em 1993.
Mas explica-me, eles chamam-se West Side Cowboy e Pin Up Boys é a canção?
Pin Up Boys é a canción. Eu escolhi esta cantiga, primeiro porque ando a ouvir muito isto. Isto aparece muito no meu algoritmo, que é uma chatice.
Isto é deixar para as canções de setembro.
Depois escolho outra.
Ok.
E Pin Up Boys, vem na sequência, eu depois tenho o equivalente para as raparigas. Lembras-te, no liceu há sempre os populares?
Sim, já falei.
Na escola há sempre os populares.
E vamos voltar a falar.
E é uma canção dedicada a todos os populares aí no recreio, no pátio.
Os bonitões.
Os bonitões.
Estes são os bonitões, os meninos bonitos.
Exatamente. Não interessa o credo, a cor, nada. Há sempre aqueles que sabes...
Que adoramos despentear, não é?
Ou que odiamos porque invejamos.
Também, claro.
Queremos ser como. Enfim, é o que tu quiseres, mas ficam para sempre na tua memória. E esta canção é dedicada a eles e, por favor, oiçam o álbum de estreia de West Side Cowboy, que até agora é das melhores coisas deste ano.
Este é deixado para as canções de setembro. Esta semana no Isto Não Passa na Rádio temos canções para o regresso às aulas. O regresso à escola está aí, para muitos pais, felizmente, para muitos miúdos é motivo de dor de barriga, outros de alguma alegria. Há para tudo. Mas não tenham receio, o regresso às aulas costuma ser uma coisa boa. O reencontro com os amigos, fazer novos amigos. É mais difícil é quando se muda de ciclo, acho eu, porque as coisas são mais novas na cabeça das crianças. Comigo era assim, mas pronto, cada qual. Lembrei-me de uma canção para esse efeito chamada "Don't Be a Dropout". É do James Brown, é de 1966 e faz esse apelo a não desistir da escola. "Vá lá, dá uma outra oportunidade e disso pode depender um futuro melhor para ti". Era o que se acreditava e é o que ainda se acredita, parecendo que às vezes nem sempre é verdade.
Sim, mas é como diz o outro: isto é um bocado como o cozido, mais vale mais do que menos.
Parece-me uma analogia a ter em conta para o resto da vossa vida.
Não é? Por cima, olha, vem outubro, o cozido vai voltar. E eu estou muito contente. Já chega de verão, de calor, já não aguento mais.
Eu também não.
O que é isto?
James Brown.
Tragam o cozido e comecem a fazer rabanadas mais cedo.
Há rabanadas o ano inteiro em certos restaurantes. Eu vou tarma uns dias.
Mas é daqueles que fazem rabanadas com não sei o quê.
Gourmets.
De 10 paus cada uma.
Capazes.
Pronto, para isso.
Isso aí já é um bocadinho exagerado. "Don't Be a Dropout", James Brown. Já vos conto uma história engraçada sobre esta canção. "Sem educação mais vale morreres", é o que ele diz. Parece que foi um senhor que disse a um amigo quando ele foi tentar arranjar emprego e não tinha habilitações. Ele disse: "Tu não tens educação, mais vale a pena morreres".
Pois é.
E o James Brown fez esta canção. Estava a ler uma história de que foi uma primeira tentativa do James Brown ter uma canção com uma certa consciência social, que até aí não era muito o estilo dele. E depois teve bastantes ao longo da carreira, mas esta em 1966 foi talvez a primeira. "Don't Be a Dropout", não sejas um desistente da escola, segue uma educação completa para teres mais hipóteses de sucesso na vida. Esta canção tem uma particularidade, porque depois por causa dela, o James Brown foi convidado pelo vice-presidente norte-americano na altura, o Hubert Humphrey, para um encontro, porque tinha lançado um programa também precisamente contra o abandono escolar e fez desta canção e do próprio James Brown figuras para tentar chamar os mais novos para essa ideia, para essa mensagem. Como se sabe, o James Brown é um homem íntegro. Se calhar, não.
Mas é o James Brown.
Mas é o James Brown. E deixou-nos aqui também esta "Don't Be a Dropout", já que falamos de regresso às aulas. Eve, "Who's That Girl".
"Who's That Girl".
Bela canção.
Isto é um bocado na sequência do-
Do recreio, dos populares
...dos populares. Esta é a versão feminina. "Who's That Girl".
Quem é aquela? Quem é esta rapariga nova da escola? Entrou este ano, está em que turma?
Veio de onde? Veio da C mais S, não sei o quê.
Xiii, é buéda mau ambiente essa escola.
E por outro lado, isto fez-me lembrar uma coisa que é: a canção é de 2001.
Eu acho esta canção um banger.
Portanto, há 25 anos. Tal como faz-
Diz a malta mais nova
... acontecia o 11 de setembro, aconteciam os Strokes, não sei o quê, rock and roll. Estava a acontecer uma coisa muito estranha no meio da pop e do mainstream, que era as estrelas pop tipo Britney Spears, depois tinhas o new metal. A MTV estava um bocado perdida entre estes dois caminhos. O rock and roll começava e acontecia muita coisa no hip-hop, mas eu acho que há muita coisa dessa altura que nós ou esquecemos ou durante algum tempo silenciámos, porque-
Não achávamos fixe
...pelo menos eu sinto-me às vezes a regressar a alguns bangers, como tu dizes, desta altura.
É um banger, eu adoro isto.
E há últimas canções que parece que ficaram meio esquecidas e damos sempre tempo. E quando as aulas recomeçam, a gente recupera.
Eve, "Who's That Girl?". Canções para o regresso às aulas. Aí está setembro e o regresso dessa azáfama que são as aulas e levar os miúdos à escola, e os miúdos vão pra escola e têm sacolas e material novo. Já estou cansado. E não tenho que ir para as aulas, tenho só que levar a malta às aulas. Já não é mau.
Pois é.
Gosto muito desta canção. Estava a relembrar-me do videoclipe. Também gosto da outra canção da Eve que tem a Gwen Stefani, em que elas andam de moto quatro, cheias de atitude. Enfim, as coisas que eu me lembro.
Qual é que é essa?
Não me lembro o nome, mas também é fixe. A propósito disto, e ainda vindo nessa conversa dos populares, do qual tinha os Nada Surf com o "Popular", poderia ser um bom exemplo, mas nisto dos populares, lembrei-me de quase um one hit wonder do hip-hop, o Skee-Lo, que em 1995 tinha aquela música que era o "I Wish", "I Wish I Was a Baller".
Sim.
Te lembras?
Lembro.
É um bocadinho isso. O videoclipe também é na escola, no ringue. Como é Estados Unidos, é basquetebol, não é futebol, mas podemos fazer essa alusão ou a transformação aqui pra realidade mais portuguesa. E é um bocadinho ele a lamentar-se, do gênero: "Quem me dera ser mais alto, quem me dera saber jogar à bola pra poder ser um destes tipos populares".
Pois é.
Mas ele não. Ele é baixote e goza com isso no próprio vídeo.
Tinha que sempre passar por jogar à bola.
É verdade.
Eu fiquei condenado à nascença.
É uma apetência do recreio, tens que ser bom num jogo qualquer.
Eu era bom no FIFA.
Ok. Eu, por acaso, não era nada bom em jogos de computador, principalmente esses de futebol. Mas acho que isto tem um bocadinho essa vibração de regresso às aulas e de recreio da escola, por isso lembrei-me aqui do Skee-Lo, "I Wish", 1995. "Quem me dera ser um pouco mais alto, quem me dera saber jogar à bola pra ser mais popular na escola". É também isso que mostra o vídeo de "I Wish", tema de 1995, uma espécie de one hit wonder do hip-hop. Skee-Lo, não me lembro de outra canção que tenha feito para além desta. Mas sempre achei piada também ao videoclipe no ringue da escola e sendo quase gozado pelos outros por não ter jeito nenhum para o basquetebol, por ser baixinho. E acho que isso é tudo um ambiente muito escolar. Antes de ir à última sugestão tua, queria dizer que deixei de fora uma canção dos Mr. Oungle chamada "Everyone I Went to High School With Is Dead". Podia ter sido uma sugestão.
Sabes que no outro dia vi um vídeo. Desculpa. No outro dia vi um vídeo, o YouTube é um buraco negro, um lugar onde a gente se perde, que era uma cantora, professora de canto e treinadora de voz a ouvir e a ver pela primeira vez Mike Patton a cantar. E a canção era o "Midlife Crisis", em que ele tem uma , depois grita pelo meio, depois canta com uma técnica extraordinária que só ele tem. E ela estava pasmada a olhar para a guilra e a dizer: "Como é que este tipo consegue fazer isto?" Era só uma informação.
Eu já vi um concerto do Mike Patton no Teatro Circo em Braga, estou-me agora a esquecer com quem Com o John Zorn, acho eu. Em que ele está só a fazer sons, tem uma partitura à frente e só está a fazer berros para cima e para baixo. Esta é a forma mais fácil de explicar, mas não estou a ser–
É o maior.
Mas eu gostei muito desse concerto. Tinha aqui algumas canções que deixei de fora, não sei se tens essa coisa, que é o regresso da escola a casa, de ir lanchar a casa ao fim de tarde.
Sim.
E lembrei-me de coisas como o "Saved by the Bell", o Parker Lewis.
Parker Lewis.
E estive quase a pôr aqui o "Ob-La-Di, Ob-La-Da" dos Beatles por causa da banda sonora do "Life Goes On".
Mas sabes o que me lembra muito?
Que era uma série que se via muito ao fim da tarde.
Sim. Sabes o que me lembra muito essa altura?
Tiveste uma paixão pela Becky do "Life Goes On"?
Essa era a irmã do Corky. Não. Mas o que me faz lembrar essa altura era ver a Roda da Sorte.
Era um programa também antes de jantar.
Isso é que eu gostava de ver.
Também deixei de fora uma canção do Rufus Wainwright chamada "The Art Teacher", em que ele confessa uma paixão pelo professor. Uma fantasia que Emmanuel Macron concretizou.
Exato. Do álbum "Want Two", se não me engano.
Quem nunca se apaixonou por uma professora ou professor?
Eu apaixonei várias vezes.
Normalmente a malta das artes era mais interessante, pelo menos para nós.
Aquilo era o que viesse.
Muito bem. Fechamos muito rapidamente com o Walkman, porquê? "In the New Year".
Meu amigo, está tudo dito. É das melhores canções que alguma vez foram feitas sobre o que aí vem, o novo que aí vem, que às vezes pode não ser muito novo, pode não ser muito diferente.
Sempre é uma espécie de Ano Novo.
Isto para mim é que é o Ano Novo.
É agora.
Agora já não é muito. É isso. Portanto, "In the New Year", a ver o que é que dá.
Boas aulas, bom regresso às aulas.
Sim, senhor.
Para a semana estamos de regresso, eu e o Tiago Pereira. Um abraço, Tiago.
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