Ainda adolescente, ela entrou no mundo tech; hoje lidera impacto social de tecnologia nas Américas
Aos 13 anos, Grazi Mendes decidiu entrar no universo da tecnologia. No início da década de 90, diante das discussões sobre como os computadores poderiam transformar o mundo, ela fez um curso de manutenção de computadores, mesmo sem ter um equipamento em casa.
A formação foi a porta de entrada para uma trajetória que passou por hardware, programação, telecomunicações, startups e, posteriormente, design de futuros. Hoje, Grazi Mendes é diretora de impacto social para as Américas na Thoughtworks, consultoria global de tecnologia.
Na posição, responde por iniciativas relacionadas ao impacto social da tecnologia em países como Brasil, Chile, Equador, Canadá e Estados Unidos. Paralelamente, atua como professora em escolas de negócios na América Latina e como professora convidada de um programa de desenvolvimento de lideranças femininas da Columbia University, em Nova York.
Sua formação também seguiu um caminho multidisciplinar. Grazi é graduada em Administração de Empresas, tem três especializações, em áreas que incluem inovação, neurociência e comportamento, e possui mestrado em design de futuros.
Uma carreira construída fora do caminho tradicional
A trajetória profissional não foi linear. Depois de entrar na tecnologia pelo hardware e pela programação, Grazi passou pelo setor de telecomunicações e por startups. Mais tarde, aproximou sua atuação das discussões sobre futuros e dos impactos sociais provocados pelo avanço tecnológico.
Para ela, essa combinação de áreas é parte importante de sua atuação atual. Tecnologia, diversidade, liderança e futuro não aparecem como campos separados, mas como dimensões que se influenciam.
"É preciso pensar não só em código, em algoritmo, mas pensar também em impacto.”
A executiva também considera que sua própria trajetória influenciou a maneira como enxerga o setor. Mulher negra e de origem periférica, ela relata ter encontrado dificuldades tanto para acessar oportunidades quanto para se sentir pertencente aos espaços que passou a ocupar. “Entrar era difícil, mas me reconhecer, me sentir pertencente aos espaços sempre foi um grande desafio.”
O papel da curiosidade na evolução profissional
Para Grazi, a construção da carreira passa menos por seguir uma fórmula e mais por ampliar perspectivas. Em sua visão, profissionais que permanecem restritos a ambientes com pensamentos semelhantes podem reduzir sua capacidade de enxergar possibilidades.
O conselho que dá para mulheres que desejam crescer no mercado de tecnologia é direto: “Estudem. Estudem muito.”
Ela defende uma formação diversa, com contato com diferentes áreas, ambientes e pontos de vista. A curiosidade, nesse processo, funciona como uma ferramenta para questionar certezas e buscar perspectivas que normalmente não fariam parte de uma discussão. “Eu sempre duvido das minhas certezas.”
Para executivos, desenvolver essa capacidade de questionamento pode ser especialmente relevante em um cenário no qual decisões sobre tecnologia têm impacto crescente sobre negócios e pessoas.
Da tecnologia ao pensamento sobre o futuro
A passagem pelo design de futuros ampliou a perspectiva de Grazi sobre inovação. Para ela, a inteligência artificial trabalha principalmente com informações e padrões já existentes, enquanto a imaginação humana permite formular possibilidades que ainda não foram experimentadas.
“Se você quer ser boa em planejamento de um futuro inovador, você precisa ser boa em sonhos, em imaginação e narrativa de futuros.”
Essa visão também está presente em seu livro Ancestrais do Futuro: Qual a Mudança que a Tua Caneta Alcança?. A obra parte da ideia de que as decisões tomadas no presente ajudam a construir as condições de vida e trabalho das próximas gerações.
Segundo Grazi, essa responsabilidade também existe no ambiente corporativo. Executivos não controlam todos os acontecimentos, mas podem decidir como participar deles e quais consequências suas escolhas podem produzir.
A formação em IA como parte da trajetória
A busca por diferentes perspectivas também levou Grazi ao programa PIACC, Programa de Inteligência Artificial para C-Levels, Conselheiros e Acionistas, da Saint Paul Escola de Negócios.
Como profissional de uma empresa de tecnologia, ela procurava compreender como outros setores estavam enfrentando as transformações provocadas pela IA.
“Eu queria estar conectada com outros profissionais de outros segmentos e entender quais eram as temáticas, as outras temáticas que giravam em torno desse tema em diferentes indústrias.”
Entre os conteúdos que mais chamaram sua atenção estavam aqueles que ultrapassavam o uso de ferramentas e discutiam pensamento crítico, ética e responsabilidade nas decisões relacionadas à tecnologia.
Para Grazi, a formação também representa uma oportunidade de sair das próprias bolhas de conhecimento e entrar em contato com profissionais e perspectivas diferentes.
A formação executiva em IA pode ampliar o repertório de líderes que precisam tomar decisões diante das mudanças tecnológicas.
Ao olhar para a própria carreira, a executiva resume sua orientação em três frentes: curiosidade, estudo e diversidade de perspectivas. Para ela, colocar certezas em xeque e buscar diferentes formas de interpretar um problema pode ampliar as possibilidades de atuação profissional.
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