Lúpus: como funciona o remédio aprovado pela Anvisa que reduz crises e uso de corticoides
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação do medicamento Gazya (obinutuzumabe) para o tratamento do lúpus eritematoso sistêmico (LES). A autorização, publicada na terça-feira, 13, contempla adultos com a doença ativa, de moderada a grave, que apresentam autoanticorpos e já utilizam a terapia padrão.
Segundo a agência reguladora, os estudos que embasaram a decisão identificaram redução da atividade da doença, menor ocorrência de crises e diminuição sustentada do uso de corticosteroides, medicamentos empregados para controlar a inflamação.
O obinutuzumabe já era utilizado no tratamento de determinados tipos de câncer e recebeu uma nova indicação terapêutica. Portanto, a aprovação não corresponde ao registro de uma substância inédita no Brasil.
Como funciona o novo tratamento?
O obinutuzumabe é um anticorpo monoclonal humanizado que atua sobre uma proteína chamada CD20, presente na superfície de determinados linfócitos B. Essas células do sistema imunológico participam dos processos envolvidos no desenvolvimento do lúpus.
Na doença, o organismo produz autoanticorpos, substâncias que atacam estruturas do próprio corpo e desencadeiam processos inflamatórios.
O medicamento promove uma eliminação intensa e prolongada dos linfócitos B, reduzindo a atividade dessas células. Segundo a Anvisa, essa ação está relacionada ao mecanismo de desenvolvimento do lúpus eritematoso sistêmico.
Medicamento reduz crises e uso de corticoides
Os benefícios identificados nos estudos incluem a diminuição da atividade do lúpus e a redução da frequência de exacerbações, também chamadas de crises. Outro resultado destacado pela Anvisa foi a menor exposição prolongada a corticosteroides.
Esses medicamentos são utilizados para controlar a inflamação, mas o uso contínuo pode provocar efeitos adversos importantes. Entre as possíveis complicações estão osteoporose, diabetes, hipertensão e maior vulnerabilidade a infecções.
De acordo com a agência, parte dos pacientes permanece com a doença ativa mesmo após utilizar tratamentos convencionais e biológicos. Nesses casos, podem ocorrer crises recorrentes e necessidade de manter corticosteroides por períodos prolongados. A nova indicação amplia as alternativas terapêuticas disponíveis para esse grupo de pacientes.
Quem pode receber o medicamento?
A autorização da Anvisa estabelece critérios específicos para o uso do Gazya. O tratamento poderá ser indicado para adultos com lúpus eritematoso sistêmico ativo moderado a grave, desde que apresentem autoanticorpos e estejam recebendo a terapia padrão.
Isso significa que o medicamento foi aprovado para uso associado ao tratamento já realizado, conforme a indicação autorizada.
O obinutuzumabe não representa uma cura para o lúpus, doença crônica que exige acompanhamento médico.
O que é o lúpus?
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune crônica caracterizada por alterações no funcionamento do sistema imunológico. Em vez de atuar apenas contra agentes externos, as defesas do organismo passam a produzir anticorpos que atacam os próprios tecidos.
A inflamação pode atingir diferentes partes do corpo, incluindo pele, articulações, rins, sangue e sistema nervoso central. A intensidade dos sintomas varia conforme os órgãos afetados e a atividade da doença.
Segundo a Anvisa, o lúpus pode provocar danos acumulados aos órgãos ao longo do tempo, comprometer a qualidade de vida e aumentar o risco de complicações graves.
Dessa forma, a aprovação do obinutuzumabe representa uma nova possibilidade de tratamento para adultos que continuam apresentando atividade da doença apesar das terapias disponíveis.
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