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Sunday, October 18, 2026

'Segundo bissexto' chegará ao fim em 2027; entenda o que muda nos relógios

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O "segundo bissexto", ajuste utilizado há mais de 50 anos para sincronizar os relógios atômicos com a rotação da Terra, deixará de ser aplicado a partir de 2027. A mudança foi aprovada na última quinta-feira, 15, por cientistas e representantes de dezenas de países durante a Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), realizada em Versalhes, na França.

A decisão antecipa em oito anos uma alteração inicialmente prevista para 2035. O objetivo é reduzir o risco de falhas em sistemas digitais que dependem de medições precisas do tempo, como redes de telecomunicações, satélites e serviços financeiros.

A nova regra entrará em vigor em 20 de maio de 2027 e permitirá que o horário oficial se afaste gradualmente do tempo determinado pela rotação terrestre, sem a necessidade de acrescentar ou retirar segundos dos relógios.

O que é o 'segundo bissexto' e para que serve?

O "segundo bissexto" é uma correção introduzida em 1972 para manter o Tempo Universal Coordenado (UTC), referência utilizada na definição da hora oficial, próximo do tempo baseado na rotação da Terra.

O ajuste existe porque os dois sistemas não avançam exatamente na mesma velocidade. Enquanto os relógios atômicos medem o tempo com extrema precisão, a velocidade de rotação da Terra sofre pequenas variações provocadas por fatores como os movimentos do núcleo terrestre, dos oceanos e da atmosfera, além da influência das marés.

Para compensar essa diferença, um segundo extra pode ser incluído na contagem do tempo quando o descompasso entre os dois sistemas se aproxima de 0,9 segundo.

Desde 1972, 27 segundos bissextos foram acrescentados aos relógios. Essas correções não seguem um calendário fixo, pois dependem das variações na rotação do planeta.

Por que os cientistas decidiram acabar com o 'segundo bissexto'?

A principal preocupação envolve os efeitos que a inclusão de um segundo extra pode provocar em sistemas tecnológicos que precisam manter seus relógios sincronizados.

Entre os setores que podem ser afetados estão redes de telecomunicações, satélites, bolsas de valores, centros de processamento de dados e redes de energia.

Em 2012, por exemplo, a aplicação de um "segundo bissexto" foi associada a problemas em serviços como Reddit e LinkedIn, além de atrasos em voos da companhia aérea Qantas.

Outro fator considerado na decisão é a possibilidade de ser necessário realizar um ajuste inverso, conhecido como "segundo bissexto" negativo. Isso ocorre porque a Terra passou por períodos de aceleração em sua rotação nos últimos anos. Caso essa tendência exigisse uma correção, poderia ser necessário retirar um segundo da contagem oficial do tempo.

De acordo com a resolução aprovada pela CGPM, esse procedimento nunca foi realizado e representa um risco de falhas em infraestruturas tecnológicas que não estão preparadas para esse tipo de ajuste.

O que muda nos relógios a partir de 2027?

A partir de 20 de maio de 2027, o Tempo Universal Coordenado poderá se afastar gradualmente do tempo determinado pela rotação da Terra sem que sejam feitos os ajustes periódicos de um segundo.

Pelas novas regras, essa diferença poderá aumentar até se aproximar de uma hora, processo que, segundo especialistas, deve levar séculos.

Para a população, a mudança não deverá produzir efeitos perceptíveis. Os relógios continuarão marcando as horas normalmente, e a precisão dos relógios atômicos será mantida.

Já os astrônomos poderão continuar utilizando medições baseadas na rotação terrestre quando precisarem determinar com precisão a posição da Terra em relação a outros corpos celestes.

A principal alteração, portanto, estará na forma como o horário oficial será mantido e sincronizado nos sistemas que dependem dessa referência.

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