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Sunday, October 4, 2026

Dietrich Rogge: “Comporta será primeira habitação em 5 anos"

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Pode falar sobre a escolha de Jacques Grange para o projeto?
Como disse, o estilo das cabanas são a chave do que amo aqui. E analisei muito cuidadosamente o motivo pelo qual a Comporta é um sucesso. Além da paisagem, também a família que começou a Comporta, os Espírito Santo, há muito tempo, há 30 ou 40 anos, que trouxe personalidades muito interessantes de todo o mundo, muitas delas do mundo do design. Poderíamos nomear muitas delas; uma foi Jacques Grange. Mas também há duas a nomear da família deles, que são Pedro Espírito Santo e Vera Iachia. Quero nomear os três porque tive a sorte de os ter conhecido. Infelizmente, o Pedro e a Vera já tinham falecido na altura em que comprei a propriedade aqui. E o Jacques foi a minha escolha perfeita porque trabalhou com a Vera, e ela apresentou-lhe a Comporta há provavelmente 40 anos. Portanto, ele é o mais próximo que eu podia chegar de um dos “padrinhos” do design da Comporta. E como ele é uma figura internacional, quando comprei o terreno abordei-o e perguntei: “Veja, vive aqui perto, adoraria construir uma homenagem ao estilo de vida clássico da Comporta com uma aldeia de cabanas assim aqui, e adoraria que trabalhasse comigo”. E, num tom divertido, também lhe disse: “E se ainda não está convencido porque não me conhece, devia estar, porque precisa de proteger o seu quintal; afinal, quem sabe o que aconteceria se fosse outra pessoa a realizar o projeto?” E ele riu-se para mim e disse: “Vamos fazer isto juntos”. Sou um afortunado por ele o ter feito, e tem sido uma história de amor fazer este projeto com ele. E ele também trouxe a bordo — o que é igualmente importante — no lado do paisagismo, Madison Cox. Porque o estilo de vida da Comporta e o estilo de vida português, diria eu, é viver ao ar livre. E o paisagismo, os jardins e a ligação com a natureza é o que é tão fulcral.

Apresentou-lhes algum tipo de referências sobre o tipo de casa que estava à espera?
Na verdade não. O Jacques Grange vive numa cabana linda aqui na Comporta. Almocei na casa dele e disse apenas: “Adoro isto, vamos repetir, mas ali”. É tão simples quanto isto. E por vezes as histórias mais convincentes da vida são simples. “Adoro a forma como vivem aqui, gostaria de fazer isto, talvez com uma qualidade de construção mais duradoura, e precisamos de adicionar serviços em redor”. Tão simples quanto isto.

Como inseriu outros pormenores portugueses no projeto?
Portugal tem a tradição de ofícios e artesanato, desde o trabalho em artigos de pele, os azulejos, a cerâmica… Portanto, há uma abundância de materiais que usamos no nosso projeto aqui na Comporta: os telhados de colmo, o caniço… Tudo isto é material local. E na verdade também alimenta muito aquilo que é extremamente importante para mim enquanto promotor oriundo do Norte da Europa — onde sinto que é ainda mais importante do que no Sul da Europa —, que é criar projetos sustentáveis. Temos aqui um certificado LEED, que é um certificado de energia e sustentabilidade. E um dos fatores fundamentais é querer usar o máximo possível de materiais locais, porque se cria menos CO2 — conduz-se menos e mantêm-se onde estão. Portanto, uma grande percentagem dos materiais que vê aqui são na verdade material local português, o que é fundamental para construir um projeto sustentável, por oposição a importá-lo de, não sei, do Sudeste Asiático ou de outro lugar qualquer.

Também tem uma casa no empreendimento. Como divide a sua rotina para passar também algum tempo aqui?
Tento obviamente estar aqui o máximo que posso. Acho que um aspeto que adoro na Comporta é estar tão perto de Lisboa. Porque é lá que fica o nosso escritório onde preciso de gerir as minhas equipas, e também preciso de voar muito, porque vou a Madrid, à Alemanha, etc. Portanto, a proximidade de uma grande cidade e de um aeroporto é fundamental para mim. Penso que essa é outra camada e ingrediente do que torna a Comporta tão bem-sucedida. A uma hora de distância de uma capital, na maioria dos países do mundo, é uma deslocação diária. Se perguntar às pessoas em Nova Iorque, Mumbai ou noutros lugares, uma hora é o que fazem diariamente. Portanto, a Comporta tornar-se-á uma primeira habitação, tanto como já é um destino de segunda habitação, dentro de cinco anos, não tenho dúvidas. Obviamente é sempre um vai e vem, mas é uma deslocação muito fácil.

Quando está cá, qual é a sua rotina diária?
Um dos meus locais favoritos em qualquer uma destas casas aqui são as daybeds ao ar livre, perto das fachadas. Essas peças enormes de almofadas onde nos deitamos, seja de manhã ou ao pôr do sol. O que adoro aqui na Comporta é acordar bastante cedo e ir logo para a praia. Sabemos que de qualquer forma há muito pouca gente na praia aqui, mas de manhã, às 7 ou 8 horas, não está ninguém. Ir à praia, dar um mergulho no oceano incrível, voltar, tomar o pequeno-almoço, e depois normalmente jogar uma partida de ténis, padel ou golfe. É assim que normalmente começa, com um belo e longo pequeno-almoço a seguir com a família e os filhos.

Tem algum detalhe na sua casa que tenha trazido para a tornar mais acolhedora? 
Acho que a forma como alguém vive mostra também como a pessoa é, por assim dizer. E acho que o que adoro nos interiores e na decoração é que essencialmente refletem a nossa personalidade — não apenas o gosto, mas realmente a personalidade. Uma peça que coleciono há muitos anos, por exemplo, são mapas. Adoro geografia. Em criança, lembro-me de os meus avós me terem dado um mapa do mundo que estava pendurado por cima da minha cama quando ia dormir. Normalmente ficava a olhar para ele durante mais de uma hora. E ficava tão intrigado… Quanto mais tempo olhava, mais encontrava um pequeno pormenor que parecia representar um sonho ou uma história a inspirar. Por isso adoro colecionar mapas. Tenho mapas lindos da Península Ibérica, Espanha, Portugal, e também partes de toda a região desde Lisboa até à Arrábida, Caparica e aqui até à Comporta. Acho também que, se se olhar num mapa, é visualmente muito bonito com todas estas camadas de linhas de costa.

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