Ex-Seleção, Lucas Leiva reflete sobre falta de meias no Brasil: "As necessidades mudaram"

A suposta falta de um "camisa 10" no time de Carlo Ancelotti tem sido um dos assuntos mais comentados nesta Data Fifa, a primeira janela de amistosos depois da Copa do Mundo. O ex-meio-campista Lucas Leiva, com passagem pela seleção brasileira, pensa um pouco diferente. Para ele, não há uma crise de meias no Brasil. Há apenas uma mudança de paradigma.

Lucas Leiva opina sobre formação de "camisas 10" no Brasil: "Não falta matéria-prima"
Em entrevista ao ge, o ex-jogador não acredita que há uma escassez de meias de criação no Brasil e faz uma reflexão sobre a mudança nas exigências do futebol mundial para os atletas do setor.
"Eu não acredito que tenha uma escassez, eu acho que as necessidades do jogo mudaram", afirmou Lucas.
— Talvez há uma busca por jogadores de meio-campo que também consigam entregar um pouco na parte defensiva. Os treinadores têm olhado muito isso. O Brasil está cheio de atletas que jogam mais aberto, mas que poderiam tranquilamente jogar numa função mais central.
Lucas Leiva com a camisa da seleção brasileira — Foto: Getty Images
Lucas Leiva foi companheiro de nomes como Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Neymar, apontado como últimos "camisas 10" de fato da seleção brasileira. Ele admite a dificuldade em revelar jogadores do mesmo potencial e evita comparar com a atual geração do Brasil.
— É muito difícil ter novos Ronaldinhos Gaúcho, novos Neymar, novos Kaká. Essa comparação é até injusta com os atletas de hoje, mas são atletas de um potencial enorme. É mais questão de sistema de jogo, o que o treinador vai buscar. E às vezes optam por jogadores mais versáteis no meio-campo também e talvez algo que entregue também um pouco mais na parte defensiva.
Formação no Brasil
Hoje empresário, Lucas Leiva tem porta aberta em clubes pelo Brasil e até pelo mundo - como é o caso do Liverpool, onde foi ídolo. O ex-volante ainda vê o país como uma potência na formação de jovens atletas e diz que não falta matéria-prima para revelar novos talentos.
— O Brasil continua formando muitos atletas. A gente vê pelas vendas tão precoces, de clubes brasileiros vendendo para a Europa ou até outros mercados. A gente continua exportando muitos jogadores para a Europa e também para outros continentes.
— Eu acho que existe hoje uma dificuldade de formar o 10, mas não por matéria-prima. O futebol, de alguma forma, mudou e as exigências são diferentes. E esses atletas acabam tendo que jogar um pouco mais aberto e não tão central. O próprio Estêvão poderia ser tranquilamente um 10 e joga mais aberto.
Lucas Leiva, ex-Grêmio e seleção brasileira — Foto: Reprodução
A visão de Ancelotti
Depois da vitória do Brasil por 4 a 2 no amistoso diante da Austrália, o técnico Carlo Ancelotti comentou sobre a safra de meio-campistas. Na visão do italiano, há pouca produção de jovens para o setor.
— É verdade que, agora, neste momento não temos muita produção de jovens meio-campistas. Por isso, Breno (Bidon), Gabriel (Bontempo), que jogou hoje, vamos olhar para eles e ver se outros jovens podem mostrar sua qualidade no meio de campo.
Ainda em busca da escalação ideal, a seleção brasileira faz o último amistoso desta Data Fifa no sábado, contra a Índia, às 11h (de Brasília), em Calcutá.
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