Congresso: UGT sem nome "consensual" para a presidência

Mesmo que os socialistas decidam avançar pela primeira vez com um nome à presidência, Mourão diz que este tem de reunir consenso também entre os sociais-democratas. “Nada está excluído, mas o que eu garanto é que o congresso vai sair com um presidente, disso não tenho dúvidas”, reitera.
Outra fonte da tendência socialista da UGT diz ao Observador que esta “é a primeira vez que se mete um problema desta natureza no Secretariado Nacional”, sem este aprovar a proposta para um nome à presidência antes do congresso.
Mário Mourão recorda que Francisco Pimentel votou em todas as resoluções do secretariado nacional que rejeitaram as sucessivas versões do pacote laboral negociadas entre Governo, patrões e UGT, notando que todas as moções do secretariado de rejeição ao pacote laboral foram votadas por unanimidade.
Já no Parlamento, onde Pimentel é deputado do PSD, votou a favor da legislação laboral. “Votou a favor de uma proposta ainda pior do que aquela que estava [a ser votada] na UGT”, acusa Mourão. “Espero que haja bom senso porque quem não respeita as decisões dos órgãos da UGT não tem condições para exercer cargos na UGT“, defende ainda Mourão ao Observador.
Outra fonte da tendência socialista na UGT diz ao Observador que “há, ainda, uma tentativa de interferência do PSD na UGT”, com o partido a tentar “impor” um candidato a presidente que a central não vê como uma boa opção, dada a contradição no seu posicionamento em relação ao pacote laboral na central sindical e dias depois na Assembleia da República.
Quatro meses depois do chumbo do pacote laboral, Palma Ramalho vai abrir congresso da UGT
Vai ser no palco do Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz que Maria do Rosário Palma Ramalho vai fazer o discurso de abertura do XV Congresso da UGT. O convite foi dirigido pela central à ministra do Trabalho, que o aceitou — um aparente sinal de tréguas entre a central sindical e o Governo, após meses de tensão em redor do pacote laboral.
Um dia depois do chumbo na Assembleia da República, no Congresso do PSD, Palma Ramalho admitiu a derrota do dia anterior no Parlamento, falando diretamente para Luís Montenegro, a quem se aliou para prometer uma nova tentativa: “Senhor primeiro-ministro, se bem o conheço, lá iremos outra vez.”
Nas semanas seguintes reiterou a intenção de voltar à carga com o pacote laboral. Numa entrevista ao Observador, a governante nunca afastou a possibilidade de regressar à proposta nos mesmos moldes em que esta foi apresentada em agosto de 2025: um pacote legislativo que propõe uma reforma extensiva do Código do Trabalho. Mas também não negou que venham a ser apresentadas medidas avulsas para mudar aos poucos a lei laboral.
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