A corda entre Zelensky e Trump partiu de vez?

Kiev apressou-se a apontar o dedo aos Estados Unidos: “Esta ação não pode ser uma coincidência, está ligada à atual situação política”, declarou um dos conselheiros de Zelensky, Serhiy Beskrestnov.
Horas mais tarde, Elon Musk, dono da SpaceX, sacudia responsabilidades: “Os sistemas Starshield são propriedade do Governo norte-americano e controlados por ele. Quaisquer limites à velocidade ou utilização são decididos pelo Exército norte-americano e, em última análise, pelo Presidente dos Estados Unidos.” Mas Donald Trump apressou-se a responder: “Verifiquei esta manhã, não fomos nós”, disse na quarta-feira. “Nem sei se foi alguém, porque não fui eu e não acho que tenha sido o Elon.” Na quinta-feira, o sistema voltou a estar operacional.
No dia seguinte, porém, o jornal britânico Telegraph divulgou que o próprio Elon Musk terá pedido ao Presidente norte-americano para que fossem introduzidos limites à velocidade do Starlink na Ucrânia, citando quatro fontes anónimas. “Ele escreveu um tweet a dizer que é inocente e que foi a administração que o fez. A realidade é que foram ambos”, disse uma das fontes.
Zelensky reconheceu entretanto que o sistema voltou a estar funcional, mas, segundo o Presidente ucraniano, continua a ter limitações. “O meu ministro da Defesa está em contacto [com os EUA] e dizem-me que há sinais da Casa Branca de que os sistemas voltarão a ter todas as capacidades. Voltaram a ter os limites de velocidade que tinham antes? Não. Mas está a voltar? Sim”, esclareceu o Presidente.
Se as falhas persistirem, porém, a capacidade de defesa da Ucrânia pode ficar comprometida, alertam vários especialistas. “O Starlink também é usado pelos intercetores que protegem as cidades ucranianas dos Shaheds russos modificados. Sem essa proteção, os drones russos vão atingir edifícios residenciais, hospitais e escolas, como alvos numa carreira de tiro”, avisou Oleksandra Matviichuk, advogada de direitos humanos ucraniana. “Deixem-me ser franca: o sangue das crianças ucranianas estará nas mãos do dono [da Starlink] e de toda a equipa desta empresa norte-americana.”
Ukrainian soldiers and people associated with the military are reporting restrictions on Starlink service. Likely on the direct orders of Elon Musk. Despite the fact that Ukraine pays him for these services.
How this will help Russia, which is currently losing occupied… pic.twitter.com/anJcAnmg3I
— Oleksandra Matviichuk (@avalaina) October 14, 2026
Esta quarta-feira, os efeitos das falhas do sistema já se fizeram sentir. A Rússia levou a cabo um ataque com 39 mísseis balísticos, um dos maiores desde o início da guerra em 2022, segundo o New York Times. Na capital ucraniana, 600 mil pessoas ficaram sem eletricidade — um método de guerra russo conhecido por sodcit, que prevê a destruição de infraestruturas críticas de um país, levando a população à exaustão. O risco de uma “crise humanitária maior está a crescer”, garante Shelby Magid ao Observador. “A Ucrânia já está a enfrentar quebras no fornecimento de energia e disrupções nos serviços essenciais, incluindo o abastecimento de água.”
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