ESG como alavanca para a criação de valor nas empresas

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Sejam bem-vindos. Começa aqui o podcast Empresas em Transformação, uma parceria entre o Novo Banco e o Observador. Nesta série vamos falar do que está a mudar no mundo das empresas com os novos padrões ambientais e sociais. A cada episódio teremos um tema diferente e convidados também diferentes. Nesta estreia, vamos falar dos critérios ESG como alavanca para a criação de valor nas empresas. E vamos fazê-lo com Francisco Neves, é CEO da Stravilia Sustainability Hub, que se junta a Inês Soares, a diretora de ESG e Sustentabilidade do Novo Banco. Eu sou o Paulo Ferreira, dou as boas-vindas a ambos. É um gosto recebê-los aqui. Francisco, uma pergunta que lanço aos dois, começando pelo Francisco: já ultrapassamos aquela fase em que a sustentabilidade era vista apenas como uma obrigação legal, ou então, uma coisa que devíamos ter, e já estamos, de facto, a entrar naquela fase em que a criação de valor já leva também as empresas a entrar por este caminho?
Paulo, obrigado pela pergunta e obrigado pelo convite também pra estar aqui nesta primeira edição deste podcast. Infelizmente, a resposta à pergunta que me fez, na minha opinião, é que ainda não. Ainda não ultrapassamos por completo essa fase. Algumas empresas já se começam a notar, efetivamente, uns sinais de mudança e de encarar estes temas realmente como uma prioridade estratégica pro desenvolvimento e pro crescimento das mesmas, mas até pelo recente travão que tivemos do ponto de vista legislativo, em que se viu que muitas empresas, a partir do momento em que deixaram de ter uma obrigatoriedade legal, resolveram adiar uma série de compromissos e deixaram esperar pra ver. E, portanto, eu acho que isso é, de certa forma, demonstrativo que muitas empresas ainda não compreenderam efetivamente os desafios que se lhe colocam, e se não for por uma obrigação legal, não vão avançar tão rapidamente.
Acha que é preciso, de facto, esse empurrão. Quando fala do aligeiramento do quadro legal, tem a ver com a mudança de regras da União Europeia?
Sim, muito recentemente, e não querendo entrar aqui em pormenores muito técnicos, mas tínhamos uma diretiva comunitária, CSRD, que obrigava um conjunto muito alargado de empresas a implementar um conjunto de requisitos e a reportar sobre a implementação dos mesmos. E tivemos no ano passado um travão a essa mesma diretiva. Temos um pacote, o Omnibus, que de certa forma veio aligeirar, e cerca de 80% a 90% das empresas inicialmente previstas pra estarem abrangidas por esse mesmo pacote legislativo, deixou de o estar.
Ficaram de fora.
Ficaram de fora. E, portanto, vamos ter aqui esse abrandar.
Inês, concorda com esta visão? Acha que ainda estamos na fase do fazer porque é obrigatório?
Eu tendo a concordar, não tenho uma visão, se calhar, tão pessimista quanto o Francisco. E nas empresas que trabalham com o Novo Banco, sejam pequenas e médias, obviamente, médias um bocadinho maiores. Então nas grandes, isso é evidente. A evolução nos últimos cinco, seis anos é muitíssimo notória. Ainda há um largo percurso, eu acho, a percorrer, mas cada vez mais nós falamos com os nossos clientes sobre estes tópicos e, se calhar, de forma ainda muitas vezes pouco estruturada, não têm informação pública sobre os temas. Alguns deles até nem os ligam necessariamente diretamente à sustentabilidade, mas já há cada vez mais trabalho feito, quer do ponto de vista da eficiência energética e da transição energética, quer do ponto de vista de, e no último ano e pouco, talvez, de trabalho sobre resiliência a estes riscos, e nomeadamente aos riscos físicos climáticos. Já se vê uma enorme evolução.
Concordo que se vê uma evolução. Há realmente também um número ainda muito significativo de empresas que, infelizmente, ainda não começaram esse processo, mas claramente há sinais de melhoria e de esperança no futuro.
Na Stravilia, Francisco, trabalham diretamente com o tecido empresarial a vários níveis. Desse posto de observação, quais são os principais erros de perceção que os líderes ainda cometem quando tentam integrar, de facto, o ESG na estratégia do negócio?
Tem alguns erros, entre eles, por exemplo, considerar ou confundir o report com estratégia, ou quando começam realmente alguns exercícios mais complexos, e também não estando a querer entrar novamente em questões muito técnicas, mas existe um exercício que é uma análise de dupla materialidade, que é perceber basicamente quais são os impactos que a empresa provoca e quais são os riscos e oportunidades que surgem pro seu negócio. De fazerem-no do ponto de vista de compliance e não perceberem todo o racional estratégico que isto pode trazer para as empresas. Porque se elas, efetivamente, independentemente da dimensão que têm, conseguirem compreender quais é que são os riscos e oportunidades para o seu negócio, vão geri-lo muito melhor e vão estar muito mais bem preparadas para os desafios que se lhes vão colocar a curto e médio prazo.
Isso decorre, no fundo, da resposta que deu à primeira questão, não é? As empresas ainda olham como obrigação legal, têm que fazer check, check, check em várias cruzinhas pra cumprir.
E a fazer realmente um relatório, um cálculo de pegada carbônica, ou dar outros passos neste sentido, sem tirarem todo o proveito estratégico que os mesmos podem ter pra organização.
Completamente de acordo. E usando mesmo aquilo que é a experiência do Novo Banco, porque nós fizemo-la também enquanto empresa que é obrigada a fazer estes exercícios também. Fizemo-lo e, muito sinceramente, não o fazemos de todo, e continuamos a fazê-lo, e de todo não obrigado. Os resultados desta reflexão são tão importantes para a definição do plano estratégico do banco que, ainda que desaparecesse toda a regulamentação relativa a estes tópicos, nós continuaríamos a fazê-lo. Eu, se calhar, acrescentava outro tema que eu acho que nós vemos ainda em muitas empresas, e que mesmo nas empresas que tentam integrar a sustentabilidade Em todas as suas áreas de negócio, não é evidente. Qual é o erro que pode ser muitas vezes feito? É naquelas empresas médias, grandes ou mesmo nas grandes, criar departamentos, gabinetes ou áreas de sustentabilidade muito isoladas. Isto depois dificulta enormemente esta integração destes tópicos na estratégia.
Fora a sustentabilidade, não se deve fechá-la, cria uma bolha.
A criação de valor é muito mais difícil quando isto fica fechado. Perdem-se muitas oportunidades.
Claro. No caso das PME, que ainda olham, Francisco, para isto como um custo pesado e burocrático, como é que se indica o caminho para essas empresas deixarem de entender isto como um custo e ser um caminho para a transformação? Como é que se faz essa passagem?
Acho que tem que se lhes demonstrar e ajudá-las a fazer este caminho, perceber realmente qual é o valor que o ESG pode ter para as mesmas, seja no acesso a financiamento bancário.
Exato, vamos falar disso, é importante.
É. No trabalho com investidores e com a banca, terem acesso, porque podem ficar excluídos de um acesso se não tiverem determinado tipo de informação, terem o acesso mais facilitado, no sentido de ter uma taxa de juro mais favorável, perceberem também o nível de exigência que vão ter da sua cadeia de valor, porque também cada vez mais empresas, e há pouco falávamos daquelas que são de um grande patamar abrangidas pela CSRD e outra regulamentação, que são diretamente obrigadas, mas elas vão acabar por exercer alguma pressão também junto à sua cadeia de valor. E nós temos uma larguíssima maioria do nosso tecido empresarial que se vai situar precisamente nesse patamar de empresas que vão estar na cadeia de valor de grandes multinacionais, essas sim obrigadas à CSRD, mas que vão precisar de dados dos seus fornecedores e precisam realmente que estes consigam demonstrar, de uma forma clara, um conjunto de dados, de informações e de capa país do nível da sustentabilidade, para poderem permanecer nessa mesma cadeia de valor. Portanto, existem não só ganhos de eficiência, também agora ventando para uma outra vertente, ao nível da eficiência energética, outras questões que a Inês tinha referido há pouco, mas este poder permanecer dentro de cadeia de valor de grandes empresas, ter o acesso a financiamento e muitas outras questões, até mesmo pela própria atração e retenção de capital humano, são questões fundamentais para as empresas que elas precisam de perceber. Realmente, aqui as mais-valias de trabalhar nestas temáticas.
Inês, a questão de financiamento é essencial. O Novo Banco, como é que lida já com seus clientes na aplicação destes critérios de ESG?
Nós olhamos para o tema como riscos e oportunidades. Olhamos para o tema do ESG e de como é que as empresas integram aquilo que o Francisco ainda há pouco dizia, como é que identifica os impactos, riscos e oportunidades que o seu negócio tem ou enfrenta, impactos que o seu negócio tem no meio ambiente, nas comunidades e nas populações que servem, e depois os riscos e oportunidades que se apresentam naquele mercado. Olhamos para isto como parte do plano de negócio da empresa. E, portanto, uma empresa que não tem esta monitorização, que não tem esta identificação, é uma empresa que, à partida, está menos bem apetrechada para estar resiliente a longo prazo ao mercado. Quando eu digo resiliente, não é necessariamente só a riscos climáticos, é resiliente às alterações de mercado, e está também menos pronta a aproveitar oportunidades de mercado, a aproveitar evoluções de mercado e, portanto, diferenciar-se, usar o ESG como um fator diferenciador.
E até por esta plena integração da cadeia de valor, que exige cada vez mais o cumprimento desses critérios.
Exatamente. Eu acho que empresas que olham para, e é isso que nós também tentamos muitas vezes passar aos nossos clientes empresariais, que o ESG não tem que ser um custo. É óbvio que é, em certa medida, um custo, naquilo que são obrigações de report, é preciso ter pessoas para fazer isto. Mas olhar para o ESG como um tema de report é um erro, é deixar escapar uma oportunidade. Se as empresas, quem está a começar a olhar para o negócio e como é que eu posso ter eficiências a nível de custos, por via de poupança de recursos, pela reutilização de materiais, poupança de recursos por eficiência energética, temas de capacidade de captação e retenção de talentos. Se eu olhar para isto como onde é que eu vou melhorar a minha posição de criação de valor no mercado e a minha posição diferenciada e diferenciadora junto dos clientes, isto deixa de ser um custo e obviamente é começar por coisas pequenas. Ao começar assim, eu vou começar por escolher eu, a empresa, vou começar por escolher, vou experimentar ou vou tentar esta e esta iniciativa, e isto tem um impacto inicial pequeno, mas tem imensos quick wins, exatamente, que a curto prazo se conseguem fazer. Como é que nós no banco olhamos para isto? O que tentamos fazer é integrar efetivamente uma avaliação daquilo que é a maturidade das empresas nestes tópicos e como é que isto vai efetivamente impactar o plano de negócio destas empresas.
E isso resulta depois das condições de financiamento.
Exatamente. Empresas que tenham melhores planos de negócio, têm melhores condições de financiamento, empresas que tenham piores planos de negócio, têm piores condições de financiamento. No limite, pode pôr em causa o financiamento. Não é algo que seja muito comum para ser completamente verdadeira, porque a generalidade Das empresas, como disse, já estão a fazer, ainda que lentamente, estes caminhos. E há que ter atenção também do ponto de vista da banca enquanto financiador, que nós temos um papel também de alguma pedagogia, de alguma promoção e portanto temos que ajudar as empresas a fazer este caminho e temos que dar-lhes tempo para eles fazerem este caminho.
Francisco Neves, pegando aqui naquilo que a Inês acabou de dizer, a ideia dos pequenos passos, dos quick wins, é esse o caminho para ir mudando a cultura, porque em alguns casos estamos aqui a falar mesmo de mudança de cultura das empresas.
É, é sem dúvida encontrar. E há bocadinho estávamos a falar realmente de ver este trabalho como um custo e muitas vezes não estão a olhá-lo como um investimento. Às vezes realmente é só uma questão contabilística, é quase onde é que vamos arrumar ali uma determinada despesa. E se conseguirmos mudar essa mentalidade nas empresas e elas conseguirem perceber o que é que pouparam no financiamento, os clientes que conseguiram manter, e às vezes pode ser isso, pode ser manter um cliente ou conseguir ganhar novos mercados, conseguirem começar a exportar para um novo mercado que tem determinado conjunto de requisitos e esse investimento vai-lhes abrir esse mercado, é abrir portas realmente para conseguirem entrar num mercado bastante mais competitivo e conseguirem aumentar substancialmente as suas vendas. Portanto, essa será sem dúvida uma mudança de mentalidade, é só quase que uma arrumação contabilística de passar de custo para investimento. Mas depois há estas questões que a Inês também referia, que é o custo de tratamento de resíduos e deixar de ver os resíduos e se conseguirem tomar medidas de economia circular e realmente começarem a converter de alguma maneira a sua cadeia produtiva, deixando de ter custos com resíduos e poupando nas matérias-primas, o aumento de eficiência energética, a redução que isso vai implicar, o não terem que fazer compensação de emissões, no caso de estarem no mercado regulado. Portanto, há um conjunto de matérias que vão ser poupanças diretas para a organização ou realmente aqui acesso a novos clientes, potenciais clientes, manutenção de clientes estratégicos. E já tivemos alguns casos em que empresas vieram ter conosco, porque o seu principal cliente lhes colocou uma obrigação ao nível ESG em cima da mesa e neste caso não tiveram a opção de escolha. Ou davam aquele passo, faziam aquele trabalho que lhes estava a ser pedido, ou pura e simplesmente iam deixar, iam perder uma conta de um cliente estratégico. E portanto, aqui eu diria que às vezes a contabilidade não é assim tão complicada quanto parece nestes casos.
Aí é quase uma questão de sobrevivência, pode-se colocar a esse nível. Mas para além disso, para além do cumprimento daquilo que são exigências, se quisermos, da cadeia de valor, será que há oportunidades de inovação, modelos de negócio que as empresas estão a deixar escapar, Francisco, neste processo ou a questão não se coloca sequer a este nível?
Também se coloca a esse nível. Há pouco referi a questão da economia circular e o trabalho que realmente as empresas podem fazer a esse nível, realmente identificando aqui algumas alterações que poderiam fazer, trabalhando só a nível interno ou mesmo em termos de cluster, junto de zonas empresariais, e se calhar aqui a Inês conhecerá também exemplos melhor do que eu. Mas realmente percebendo aqui determinados clusters em determinadas zonas, em que as empresas podendo trabalhar de uma forma com sinergias entre elas, aquele que é o resíduo de uma pode ser uma fonte de matéria-prima para outra. E podemos ter aqui realmente um aproveitamento muito maior de determinadas circunstâncias, com ganhos de todas as empresas envolvidas nessa mesma organização, nesse mesmo cluster. Realmente há aqui questões de criação de valor partilhado entre todos, que seriam importantes explorar.
Nós temos vários exemplos em Portugal de clusters não setoriais, mas até regionais, mais ou menos da mesma localização, onde indo até mais além daquilo que o Francisco dizia sobre os resíduos deixarem de ser um custo, os resíduos passam a ser valorizados e, portanto, passam a ser capacidade de receita e a criação de ecossistemas de reaproveitamento de matérias-primas que seriam resíduos ou que eram resíduos efetivamente para algumas das indústrias e que são valorizadas por outras que as realmente desaproveitam. Portanto, há muitíssimos bons exemplos em Portugal.
E vai potenciar a inovação junto de todo esse cluster, porque é aqui uma reflexão conjunta sobre realmente que oportunidades é que existem. O que é que eu posso fazer com aquele resíduo, de maneira que eu posso, em termos às vezes até de logística reversa, como é que eu posso trabalhar com outras organizações para aproveitamento realmente de camiões que circulam nas estradas e que poderiam estar vazios e que podem passar a ser aproveitados. Portanto, há todo um ganho que pode ser feito nesta discussão e nesta partilha entre empresas, dentro de clusters setoriais, regionais e outros, para inovarmos e para vermos as questões com uma lente diferente.
Sem dúvida.
Estamos quase a chegar ao fim do nosso tempo. Uma questão para ambos, começando pelo Francisco, para terminarmos com a Inês. Basicamente, uma recomendação de um passo ou dois passos que seja recomendado a um empresário que queira, de facto, começar a colocar a sua empresa dentro destes padrões ESG.
Tentando dar aqui sugestões que passam a ser mais práticas, embora possa não ser aqui uma ligação tão óbvia, mas diria que se calhar começar por fazer um exercício, um pequeno diagnóstico, porque às vezes as empresas têm muitas medidas enquadráveis naquilo que nós chamamos de ESG, mas que ainda não identificam como tal, portanto, já fazem muito trabalho, ninguém parte do zero. Isso às vezes é importante também realçar. E um exercício que pode, deve ser simplificado à realidade, à dimensão de cada uma das empresas, mas fazer aquela análise de perceber que impactos é que estão a gerar na comunidade e no ambiente e que risco e oportunidades é que se colocam no seu negócio, acho que era uma reflexão que poderia ser muito bem aproveitada pelas empresas lá está para criarem valor e serem mais resilientes, perceberem onde é que constituem os riscos e as oportunidades para o seu modelo de negócio, para poderem trabalhar sobre os mesmos de uma forma pró-ativa E poderem gerar valor, serem mais resilientes, poderem crescer e atingirem novos mercados. A minha sugestão seria por aí. E daí, depois vêm uma série de outras coisas atrás, um primeiro passo.
Inês Soares.
Eu concordo totalmente com o Francisco. O que eu diria é: começar pelo negócio. Não olhar para este tema como report, começar pelo negócio. Olhar para o negócio, olhar para onde é que estão os meus riscos, onde é que estão as minhas oportunidades. E face a isto, começar um plano. O que eu preciso fazer para aproveitar as oportunidades em termos de eficiência energética? O que eu preciso fazer para aproveitar, e será que há oportunidades de investimento em inovação que me diferenciam no mercado e que ao mesmo tempo me permitem ser mais sustentável? Este tipo de análises, que vão dar exatamente à análise que o Francisco dizia, são essenciais e trazem um enorme valor acrescentado. E aí a banca pode ajudar também, porque obviamente, o que nós queremos é poder contribuir, apoiar investimentos que façam sentido para a resiliência, para a sustentabilidade financeira e ambiental, porque não há sustentabilidade financeira sem ambiental, mas também não há sustentabilidade ambiental sem sustentabilidade financeira. E queremos apoiar e queremos promover a sustentabilidade financeira das empresas a longo prazo, porque nenhum banco quer financiar uma empresa que não tenha sustentabilidade a longo prazo.
Certo, que não tenha futuro, quase.
Que não tenha futuro. Exatamente.
E aqui o financiamento sustentável é todo um mundo novo que se pode abrir para muitas destas empresas.
Sem dúvida.
Sendo ainda muito pouco explorado pela maior parte delas.
E é dos argumentos mais fortes, imagino eu, para levar as empresas a fazer coisas novas.
Sem dúvida.
O Quiquinha saberá muito melhor do que eu, certamente, mas a ideia, pelo menos da nossa perspectiva, é que os bancos cada vez mais vão querer alocar o financiamento às empresas, empresas que tenham efetivamente projetos na área da sustentabilidade, tenham compromissos claros, que tenham começado esta jornada. E aquelas que não o fizerem, realmente, ou ficam arredadas desse financiamento, ou terão com preço muito mais elevado. E, portanto, isto é um potencial enorme.
Os bancos querem alocar o seu capital a empresas que demonstrem ter capacidade e robustez financeira a futuro, e isto implica também olhar para estes temas. E por isso, diria que a sustentabilidade da empresa é garantir que tem plano de negócio a longo prazo. É tão simples quanto isso, e ao mesmo tempo, bastante complicado.
É certo. Fácil de enunciar.
Voltando à forma como começámos. As empresas já estão a fazer muito. Nós temos mais de 20, quase 30% do financiamento que hoje fazemos a empresas, pode ser classificado como financiamento sustentável ou financiamento verde. Portanto, já há muito investimento em transição, em resiliência nas cadeias de valor, resiliência energética, que é um tema para o qual a economia da Europa acordou nos últimos anos.
Claro. Aqui o abanão foi imenso.
Exatamente, tivemos um abanão enorme e há imenso investimento feito a esse nível.
O caminho está a ser feito.
O caminho está a ser feito.
Muito bem, Inês Soares, Francisco Esteves, foi um gosto recebê-los aqui neste primeiro episódio do podcast "Empresas em Transformação". Esta é uma parceria entre o Novo Banco e o Observador. Por aqui vamos falar, de facto, do que está a mudar no mundo das empresas com novos padrões e exigências ambientais e sociais. Nós vamos voltar brevemente com novo tema e novos convidados. Até lá.
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