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Tuesday, October 20, 2026

Quando a honra se torna uma sentença de morte para mulheres no Irã

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O que é considerado "decoro" pode ser definido pela família ou pelas normas sociais e culturais locais. Em algumas regiões mais tradicionais, até mesmo rir alto ou conversar amigavelmente com um homem desconhecido pode ser visto como uma violação dessas normas. Mulheres acusadas de cometer esse tipo de infração muitas vezes não tem a oportunidade de se defender das acusações.

Há anos, ativistas dos direitos das mulheres no Irã tentam criar redes nacionais que ofereçam orientação e proteção a mulheres ameaçadas, entre elas está a "Campanha pelo Fim dos Crimes de Honra". Rezvan Moghaddam, porta-voz da inciativa, afirmou que aparentemente não havia, na região, nenhuma ativista ou grupo capaz de oferecer apoio a Maryam Yarmohammadi.

Com a ajuda de redes da sociedade civil, a campanha conseguiu, em alguns casos, levar mulheres ameaçadas para locais seguros e garantir abrigo para elas. Ao mesmo tempo, Moghaddam ressalta que isso não deve ser interpretado como uma crítica às ativistas dos direitos das mulheres nessas regiões: "Eu mesma sou do Khuzistão, no sul do Irã, e conheço as limitações existentes ali."

Falhas do sistema judiciário

As leis iranianas baseadas na sharia não tratam as mulheres como cidadãs plenamente iguais aos homens. Suas possibilidades de ação e decisões sobre a própria vida podem depender da aprovação de parentes do sexo masculino, por exemplo em questões ligadas à educação, ao trabalho ou a viagens.

Mesmo após a morte de uma mulher, parentes homens podem, dentro de determinadas disposições legais, influenciar o andamento de processos criminais. No direito penal iraniano, determinadas infrações, entre elas o homicídio, são regidas pelo princípio da retaliação. Em casos de assassinato, os familiares da vítima podem optar por exigir retaliação, o que pode significar a pena de morte, ou conceder perdão ao autor do crime.

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