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Monday, November 2, 2026

Hack do Mercado Bitcoin expõe riscos de segurança; especialistas dizem como se proteger

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O ataque hacker sofrido pelo Mercado Bitcoin (MB) nesta segunda-feira (2) reacendeu o debate sobre a segurança das plataformas de criptomoedas e os riscos envolvidos na custódia de ativos digitais. Especialistas ouvidos pela EXAME apontam que invasões desse tipo podem explorar desde vulnerabilidades técnicas em sistemas blockchain até falhas humanas e operacionais dentro das próprias empresas.

A dimensão do incidente ainda está sendo investigada. Um levantamento preliminar da empresa de segurança blockchain Hypernative identificou movimentações suspeitas de carteiras atribuídas ao Mercado Bitcoin que podem superar US$ 40 milhões. As transferências envolveram diferentes redes, incluindo Bitcoin, Ethereum, Solana e Tron.

A corretora confirmou que identificou um ataque cibernético a um de seus sistemas durante a madrugada e afirmou que o incidente foi rapidamente contido. A empresa também declarou que não haverá prejuízo aos clientes e que não houve vazamento de dados. Como medida preventiva, depósitos e saques foram temporariamente suspensos.

Comunicado oficial:

Identificamos e contivemos com rapidez um incidente de segurança em um de nossos sistemas nesta madrugada.

Reforçamos que:
• Não houve nenhum prejuízo aos clientes;
• Não houve vazamento de dados.

Como medida preventiva de proteção, depósitos e saques estão temporariamente suspensos. Nossas equipes estão mobilizadas investigando o caso, rastreando os ativos e coordenando as medidas junto às autoridades competentes.

Manteremos atualizações regulares por aqui.

— Mercado Bitcoin (@MercadoBitcoin) November 2, 2026

Para Caio Mattos, CEO da NearX, ataques ao mercado de criptomoedas podem acontecer por diferentes caminhos. Um deles envolve vulnerabilidades em contratos inteligentes, programas que executam automaticamente operações e regras estabelecidas em uma blockchain.

Outra possibilidade é a manipulação dos chamados oráculos, sistemas responsáveis por levar informações externas para dentro de uma rede blockchain.

“Hoje, ainda existem hackers especializados em ataques sofisticados que exploram vulnerabilidades em contratos inteligentes ou até mesmo nos mecanismos responsáveis por determinar o valor de determinados ativos dentro de uma blockchain”, afirma.

Como hackers conseguem explorar vulnerabilidades?

Mattos explica que os oráculos funcionam como pontes entre o mundo real e as redes blockchain. Eles podem, por exemplo, fornecer informações sobre preços de ativos, permitindo que aplicações descentralizadas utilizem esses dados em suas operações.

O executivo utiliza como exemplo um sistema responsável por informar à blockchain o preço da eletricidade no Brasil. Ativos tokenizados que representam essa eletricidade podem utilizar os dados para refletir o valor do produto no mundo real.

Nesse cenário, um invasor que consiga manipular o oráculo poderia alterar artificialmente o preço informado e explorar a distorção para comprar ativos tokenizados por valores abaixo dos praticados no mercado.

“Em determinadas situações, explorar uma vulnerabilidade no oráculo pode ser muito mais simples e lucrativo do que atacar diretamente o contrato inteligente do próprio ativo”, diz.

Entretanto, o executivo ressalta que ataques sofisticados contra a infraestrutura de blockchain não representam necessariamente o principal vetor utilizado por grandes grupos hackers.

Muitas invasões começam por vulnerabilidades na estrutura interna das empresas, especialmente em processos que envolvem funcionários, credenciais e equipamentos corporativos.

“Os ataques mais relevantes começam pela exploração de vulnerabilidades humanas e operacionais: funcionários que clicam em links maliciosos, computadores infectados por malware, credenciais comprometidas ou até mesmo criminosos que se passam por candidatos a vagas de emprego, conseguem ser contratados e se infiltram na estrutura da empresa”, afirma Mattos.

A popularização da inteligência artificial também acrescenta uma nova camada de preocupação. Segundo o CEO da NearX, ferramentas de IA podem ser utilizadas por criminosos para automatizar tarefas, acelerar a identificação de vulnerabilidades e ampliar a escala dos ataques.

Ao mesmo tempo, o uso dessas tecnologias por funcionários sem os devidos cuidados pode expor informações sensíveis e comprometer dados corporativos.

Por isso, Mattos defende que empresas do setor invistam não apenas em tecnologia, mas também em governança e segurança da informação. Entre as medidas estão controles de acesso, autenticação multifator, rotação de credenciais, monitoramento contínuo, auditorias e treinamento dos colaboradores.

“Segurança não depende apenas da tecnologia utilizada, mas também das pessoas, dos processos e da governança que sustentam toda a operação”, afirma.

O que o investidor pode fazer para proteger suas criptomoedas?

Além das medidas adotadas pelas próprias corretoras, o episódio também levanta uma discussão sobre a responsabilidade dos investidores na proteção de seus patrimônios.

Para Leonardo Maximiliano, CEO e cofundador da DSEC Labs e da DominiPay, uma corretora concentra ativos e acessos, o que a transforma em um alvo de alto valor para criminosos.

O executivo ressalta, porém, que ainda é cedo para determinar como aconteceu a invasão ao Mercado Bitcoin. Entre os pontos que precisam ser investigados estão o possível comprometimento de credenciais, a exposição de chaves privadas e eventuais falhas nos processos de autorização de transferências.

“Sem uma investigação técnica concluída, seria precipitado apontar a causa do incidente no Mercado Bitcoin. São hipóteses de investigação, não conclusões sobre o caso”, afirma.

Maximiliano também chama a atenção para um risco que vai além do eventual roubo de ativos: a possibilidade de o investidor ficar temporariamente sem acesso ao próprio dinheiro quando uma corretora suspende os saques.

Mesmo quando uma empresa afirma que os saldos dos clientes estão preservados, os usuários continuam dependendo da capacidade da plataforma de proteger os recursos e restabelecer suas operações.

Nesse contexto, o especialista destaca que senhas fortes e autenticação em dois fatores são importantes para proteger as contas individuais, mas não resolvem eventuais falhas na infraestrutura de custódia da corretora.

Uma alternativa é a autocustódia, modelo em que o próprio investidor mantém o controle das chaves privadas que permitem movimentar suas criptomoedas.

Uma das estratégias recomendadas é separar os recursos destinados às operações frequentes daqueles reservados para investimentos de longo prazo. A segunda parcela pode ser mantida em uma carteira de hardware, dispositivo que armazena as chaves privadas offline.

“Autocustódia exige responsabilidade. Quem perde ou entrega suas chaves pode perder os ativos, e uma carteira de hardware não impede que o próprio usuário autorize uma operação maliciosa”, alerta.
O especialista também recomenda guardar a frase de recuperação em local seguro, evitar fotografias ou cópias na nuvem, conferir os endereços de destino e compreender cada transação antes de assiná-la.

Para estruturas mais sofisticadas, o uso de múltiplas assinaturas independentes pode reduzir a dependência de uma única chave privada.

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